Política

“O noroeste precisa de um prefeito conservador”, afirma Everton Sodario

Conhecido nacionalmente como “Bolsonaro caipira”, Sodario assumiu a Prefeitura de Mirandópolis no último dia 25

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
03/11/19 às 16h00
Everton Sodario é o primeiro prefeito eleito pelo PSL após a eleição do presidente Jair Bolsonaro (Foto: Divulgação)

Com 26 anos, o advogado Everton Luiz Fernandes Sodario Raimundo é o prefeito mais jovem já eleito em Mirandópolis (SP) É também o primeiro prefeito eleito pelo PSL após a eleição do presidente Jair Bolsonaro. 

A posse, em cerimônia simples, na sede da Câmara, ocorreu no último dia 25, e nos primeiros dias de trabalho começou a implantar algumas medidas para, segundo ele, equilibrar o que for possível na situação caótica na qual o município se encontra. “Hoje não tenho uma mesa para oficialmente fazer despachos”, exemplificou.

Para ele, que é seguidor fiel das ideias do presidente Bolsonaro, a região noroeste precisa de um prefeito que preserve as bases da sociedade, do conservadorismo e da família. Confira trechos da entrevista concedida ao Hojemais Araçatuba .


Carreira

Esse é o meu primeiro cargo eletivo. Fui candidato a deputado estadual em 2018 pelo PSL do presidente Jair Bolsonaro e tive 12.609 votos, fiquei como suplente. Em fevereiro deste ano assumi como secretário parlamentar do gabinete do deputado federal Coronel Tadeu. Atuei com ele de fevereiro a julho de 2019. Em agosto eu me exonerei para ser candidato a prefeito em Mirandópolis. Eu não nasci em Mirandópolis, mas moro aqui desde os 4 meses de idade.

Política

Penso que política tem que ser feita por vocação, por quem gosta e se interessa por política e não por conveniência ou conivência. Sou advogado, mas minha grande paixão sempre foi a política. Passei os três anos últimos anos em São Paulo, foi quando eu comecei no ativismo político. Eu ia pras ruas, fazia manifestações. Liderei várias manifestações especialmente na avenida Paulista pelo impeachment da ex-presidente Dilma. 

PSL

Em 2018, o presidente Bolsonaro e a equipe dele me convidaram para ser candidato pelo PSL. Até então eu estava no Patriotas. Fui para Brasília e fiz a filiação no mesmo dia que o presidente fez. 

Tempo de governo

Temos exatos 14 meses. Pretendo governar com responsabilidade, honestidade e caráter, dialogando com a população e equilibrando as contas públicas. Desta forma, mesmo que em pouco tempo, a gente consegue fazer uma boa gestão. O meu menor problema hoje é o tempo. Eu estou assumindo uma Prefeitura que não tem nem prédio, por exemplo. Estou despachando do Ginásio de Esportes, porque o ex-prefeito interino (Carlos Weverton Ortega Sanches -MDB) interditou o prédio da Prefeitura alegando que estava caindo. O prédio não caiu, não foi feito um projeto para reforma e não se conseguiu dinheiro para readequação.  Agora, estou tendo que negociar um local para o paço municipal. 

Contas

Estamos numa situação caótica. As contas públicas estão desequilibradas, temos fornecedores que estão há quase quatro meses sem pagamento. Estou tendo que ligar em cada um deles (fornecedores), para me apresentar, pedir desculpas e um voto de confiança. Então, o menor de meus problemas é o tempo. Meu problema é a situação econômica, administrativa e fiscal que a cidade foi deixada. Eu tenho dito que o cenário político-administrativo de Mirandópolis é catastrófico. Mirandópolis hoje é terra arrasada. Destruíram a cidade, destruíram as contas públicas e agora eu tenho a difícil missão de ajustar e equilibrar o que for possível.

Culpado?

