Política

Munícipe pede cassação de vereador por quebra de decoro

Davi Antonio de Souza afirma que Fermino utiliza a Câmara para "perpetrar fraude" e pede instauração de CP

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
13/03/19 às 17h49
(Imagem: Reprodução)

O munícipe Davi Antonio de Souza, morador no bairro Alto, em Birigui (SP), fez denúncia na Câmara pedindo a cassação do vereador José Fermino Grosso (DEM), por suposta quebra de decoro parlamentar. O documento foi protocolado às 16h49. Devido ao horário, a denúncia não foi distribuída aos vereadores e por isso não foi lida na sessão desta terça-feira (12) nem colocada em votação.

No documento protocolado, Souza afirma que Fermino quer proteger seu patrimônio de dívidas que assumiu como empresário ou pessoalmente e que utiliza a Câmara para “perpetrar sua fraude contra os cofres públicos e contra particulares”.

Em requerimento à Promotoria de Justiça de Birigui, o vereador teria declarado ser divorciado e no Cartório de Registro Civil consta que o casal separou-se judicialmente em 01/04/1996.

No entanto, na denúncia consta que Fermino convive há anos, como marido, com a mulher, sendo que não tem notícia de que os dois interromperam o relacionamento. A informação de que o vereador é casado consta no site da Câmara, segundo o denunciante, e nos perfis de Fermino em rede social.

Mesmo separado judicialmente, Fermino retira, todos os meses, cheques das pensões alimentícias, descontados de sua remuneração de vereador e que deveriam ser entregues apenas à mulher.

Proteção

Segundo Souza, a separação judicial foi apenas para que o vereador concentrasse seus bens em nome de sua esposa, protegendo-os assim, das cobranças judiciais. “Os bens adquiridos após a separação foram colocados, inicialmente, em nome da esposa do denunciado. Hoje, todos os bens imóveis estão em nome dos filhos do casal”, afirma.

Fermino também teria uma empresa do ramo de calçados, mas que não está em seu nome, “para não pagar débitos antigos até prescreverem”.

Para o munícipe, a atitude é ilegal, fraudulenta e prejudica o município, que é um de seus credores. Ele cita os crimes de estelionato (simular uma separação judicial com intuito de fraudar credores), crime contra a ordem tributária (quando a fraude tem finalidade o não pagamento de tributos) e falta de decoro (utilizar a Câmara, que é um poder do Estado, para perpetrar sua fraude contra os cofres públicos e contra particulares).

O pedido é pela instauração de uma comissão processante e cassação do mandato do vereador e que o caso seja encaminhado à Receita Federal e Fazenda Pública do Estado.

 

(Foto: Aline Galcino)

"Na minha vida

particular ,

quem manda sou eu.

Minha vida pública

é limpa ",

diz Fermino

Falta de tempo

De acordo com a Câmara, a matéria protocolada não foi incluída no rito da sessão ordinária de ontem, por falta de tempo hábil para leitura apurada por parte dos parlamentares. “O material foi oficialmente despachado para distribuição aos vereadores na manhã de hoje. Sendo assim, o documento entrará para leitura na próxima sessão ordinária, marcada para o dia 19”, explicou.

Questionado sobre a competência da Casa, o presidente Felipe Barone informou que a Câmara sempre será soberana nesses casos. “Tem competência, sim, e pode dar quebra de decoro (...) se a denúncia tem fundamento ou e correta, quem julgará é o plenário”, explicou.

Vida particular

Fermino afirma que em 15 anos de vereança, nunca teve uma acusação de sua vida pública e que as denúncias são voltadas apenas para a vida de particular dele.

“Na minha vida particular, quem manda sou eu. Minha vida pública é limpa”, explicou o vereador.

Na tribuna, nesta terça-feira (12), Fermino disse que foi empresário e que já “quebrou” como ocorre com muitas pessoas, no entanto, que já deu explicações aos órgãos responsáveis, como a Receita Federal.

Também disse que não iria pedir voto de nenhum vereador, pois “cada um vota com sua consciência”.

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