A prisão preventiva cumprida pela Polícia Federal do Pará contra o médico anestesista Cleudson Garcia Montali, de Birigui (SP) nesta quarta-feira (18), é a quinta expedida pela Justiça. Ele já responde como réu em dois processos na Justiça de Birigui, um deles por lavagem de dinheiro; um na Justiça de Penápolis; e um na Justiça do Pará, relativo à primeira fase da Operação SOS.
Segundo investigação da Polícia Civil de Araçatuba, ele era o responsável pelos projetos elaborados pelas OSS (Organização Social de Saúde) Santa Casa de Misericórdia de Birigui e pela Irmandade da Santa Casa de Pacaembu, que assinavam contratos com órgãos públicos municipais e estaduais, para gestão de serviços de saúde.
A investigação em Birigui teve início após a prisão de um dos integrantes do grupo em setembro de 2019, com o qual foi encontrada grande quantia em dinheiro e veículos que seriam de propriedade de Cleudson. Também com ele foram apreendidas anotações relativas aos contratos de gestão de serviços públicos de saúde.
O processo em Penápolis é relacionado a supostas irregularidades ocorridas no contrato assinado pela Prefeitura com a Santa Casa de Misericórdia de Birigui para gestão do pronto-socorro municipal.
Pará
Como as OSSs ligadas a Cleudson expadiram sua atuação com a pandemia e assinaram contratos com o governo estadual do Pará, tudo o que foi apurado pela Polícia Civil de Araçatuba foi compartilhado com a Polícia Federal de lá, que é o órgão responsável pela investigação devido às supostas fraudes estarem relacionadas a contratos com o governo do Estado.
Em 29 de setembro do ano passado foi deflagrada a Operação Raio-X pela Polícia Civil de Araçatuba em parceria com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do Ministério Público, para o cumprimento de 64 mandados de prisão temporária e 237 de busca e apreensão expedidos pela Justiça de Birigui e Penápolis.
Ao mesmo tempo, a Polícia Federal deflagrou a Operação SOS para cumprir 12 mandados de prisão temporária e 41 de busca e apreensão expedidos pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). A investigação apontou que no período de agosto de 2019 a maio de 2020, o grupo supostamente liderado por Cleudson assinou 12 contratos com o governo do Estado do Pará, totalizando quase R$ 1,3 milhões.
Negócio da vida
O Hojemais Araçatuba publicou matéria em 4 de outubro do ano passado, na qual informa que de acordo com a investigação, esses contratos renderiam R$ 200 milhões por ano ao grupo investigado e por isso, o projeto foi tido por Cleudson como "o negócio da vida".
Ainda segundo o que foi apurado pela reportagem, entre os alvos de mandados de busca e apreensão e de prisão temporária expedidos hoje, estão médicos e empresários de Araçatuba e Birigui que teriam sido levados para o Estado do Pará por intermédio de Cleudson.
Núcleo político
Entre os que tiveram a prisão preventiva decretada está Nicolas André Tsontakis Morais, que também usaria o nome falso de Nícholas André Silva Freire. Ele havia sido preso durante a Operação SOS e, segundo a Polícia Civil de Araçatuba, era o responsável pelo contato político que viabilizou a assinatura dos contratos no Pará.
A investigação apurou que quando surgiram os editais de seleção de organizações sociais para gerir o Hospital Público Regional do Caetés e Hospital Público Regional Dr. Abelardo Santos, no Pará, as OSSs investigadas tinham informações privilegiadas, foram qualificadas e venceram os dois certames.
Pelo trabalho feito, Cleudson teria presenteado Nícholas com um Land Rover avaliado em mais de R$ 400 mil, adquirido em nome de uma empresa de segurança pertencente a um empresário que foi preso em Agudos. Há um processo tramitando na Justiça de Birigui por lavagem de dinheiro relativa a esse caso.
A polícia também cumpriu mandado de busca na ocasião em um endereço relacionado a ele em Birigui e apreendeu outros três veículos. Segundo a polícia, Nícholas teria recebido repasses financeiros que podem ter somado mais de R$ 1,5 milhão.
