Polícia

Prisão de hoje é a 5ª expedida pela Justiça contra Cleudson

Contratos com o Estado do Pará eram tratados como "o negócio da vida" por Cleudson, segundo a polícia, e renderiam R$ 200 milhões por ano

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
18/08/21 às 16h40
Prisão preventiva de Cleudson cumprida pela PF foi a quinta expedida pela Justiça (Foto: Reprodução de vídeo)

A prisão preventiva cumprida pela Polícia Federal do Pará contra o médico anestesista Cleudson Garcia Montali, de Birigui (SP) nesta quarta-feira (18), é a quinta expedida pela Justiça. Ele já responde como réu em dois processos na Justiça de Birigui, um deles por lavagem de dinheiro; um na Justiça de Penápolis; e um na Justiça do Pará, relativo à primeira fase da Operação SOS.

Segundo investigação da Polícia Civil de Araçatuba, ele era o responsável pelos projetos elaborados pelas OSS (Organização Social de Saúde) Santa Casa de Misericórdia de Birigui e pela Irmandade da Santa Casa de Pacaembu, que assinavam contratos com órgãos públicos municipais e estaduais, para gestão de serviços de saúde.

A investigação em Birigui teve início após a prisão de um dos integrantes do grupo em setembro de 2019, com o qual foi encontrada grande quantia em dinheiro e veículos que seriam de propriedade de Cleudson. Também com ele foram apreendidas anotações relativas aos contratos de gestão de serviços públicos de saúde.

O processo em Penápolis é relacionado a supostas irregularidades ocorridas no contrato assinado pela Prefeitura com a Santa Casa de Misericórdia de Birigui para gestão do pronto-socorro municipal.

Pará

Como as OSSs ligadas a Cleudson expadiram sua atuação com a pandemia e assinaram contratos com o governo estadual do Pará, tudo o que foi apurado pela Polícia Civil de Araçatuba foi compartilhado com a Polícia Federal de lá, que é o órgão responsável pela investigação devido às supostas fraudes estarem relacionadas a contratos com o governo do Estado.

Em 29 de setembro do ano passado foi deflagrada a Operação Raio-X pela Polícia Civil de Araçatuba em parceria com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do Ministério Público, para o cumprimento de 64 mandados de prisão temporária e 237 de busca e apreensão expedidos pela Justiça de Birigui e Penápolis.

Ao mesmo tempo, a Polícia Federal deflagrou a Operação SOS para cumprir 12 mandados de prisão temporária e 41 de busca e apreensão expedidos pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). A investigação apontou que no período de agosto de 2019 a maio de 2020, o grupo supostamente liderado por Cleudson assinou 12 contratos com o governo do Estado do Pará, totalizando quase R$ 1,3 milhões.

Negócio da vida

O Hojemais Araçatuba publicou matéria em 4 de outubro do ano passado, na qual informa que de acordo com a investigação, esses contratos renderiam R$ 200 milhões por ano ao grupo investigado e por isso, o projeto foi tido por Cleudson como "o negócio da vida".

Ainda segundo o que foi apurado pela reportagem, entre os alvos de mandados de busca e apreensão e de prisão temporária expedidos hoje, estão médicos e empresários de Araçatuba e Birigui que teriam sido levados para o Estado do Pará por intermédio de Cleudson.

Núcleo político

Entre os que tiveram a prisão preventiva decretada está Nicolas André Tsontakis Morais, que também usaria o nome falso de Nícholas André Silva Freire. Ele havia sido preso durante a Operação SOS e, segundo a Polícia Civil de Araçatuba, era o responsável pelo contato político que viabilizou a assinatura dos contratos no Pará.

A investigação apurou que quando surgiram os editais de seleção de organizações sociais para gerir o Hospital Público Regional do Caetés e Hospital Público Regional Dr. Abelardo Santos, no Pará, as OSSs investigadas tinham informações privilegiadas, foram qualificadas e venceram os dois certames.

Pelo trabalho feito, Cleudson teria presenteado Nícholas com um Land Rover avaliado em mais de R$ 400 mil, adquirido em nome de uma empresa de segurança pertencente a um empresário que foi preso em Agudos. Há um processo tramitando na Justiça de Birigui por lavagem de dinheiro relativa a esse caso.

A polícia também cumpriu mandado de busca na ocasião em um endereço relacionado a ele em Birigui e apreendeu outros três veículos. Segundo a polícia, Nícholas teria recebido repasses financeiros que podem ter somado mais de R$ 1,5 milhão.

Regis Pauleti havia sido preso dias após ser deflagrada a Operação Raio-X (Foto: Lázaro Jr./Arquivo)

Operador

O outro investigado que foi preso preventivamente hoje é Regis Soares Pauletti, apontado como operador das OSSs investigadas. Ele também teve o mandado de prisão expedido pela Justiça para a Operação Raio-X, mas não foi encontrado por ter viajado para São Paulo um dia antes do cumprimento dos mandados.

Com endereços em Agudos, na região de Bauru; em Osasco; e dois endereços em Umarizal (PA), ele foi preso ao se apresentar no 96º DP (Distrito Policial), instalado no Brooklin, bairro nobre da capital paulista, em outubro do ano passado.

Núcleo administrativo

Segundo o que foi apurado pela reportagem, Pauletti pertenceria ao núcleo administrativo do grupo e atuaria de maneira ampla defendendo os interesses da organização para expandi-la.

Há indícios de que ele estaria relacionado a várias situações de desvio de dinheiro e seria um dos beneficiários diretos do esquema, conforme comprovantes de depósitos bancários identificados pela investigação.

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