A Polícia Militar de Araçatuba (SP) teve que intervir em uma discussão ocorrida na tarde de quarta-feira (2) no cruzamento da rua Rangel Pestana com a rua Duque de Caxias, na região central da cidade. Um dos envolvidos é um servente de 43 anos, morador na região central da cidade, que disse ter sido ameaçado e agredido devido ao ponto de venda de pipoca e água no farol.
No boletim de ocorrência consta que os policiais que estiveram no local, conversaram com as partes e orientaram que todos fossem para a delegacia registrar a ocorrência.
Atendendo a orientação, o servente esteve no plantão e contou que vendia pipoca no local, onde teriam chegado dois rapazes para vender água. Alega que perguntou a se teria como deixá-lo ficar nesse cruzamento mais uns 40 minutos, mas a resposta teria sido negativa.
Agressões
Ainda de acordo com ele, um homem de 29 anos apareceu em seguida, questionando se o farol era dele, eles discutiram, mas o investigado e os dois rapazes que estavam com a água para vender foram embora.
O servente disse ainda que foi orar, arrependido da maneira que havia falado com o investigado, mas quando rezava foi surpreendido por ele, que estaria acompanhado de um
“policial não fardado”
, que teria interrompido a o oração e
“enquadrado”
ele.
No boletim de ocorrência também foi qualificado como investigado, um agente penitenciário de 43 anos, morador no Vilela.
Por fim, disse que o suspeito se aproveitou da situação e o agrediu com tapas e socos no rosto. Em seguida, o suposto policial o levou até a parede, mandou que fosse embora, alegando que a situação daí em diante seria com ele.
O servente disse na delegacia que se sentiu ameaçado e que o suposto policial o teria proibido de vender pipoca e água no local.
Negou
O rapaz de 29 anos, acusado de agressão, também esteve na delegacia e disse que passava pelo local de moto quando viu o servente gritando com dois rapazes conhecidos dele, afirmando que eles não poderiam ficar no semáforo.
O investigado alegou que o servente falou que os meninos não poderiam ficar nesse cruzamento, que seria território dele e de outras pessoas. Diante disso, pediu que apresentasse um documento que provasse que só ele poderia vender pipoca e água no local.
Ainda de acordo com o investigado, o servente teria começado a fazer escândalo, por isso, pediu para os meninos irem para outro semáforo. De acordo com ele, um tempo depois, ao voltar ao cruzamento para pedir que os meninos pudessem explorar o ponto comercialmente, o servente teria feito novo escândalo e houve a discussão.
Na versão dele, o agente penitenciário teria passado pelo local, o reconhecido e parado. Nesse momento, o servente teria dito que estava sendo intimidado. O agente teria se identificado como policial e tentado dialogar, mas o servente teria saído correndo, dizendo que havia sido agredido.
Outros casos
Essa não é a primeira vez que a disputa por um ponto em semáforo vira caso de polícia em Araçatuba. Em fevereiro do ano passado, dois homens que seriam moradores de rua entraram em luta corporal e ficaram feridos durante briga no cruzamento da avenida Brasília com a rua Liberdade.
Os policiais militares que atenderam a ocorrência encontraram os dois feridos e eles confirmaram que brigaram por causa do ponto.
Em junho do mesmo ano, um vendedor ambulante de 26 anos foi esfaqueado no cruzamento da avenida Pompeu de Toledo com a Duque de Caxias. Ele acusou outro ambulante que vendia pipoca no local de autor do crime.
Proibido
O
Hojemais Araçatuba
questionou a Prefeitura sobre a grande quantidade de pessoas que passaram a trabalhar como ambulante nos principais cruzamentos da cidade.
Segundo a administração municipal, todo trabalhador autônomo que presta serviço como ambulante deve ser cadastrado na Prefeitura. Entretanto, explicou que não existe autorização para atuação em semáforos ou esquinas.
“Quando é solicitada a documentação, ele precisa indicar o ponto a ser explorado”
, informa a Prefeitura em nota.
Por fim, o município informa que quando há denúncia, a equipe de fiscalização vai ao local para orientação.
“Quando necessário, a Guarda Municipal pode ser acionada”,
finaliza a nota.