Equipe da 3ª DH (Delegacia de Homicídios) de Araçatuba (SP) identificou o autor do assassinato do chapeiro Washington Kennedy Lima Ramos, 45 anos, ocorrido no último dia 27. Ele foi morto com mais de 20 facadas dentro de casa.
Após ouvir algumas testemunhas, a Polícia Civil identificou o autor, que havia sido abordado pela Polícia Militar algumas vezes nas imediações, portando uma faca.
Ele se apresentou na delegacia nesta terça-feira (5), acompanhado de um advogado, confessou o crime. As facas que teriam sido usadas para matar Ramos foram encontradas em um bueiro, próximo ao recinto de exposições Clibas de Almeida Prado, e apreendidas.
Identificado
De acordo com o delegado Paulo Natal, após identificá-lo, equipe esteve na casa dele, que não foi encontrado, por isso, deixou recado para que se apresentasse para prestar esclarecimentos.
Ao ser ouvido, ele alegou que matou o chapeiro porque algum tempo atrás, a vítima, que era homossexual, de acordo com a polícia, teria tentado molestá-lo sexualmente. Ele tinha o hábito de frequentar a casa da vítima.
Ainda de acordo com o que relatou, no dia do crime Ramos teria se masturbado na frente dele, por isso o atacou.
Crime
Entretanto, a polícia não acredita na versão apresentada pelo investigado. Um dos motivos é que a porta da cozinha da residência da vítima foi encontrada arrombada.
Além disso, das mais de 20 facadas recebidas pelo chapeiro, pelo menos 18 foram nas costas, o que indicaria que ele foi atacado de surpresa.
Ramos morava em uma casa na rua Joaquim Murtinho, que fica próximo da avenida dos Araçás, na região central da cidade.
Ele trabalhava em um trailer desses que vendem três lanches por R$ 12,00 e foi encontrado por um colega de trabalho, que foi procurá-lo por não ter ido ao trabalho.
Além dos ferimentos nas costas, havia cortes no braço esquerdo, no peito e no pescoço da vítima, o que indica, segundo a polícia, que após ser pego à traição, teria tentado se defender.
O colega de trabalho que encontrou o corpo disse à polícia que decidiu entrar na casa porque telefonou, mas a vítima não atendeu. Como percebeu que a TV estava ligada, entrou no quintal, viu que a porta da sala estava apenas encostada.
A porta dos fundos que dá acesso à cozinha estava arrombada e o corpo caído no chão.
Supresa
Segundo o delegado, a versão mais provável é de que o acusado tenha invadido a casa para furtar, imaginando que não havia ninguém no imóvel, já que por conhecer os hábitos da vítima, imaginou que não estivesse em casa.
A polícia apurou que além de ser chapeiro, a vítima trabalhava em uma fábrica de bolas durante o dia, a qual estava com as atividades suspensas devido à quarentena do coronavírus. Ao invadir a casa ele teria sido surpreendido pela vítima e decidiu matá-la.
Roubo
Ainda de acordo com a polícia, familiares denunciaram o roubo do celular, da carteira e de uma calça de Ramos.
O aparelho foi encontrado na casa do investigado, mas estava sem chip. Ele alegou em depoimento que dispensou o chip no mesmo dia e que pretendia jogar o celular fora também. Porém, como a polícia esteve na casa dele, decidiu esperar o tempo passar.
Ele confessou o roubo da calça, porém alegou desfez dela também no mesmo dia. Sobre a carteira, familiares revelaram que a vítima sempre andava com dinheiro, porém, o investigado negou tê-la roubado e ela não foi encontrada.
Latrocínio
Para a polícia, está claro que houve um latrocínio, que é o roubo seguido de morte, e que o acusado pretendia usar o celular, já que não possui aparelho, ou trocá-lo por entorpecentes. Caso contrário, o teria dispensado junto com o chip.
As facas usadas por ele foram apreendidas para serem periciadas. De acordo com Natal, elas estavam lavadas e uma delas teve a lâmina torta. O próprio investigado confessou que o dano ocorreu durante os golpes.
A polícia acredita que as duas facas estivessem na casa da vítima e a perícia tentará identificar se as duas foram usados no assassinato.