Polícia

Vítima de sequestro havia escapado do ‘Tribunal do Crime’ em Campinas

Está em liberdade há 2 meses, após cumprir 15 anos de prisão por roubo e tráfico; teria sido expulso do PCC por se relacionar com travesti

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
25/11/20 às 09h47
Carro com a vítima foi abordado na rua Anhanguera, marginal à rodovia Marechal Rondon, em Araçatuba (Foto: Colaboração do leitor)

O homem que foi resgatado pela Polícia Militar em Araçatuba (SP) na tarde de terça-feira (24), durante sequestro, disse que saiu da prisão cerca de dois meses atrás e que escapou de julgamento pelo “Tribunal do Crime” quando estava em Campinas.

Segundo o que relatou à polícia, após ser agredido, ele foi colocado no carro e estava sendo levado para novo julgamento por esse tribunal paralelo, onde seria executado.

Ainda no hospital, o homem, de 35 anos, disse que cumpriu 15 anos de prisão por roubo e tráfico de drogas. Ele pertencia ao PCC (Primeiro Comando da Capital), mas teria sido expulso por iniciar um relacionamento amoroso com uma travesti.

Essa travesti, de 29 anos, foi encontrada pela polícia no pronto-socorro, onde a vítima prestava depoimento. Ela disse que também havia sido sequestrada e colocada em outro carro, mas conseguiu pular do veículo em movimento ao perceber que a polícia havia abordado o carro onde o companheiro dela estava.

Drogas

A primeira informação recebida pela polícia com relação à ocorrência foi de que havia várias pessoas brigando por causa de drogas em um endereço no Iporã. Foram feitas pelo menos seis ligações para o 190. Em uma delas foi informado que havia um homem sobre o telhado de uma casa, sendo perseguido por outros armados.

A declarante também disse que havia uma briga generalizada e que havia várias pessoas armadas tentando matar o companheiro dela. Em uma das ligações, a companheira da vítima disse que os acusados teriam colocado uma corda no pescoço do companheiro dela e o arrastado para o interior de um carro branco.

Resgate

A vítima foi resgatada ao ser encontrada em um Gol branco, na rua Anhanguera, após o veículo sofrer uma pane mecânica. O homem estava no banco traseiro, sendo seguro por um dos acusados. Ele sangrava e disse que os investigados iriam matá-lo. Dentro do veículo havia uma barra de ferro.

Em conversa com os policiais, a vítima disse que é oposição do PCC e estava sendo levado para o “Tribunal do Crime” por estar devendo dinheiro para o "comando" . Ele falou que após ser posto em liberdade, chegou a ser sequestrado em Campinas, foi levado para um “Tribunal do Crime” na cidade, mas conseguiu escapar.

Disse ainda que foi descoberto em Araçatuba porque a companheira dele contou para outra travesti, também investigada, que ele estava "pedido" pelo "crime".

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Travesti

Ao levar a vítima para atendimento no pronto-socorro, os policiais encontraram a companheira dele. Ela contou que por ter assumido o relacionamento amoroso, ambos estavam sendo levados para o “Tribunal do Crime”, para serem executados.

A travesti relatou ainda que foi levada para outro Gol por outros acusados, que teriam dito que o companheiro dela seria enterrado vivo e ela assassinada com um tiro no rosto. Por fim, relatou que ao perceber que a polícia havia abordado o carro onde o companheiro dela estava, ela pulou do veículo e conseguiu fugir dos autores.

Presos

Os homens que foram presos são um funileiro de 50 anos, morador no bairro Primavera, e um ajudante de 24 anos, residente no Águas Claras. Segundo informações obtidas pelo Hojemais Araçatuba , esse último seria o “disciplina” do PCC no residencial.

De acordo com a polícia, os acusados deram informações desencontradas ao serem questionados sobre o que faziam com a vítima sangrando no carro. Eles serão indiciados por associação criminosa, sequestro qualificado e tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.

O delegado que presidiu o flagrante representou pela conversão da prisão em flagrante em preventiva.

Investigação

Um inquérito será instaurado e a polícia tentará identificar os outros supostos participantes que teriam sequestrado a travesti. O Gol que estava com os investigados tinha manchas de sangue e foi apreendido para ser periciado, assim como a barra de ferro apreendida.

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