Guilherme Pio seria o único representante do partido na região extremo oeste do Estado de São Paulo (Foto: Divulgação)
Em carta aberta, Guilherme Coelho, mais conhecido como Guilherme Pio, 52 anos, de Araçatuba (SP) até então pré-candidato a deputado federal pelo Novo, comunicou seu desligamento do partido e candidatura ao cargo federal.
A decisão aconteceu após o partido anunciar alianças e parcerias, as quais, de acordo com os princípios desde sua fundação, são divergentes aos propósitos que cativaram muitos de seus apoiadores.
Guilherme Pio seria o único representante do partido na região extremo oeste do Estado de São Paulo.
Antes dele, o Novo tinha como pré-candidato
o médico infectologista Stelios Fikaris, 62 anos,
que acabou retirando o seu nome por não conseguir compatibilizar a atividade da medicina com a demanda crescente da política.
Em entrevista do
Hojemais Araçatuba,
Guilherme Pio explicou que o problema está com a coligação que está sendo feita em Minas Gerais, que tem Romeu Zema como candidato pelo Novo à reeleição ao governo do estado. Os nomes dos partidos da coligação ainda não foram definidos, no entanto, há uma lista aprovada na convenção com possíveis parceiros que não condiz com os princípios do Novo.
"Não podemos ser intolerantes. A gente sabe que ninguém governa sozinho, por isso o partido estaria aberto a acordos e apoio durante o mandato, mas não durante a campanha", explicou Guilherme.
Movimento
Assim que foi divulgada a possibilidade de coligação naquele estado, Guilherme e um grupo de São Paulo criaram um movimento para tentar reverter a situação. O movimento ganhou voz e foi ouvido por pessoas do alto escalão da legenda.
Uma das reuniões foi com o presidente do diretório mineiro para tentar impedir o desvio das proposta do partido e foi ouvido. Foram feitos quatro pedidos, sendo um deles, a não aceitação de partidos que utilizem recursos do FEFC (Fundo Especial de Financiamento de Campanha), também conhecido como fundo eleitoral [o Novo foi a única legenda que renunciou ao repasse nas eleições deste ano]. No entanto, as alianças foram aprovadas pelo diretório nacional, com a justificativa de que é preciso ter governabilidade.
"O Novo é um partido de ideias e não de pessoas, é uma instituição e o Brasil precisa valorizar as instituições. Eu não consigo continuar numa instituição cujos princípios não estão sendo respeitados. Eu não troco princípios e valores por governabilidad", disse. "A partir do momento que o Novo não é mais novo não tenho mais nada para fazer ali dentro", concluiu.
Político, mas fora de partidos
Formado em administração de empresas pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), com especialização em administração rural pela Silsoe College (Inglaterra), Guilherme Pio é produtor rural e empreendedor, no entanto se define hoje como ativista em várias iniciativas, principalmente na área de educação.
Uma de suas ações, mesmo fora da política, será se mobilizar pela aprovação de dois projetos de lei de iniciativa popular: uma para instituição do voto distrital e outra pela retomada de mandato no Brasil. "São duas coisas que trazem poder para o povo, pois minha meta como candidato era tirar poder do político para dar para o povo. Eu ia começar a coleta de assinaturas para esses projetos de lei durante a campanha eleitoral, antes mesmo de ser eleito, então vou começar já, como cidadão", adiantou.
Outras duas ideias é aprovar projeto de lei para candidaturas independentes e promover uma reforma no pacto federativo trazendo mais poderes para estados e municípios. Esse segundo tema já está sendo trabalhado pelo deputado estadual Bruno Souza (Novo-SC).
Abaixo, a carta aberta de Guilherme Pio na íntegra
"Renuncio à minha candidatura por respeito ao meu princípio, o qual sempre afirmou que eu nunca participaria de um partido diferente do NOVO. Essa decisão é claramente resultado das recentes alianças e movimentos do NOVO, contrariando tudo que o partido discursou desde sua fundação. Sendo assim, não posso mais continuar, tendo em vista a quebra de princípios.
Lutei para reverter a situação, atraí pessoas para um grupo que exigia respeito aos princípios. Esse grupo ganhou voz. Com essa voz, o grupo teve a chance de explicar suas divergências, porém o desvio dos propósitos foi sacramentado. Não há mais o que fazer.
Sendo assim, por respeito aos meu princípios e aos princípios iniciais do NOVO, me retiro.
Além de me retirar da campanha eleitoral, me desfilio. Estou fora do NOVO porque não vejo possibilidade de reversão institucional a longo prazo, já que o estatuto do partido dá poderes quase que absolutos ao diretório nacional.
A democracia continua sendo, como diria Churchill, a pior forma de governo, com exceção a todas as outras. Pensando nisso, talvez eu deveria ter seguido minhas iniciativas pelo povo independente do partido há mais tempo.
Sigo firme em meus propósitos. Sigo ainda mais fortalecido, pois a minha coligação é com o cidadão, com o indivíduo. Permanecerei em meu trabalho de mostrar aos indivíduos os valores de tudo que aprendi.
A força não está em prosseguir só por já estar no caminho. A força está em desistir de algo que tem muito valor, em função de algo que tem ainda mais valor. Essa é mais perfeita definição de sacrifício.
Desisto da candidatura para permanecer em meus princípios. Desisto do NOVO porque não há possibilidade de manter os princípios originais.
Aprendi que só há um valor realmente válido em um político: sua capacidade de tirar poder de si próprio em todos os momentos que isso for vital. Perde-se poder político para ganhar mais poder individual. É isso que acabo de fazer.
Começo um novo projeto porque ainda não desisti do Brasil. Começo um novo projeto porque ele tem o poder de tirar poder de quem tem mais poder: os políticos.
Sou muito grato pelos anos de aprendizado dentro do NOVO. Entrei um, saí outro, muito mais sábio e consciente das vicissitudes humanas. O principal aprendizado que obtive foi o do valor inegociável da liberdade e o poder dos três direitos naturais: respeito à liberdade, à vida e à propriedade privada.
Muito obrigado,
Guilherme Pio"