Com 26 anos, o advogado Everton Luiz Fernandes Sodario Raimundo é o prefeito mais jovem já eleito em Mirandópolis (SP) É também o primeiro prefeito eleito pelo PSL após a eleição do presidente Jair Bolsonaro.
A posse, em cerimônia simples, na sede da Câmara, ocorreu no último dia 25, e nos primeiros dias de trabalho começou a implantar algumas medidas para, segundo ele, equilibrar o que for possível na situação caótica na qual o município se encontra. “Hoje não tenho uma mesa para oficialmente fazer despachos”, exemplificou.
Para ele, que é seguidor fiel das ideias do presidente Bolsonaro, a região noroeste precisa de um prefeito que preserve as bases da sociedade, do conservadorismo e da família. Confira trechos da entrevista concedida ao Hojemais Araçatuba .
Carreira
Esse é o meu primeiro cargo eletivo. Fui candidato a deputado estadual em 2018 pelo PSL do presidente Jair Bolsonaro e tive 12.609 votos, fiquei como suplente. Em fevereiro deste ano assumi como secretário parlamentar do gabinete do deputado federal Coronel Tadeu. Atuei com ele de fevereiro a julho de 2019. Em agosto eu me exonerei para ser candidato a prefeito em Mirandópolis. Eu não nasci em Mirandópolis, mas moro aqui desde os 4 meses de idade.
Política
Penso que política tem que ser feita por vocação, por quem gosta e se interessa por política e não por conveniência ou conivência. Sou advogado, mas minha grande paixão sempre foi a política. Passei os três anos últimos anos em São Paulo, foi quando eu comecei no ativismo político. Eu ia pras ruas, fazia manifestações. Liderei várias manifestações especialmente na avenida Paulista pelo impeachment da ex-presidente Dilma.
PSL
Em 2018, o presidente Bolsonaro e a equipe dele me convidaram para ser candidato pelo PSL. Até então eu estava no Patriotas. Fui para Brasília e fiz a filiação no mesmo dia que o presidente fez.
Tempo de governo
Temos exatos 14 meses. Pretendo governar com responsabilidade, honestidade e caráter, dialogando com a população e equilibrando as contas públicas. Desta forma, mesmo que em pouco tempo, a gente consegue fazer uma boa gestão. O meu menor problema hoje é o tempo. Eu estou assumindo uma Prefeitura que não tem nem prédio, por exemplo. Estou despachando do Ginásio de Esportes, porque o ex-prefeito interino (Carlos Weverton Ortega Sanches -MDB) interditou o prédio da Prefeitura alegando que estava caindo. O prédio não caiu, não foi feito um projeto para reforma e não se conseguiu dinheiro para readequação. Agora, estou tendo que negociar um local para o paço municipal.
Contas
Estamos numa situação caótica. As contas públicas estão desequilibradas, temos fornecedores que estão há quase quatro meses sem pagamento. Estou tendo que ligar em cada um deles (fornecedores), para me apresentar, pedir desculpas e um voto de confiança. Então, o menor de meus problemas é o tempo. Meu problema é a situação econômica, administrativa e fiscal que a cidade foi deixada. Eu tenho dito que o cenário político-administrativo de Mirandópolis é catastrófico. Mirandópolis hoje é terra arrasada. Destruíram a cidade, destruíram as contas públicas e agora eu tenho a difícil missão de ajustar e equilibrar o que for possível.
Culpado?
Foi o presidente da Câmara (que ficou como prefeito interino) que gerou essa situação. Hoje o servidor está deslocado, está num local onde não tem condições de despachar. Hoje não tenho uma mesa para oficialmente fazer despachos, não tenho uma sala de reuniões para atender vereadores, empresários ou a própria população. Então me pareceu um desrespeito com os servidores e com a população, porque o local é inadequado, o prédio está defasado e com problemas estruturais. Isso me pareceu uma jogada política, um ato falho do prefeito interino que infelizmente jogou um problema nas costas da população, dos servidores e agora do meu mandato. O prédio (que abriga o Paço) não está condenado, não vai cair, mas juridicamente eu não posso retornar os servidores para lá sem fazer as adequações que são necessárias. Eu preciso readequar o prédio primeiro e não tem previsão de quando isso vai ocorrer, porque não temos dinheiro em caixa.
Horas extras
Nossa folha de pagamento leva quase 52% do orçamento (O orçamento de Mirandópolis para 2019 é de R$ 73 milhões e para 2020, R$ 80 milhões). Estou no limite prudencial. Eu tenho aqui uma planilha de horas extras. No mês de novembro vamos pagar R$ 78.624,14 de hora extra e esse é o menor valor do mandato interino. Em maio (o prefeito interino assumiu em 29 de maio), tinha sido pago R$ 52 mil. Me parece que houve um apadrinhamento político, porque no mês de junho, primeiro mês em que ele efetivamente toma conta, a folha de horas extras subiu para R$ 118 mil e, em agosto, R$ 146 mil. Ele só pisou no freio em outubro, porque sabia que estaríamos assumindo. Eu vou encaminhar essa situação para o Tribunal de Contas e à Justiça para averiguação, porque parece ilegal. Parece que foi feita uma campanha política com a máquina pública, para dar hora extra à vontade para uma série de servidores. Minha questão não é com o servidor, pelo contrário.
Contingenciamento
Estou decretando hoje (quarta-feira) um contingenciamento de gastos para conseguir garantir a dignidade do servidor, o salário dele em dia. Estamos no limite prudencial, temos fornecedores com pagamentos atrasados e se fez uma campanha absurda com a máquina pública na tentativa de se eleger e acabou que ele (prefeito interino) nem conseguiu a legenda. Posteriormente se deu sequência a uma campanha absurda na tentativa de inviabilizar o meu governo, de dificultar a minha administração. Esses são alguns dos absurdos que foram cometidos e que estão caindo agora no meu colo e que eu preciso dar uma resposta para o servidor e para a população.
Arrecadação
Não estamos atingindo. Inclusive precisou ser feita uma audiência para recolocação de recursos.
