O deputado federal por São Paulo Luiz Flávio Gomes (PSB) classifica as falas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) como “graves” e com capacidade “de afundar o Brasil definitivamente”.
O parlamentar esteve em Araçatuba na sexta-feira (30) para uma série de visitas. Em seu entendimento, o presidente “tem que ter a cautela de falar menos e quando fala, pensar nas coisas que fala”.
Para ele, nenhum presidente “pode ser desastrado na fala, porque a fala induz pessoas a agirem e dá credibilidade ou não ao mercado, sobretudo aos investimentos”.
Em Araçatuba, o professor e jurista visitou a Santa Casa de Misericórdia e ministrou palestra para alunos de uma instituição de ensino.
Ele também visitou a sede do Hojemais Araçatuba . Em entrevista para o jornal, o deputado falou sobre a Vaza Jato, do combate à corrupção, que continua como uma de suas bandeiras, seu voto nos projetos da Câmara e sobre investimentos para a região.
Falas de Jair
As declarações do Bolsonaro têm capacidade de afundar o Brasil definitivamente. É muito grave o que ele fala. Ele tem que ter essa cautela de falar menos e quando fala, pensar nas coisas que fala. Observe dados científicos sobre o assunto. Fale de ciência, fale de números.
Presidente de nenhum país pode ser desastrado na fala, porque a fala induz as pessoas a agirem e dá credibilidade ou não ao mercado, sobretudo aos investimentos. Nunca tivemos um momento em que tantos investidores foram embora do Brasil. Cerca de R$ 20 bilhões foram tirados do país nesses últimos meses. Ou seja, Bolsonaro tem que reformular por completo o seu jeito de governar.
Algumas coisas ele faz correto e eu apoio, como por exemplo o 13º para o Bolsa Família. Mas, mais do que isso, ele tem que transmitir credibilidade. Por hora, ele tem falado muitas coisas infantis, como se fosse um adolescente. Isso não vai levar o Brasil adiante. Ele precisa corrigir, governar e levar o País para o destino que a gente quer. O Brasil tem que ser uma potência mundial.
Corrupção
O combate à corrupção continua sendo uma bandeira muito forte, mas neste instante a dificuldade não é dentro do parlamento. A Lava Jato está sendo atacada, na verdade, pelo Supremo Tribunal Federal. Várias decisões do STF estão impedindo investigações de pessoas importante, como o filho do presidente, Flávio Bolsonaro.
Neste momento vemos ataques contínuos à Lava Jato. Nós não queremos que ela morra. Dentro do parlamento tenho lutado e feito o máximo possível para defender a Lava Jato.
Vaza jato
A vaza jato tirou muita credibilidade da Lava Jato. Não pessoalmente do (ministro da Justiça Sergio) Moro, mas o (procurador Deltan) Dallagnol foi muito afetado. Essa credibilidade é relevante para os tribunais confiarem no trabalho e condenar. Quando se perde a credibilidade, o Supremo tem uma postura de não admitir a Lava Jato e já julgou uma sentença do Moro e anulou.
Portanto é preocupante a vaza jato, pois ela vai trazer uma nova configuração. É possível que o Supremo cancele outras sentenças, mas não tudo. Não é verdade que toda a Lava Jato vai acabar. Isso não é verdade. Nós estamos lutando para diminuir os danos fortes, mas de qualquer maneira a vaza jato tirou a credibilidade da Lava Jato.
Deputado
Continuamos lutando pelo combate à corrupção, mas, especialmente este mês, muita luta pelo fim do foro privilegiado. Eu estou fazendo um lobby intenso com meus colegas, um lobby do bem, e o próprio presidente da Casa Rodrigo Maia, também já está pedindo para a gente criar um clima e aprovar.
Dependemos de 308 votos para aprovar o fim do foro. Não tem mais sentido a manutenção do foro e em consequência preservar a competência do Supremo Tribunal Federal para julgar membros do Congresso. Todos somos iguais perante a lei.
Candidaturas avulsas
Tivemos um debate intenso nesta semana na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) e por um voto não passou esse assunto. Foram 18 votos a 17; foi uma pena. O debate foi muito intenso. Eu defendo firmemente a candidatura avulsa ou independente, ou seja, sem partido político. Isso tem que ser colocado no Brasil como mais uma possibilidade.
Não significa o fim dos partidos, mas significa que os partidos têm que se aprimorar para manter mais gente dentro dos partidos. E nós temos que ter a liberdade de ir com partido ou sem partido. O mundo inteiro faz isso. Somente 10% dos países ocidentais não têm candidatura avulsa. Portanto precisamos adequar isso.
A favor ou contra o governo?
Depende da matéria. Nesta semana o tema "armas na zona rural": favorável. Eu acho justo e correto. Depende do assunto. Tem assunto que dá para aceitar e tem assunto que não dá. Outras matérias, como a difusão de arma totalmente no meio urbano, isso eu já acho meio perigoso, voto contra.
A reforma da Previdência votei favorável, no primeiro turno e contra no segundo turno, porque inseriram um benefício de R$ 84 bilhões para a JBS de favorecimento para não pagar mais a Previdência. Isso é um absurdo. Eu não vou concordar que uma empresa que pode pagar, está comprando o mundo inteiro, se livre da responsabilidade previdenciária, enquanto a classe da base da pirâmide vai arcar com R$ 800 bilhões , a classe média, R$ 200 bilhões , para juntar R$ 1 trilhão , enquanto a JBS fica numa boa economizando R$ 84 bilhões.
Araçatuba e região
Eu visitei a Santa Casa de Misericórdia de Araçatuba e é preciso que haja ajuda para essa entidade. Eles estão atendendo cerca de um milhão de pessoas por ano, então nós vamos ajudar, e outras tantas reivindicações já formuladas pelo prefeito Dilador (Borges - PSDB) e pela vice Edna (Flor - Cidadania). No que eu puder ajudar, nós vamos estar juntos. Araçatuba é um polo muito importante do Estado, mas é esquecido, assim como Presidente Prudente. São regiões muito esquecidas.
Então temos que dar uma atenção especial para cá, sobretudo agora, ver o que se pode fazer pelo agronegócio. O agronegócio no Brasil está entrando agora numa fase dificílima e nossa região é fundamentalmente agro.
Veja que na quinta-feira (29), 18 empresas compradoras de couro do Brasil não vão mais comprar o produto. Isto é terrível, porque vai fechar muitas empresas, deixando mais gente desempregada. Motivo? As queimadas na Amazônia. Tem que ter cuidado. O governo tem que ser mais diligente, mais firme, mais proativo, mais pragmático e resolver o problema, como nos últimos dias tem feito.
Deveria ter feito isso desde começo, antes das retaliações da Alemanha e Noruega, que vão deixar de dar ao Brasil milhões e milhões. Estamos jogando dinheiro fora. Isso não pode acontecer em nenhum tipo de governo.