[*Matéria atualizada às 19h55]
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarou em pronunciamento na tarde desta sexta-feira (24), que ficou decepcionado com a atitude do ex-ministro Sergio Moro, que convocou a imprensa pela manhã, e anunciou sua demissão.
A medida foi tomada após a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Leite Valeixo, ser publicada no Diário Oficial da União de hoje. O ex-juiz da Lavajato citou possível interesse do presidente em interferir na Polícia Federal, o que foi negado.
Valeixo era homem de confiança de Moro, que durante pronunciamento disse que não havia sido comunicado previamente da exoneração. Também afirmou que a exoneração não foi a pedido, como foi publicado no Diário Oficial.
Além de rebater o ex-ministro e afirmar que não precisava de autorização de ninguém para exonerar Valeixo, Bolsonaro declarou que Moro teria concordado com a troca da direção da PF, mas que ela ocorre só em novembro, depois que ele fosse nomeado para uma das vagas no STF (Supremo Tribunal Federal).
Decepção
O presidente iniciou o pronunciamento falando da decepção com o ex-ministro, dizendo que só se conhece as pessoas quando se convive com elas.
“Uma coisa admirar a pessoa, outra é conviver com ela, que tem compromisso consigo próprio, com o ego e consigo mesmo. Sabia que ele iria dar um jeito de botar uma cunha entre eu e o povo brasileiro”, disse.
Ele contou ainda, que durante café da manhã com alguns deputados, nesta sexta-feira, comentou que hoje todos conheceriam quem não queria vê-lo na cadeira da presidência, sem citar nomes, mas fazendo referência a Sergio Moro, comparando-o a Judas, que traiu Jesus Cristo.
Autonomia
Bolsonaro declarou que sempre foi do diálogo, nunca impôs algo a Sergio Moro, que resolveu marcar uma coletiva para fazer acusações infundadas, que na opinião dele, irá “deslustrar” a própria biografia do ex-juiz.
E comentou que enquanto o ex-juiz tem uma biografia a zelar, ele tem o Brasil a zelar.
“Não apenas fiz um juramento na escola preparatória do Exército em Campinas de dar a vida se preciso fosse, mas tenho dado a vida da família, que é alvo das acusações mais torpes possíveis”, declarou.
Argumentou que se tem o poder de trocar um ministro, pode trocar o diretor da Polícia Federal sem ter que pedir pra ninguém.
Descontentamento
O presidente confirmou que ao convidar Moro para compor o governo, deu a ele autonomia, mas teria deixado claro que com relação a cargos chaves, como o de diretor-geral da Polícia Federal, as indicações passariam pelas mãos dele. E foi o que aconteceu com a nomeação de Valeixo, indicado por Sergio Moro.
Apesar de ter afirmado que de forma alguma quer interferir na Polícia Federal, o presidente admitiu insatisfação com o andamento de algumas investigações, entre elas, a do ataque ao qual foi vítima durante a campanha eleitora, quando levou uma facada.
Também citou o caso do porteiro do condomínio onde mora, no Rio de Janeiro, relacionada à morte da vereadora Mariele Franco.
“...Se preocupou mais com quem matou Mariele... ...A vida do presidente da República tem um significado, é um chefe de Estado”. declarou.
A pedido
Bolsonaro alegou ainda que desde janeiro Valeixo demonstrou interesse em deixar o comando da PF e teria confirmado isso em videoconferência na quinta-feira (23).
“Sempre confiei nele e abri, meu coração, disse que não tinha informações da PF e que teria que ter um relatório do que acontece nas últimas 24 horas, para poder decidir o futuro do País”, comentou.
Nesse contexto, o presidente disse que falou para o ex-ministro que era o momento de colocar
"um ponto final no Valeixo"
e contou a Moro na quinta-feira que nesta sexta-feira publicaria a exoneração, pelo que tudo indicava, a pedido.
Ainda segundo o presidente, Moro teria concordado com a troca, desde que o substituto fosse um nome indicado por ele. Diante do impasse, não houve acordo.
“Eu lembrei da lei, que é a prerrogativa é minha de nomear e exonerar. Se eu tiver que me submeter a subordinado eu deixo de ser presidente”, declarou.
Bolsonaro disse apesar de não ter definido o assunto com Moro, na noite de quinta-feira ele próprio telefonou para Valeixo, informando que ele seria exonerado e ele teria concordado.
“Desculpe, mas não vai me chamar de mentiroso”, disse o presidente, referindo-se à fala do ex-ministro, de que a exoneração não havia sido feita a pedido.
Fidelidade
Bolsonaro também reclamou da falta de fidelidade de Moro, que não estaria defendendo as ideias do governo federal.
Citou ter pedido a ele que se manifestasse como ministro da Justiça e Segurança Pública, sobre medidas adotadas por alguns governadores e prefeitos, que estariam resultando em prisões de pessoas com uso de algemas, por descumprir decretos de quarentena.
“Prefeitos e governadores estão cometendo tremendos absurdos e o governo federal tem que posicionar, o que incomodou Moro", disse.
Alegou ainda que o ex-ministro é um desarmamentista e quem tem dificuldade de facilitar a compra de armamento e munição, que é o que foi defendido por Bolsonaro durante a campanha.
“Não posso aceitar ter integridade confrontada por qualquer ministro. Continuarei fiel a todos os brasileiros no combate à corrupção e à criminalidade. Travo o bom combate. Minha preocupação é entregar o Brasil bem melhor do que recebi no ano passado”, declarou.
Por fim, Bolsonaro argumentou que não pode conviver ou fica difícil a convivência com uma pessoa diferente dele.
“Torci muito para dar certo, mas infelizmente, ou felizmente, no dia de hoje, após conversa de ontem, houve essa decisão”, finalizou.
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Correção:
Diferente do publicado entre as 18h56 e as 19h55, o presidente Jair Bolsonaro está sem partido e não no PSDB como foi divulgado. Pedimos desculpas pelo erro que já foi corrigido.