Foi o presidente da Câmara (que ficou como prefeito interino) que gerou essa situação. Hoje o servidor está deslocado, está num local onde não tem condições de despachar. Hoje não tenho uma mesa para oficialmente fazer despachos, não tenho uma sala de reuniões para atender vereadores, empresários ou a própria população. Então me pareceu um desrespeito com os servidores e com a população, porque o local é inadequado, o prédio está defasado e com problemas estruturais. Isso me pareceu uma jogada política, um ato falho do prefeito interino que infelizmente jogou um problema nas costas da população, dos servidores e agora do meu mandato. O prédio (que abriga o Paço) não está condenado, não vai cair, mas juridicamente eu não posso retornar os servidores para lá sem fazer as adequações que são necessárias. Eu preciso readequar o prédio primeiro e não tem previsão de quando isso vai ocorrer, porque não temos dinheiro em caixa.

Horas extras

Nossa folha de pagamento leva quase 52% do orçamento (O orçamento de Mirandópolis para 2019 é de R$ 73 milhões e para 2020, R$ 80 milhões). Estou no limite prudencial.  Eu tenho aqui uma planilha de horas extras. No mês de novembro vamos pagar R$ 78.624,14 de hora extra e esse é o menor valor do mandato interino. Em maio (o prefeito interino assumiu em 29 de maio), tinha sido pago R$ 52 mil. Me parece que houve um apadrinhamento político, porque no mês de junho, primeiro mês em que ele efetivamente toma conta, a folha de horas extras subiu para R$ 118 mil e, em agosto, R$ 146 mil. Ele só pisou no freio em outubro, porque sabia que estaríamos assumindo. Eu vou encaminhar essa situação para o Tribunal de Contas e à Justiça para averiguação, porque parece ilegal. Parece que foi feita uma campanha política com a máquina pública, para dar hora extra à vontade para uma série de servidores. Minha questão não é com o servidor, pelo contrário. 

Contingenciamento 

Estou decretando hoje (quarta-feira) um contingenciamento de gastos para conseguir garantir a dignidade do servidor, o salário dele em dia. Estamos no limite prudencial, temos fornecedores com pagamentos atrasados e se fez uma campanha absurda com a máquina pública na tentativa de se eleger e acabou que ele (prefeito interino) nem conseguiu a legenda. Posteriormente se deu sequência a uma campanha absurda na tentativa de inviabilizar o meu governo, de dificultar a minha administração. Esses são alguns dos absurdos que foram cometidos e que estão caindo agora no meu colo e que eu preciso dar uma resposta para o servidor e para a população.

Arrecadação

Não estamos atingindo. Inclusive precisou ser feita uma audiência para recolocação de recursos.

Sodario e o vice Ademiro dos Santos, o Mirão do Sisem (Foto: Divulgação)

Equipe

Temos a equipe montada. Temos 17 departamentos, mais a chefia de gabinete e duas autarquias, o Saaem (Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Mirandópolis) e o Ipem (Instituto de Previdência Municipal de Mirandópolis). Então são 19 diretorias, em tese. Dessas 19, 18 estão subordinadas à escolha do prefeito, que já foram feitas. Ainda não temos secretarias, infelizmente ainda estamos bem retroagidos nessa situação administrativa. Estamos analisando a viabilidade e a conversão de departamentos em secretarias. 

Legislativo

Agora a partir do momento que tomamos posse a relação tem sido muito melhor do que na campanha ou antes dela. Nesta semana tive reuniões com quase metade dos nossos vereadores e pretendo convidá-los todos para uma reunião na próxima semana. Eu disse que a minha relação com o Legislativo precisa ser bem próxima. Não fiz trocas de cargos comissionados com o Legislativo, assim como não fiz com nenhum partido político, porém estou delineando uma nova forma de relação com a Câmara, que será na base do diálogo. Vamos ouvir o Legislativo e trabalhar ombro a ombro. 

Líder

Por hora, o governo não tem líder na Câmara.

Ex-prefeitos

Eu e o interino não temos a melhor das relações. Agora, tenho uma excelente relação com a ex-prefeita Regina (Mustafa, que foi cassada pelo TSE) que, inclusive, informalmente, me deu apoio nessa campanha, assim como tenho diálogo com outros ex-prefeitos, como Jorginho Maluly, Chicão Momesso e até José Antônio (vice de Regina). Mas não vou passar a mão nem na cabeça da minha equipe, nem de ex-prefeitos. Os desmandos, desvios de conduta ou qualquer suspeita que encontrarmos, vamos levar para o Ministério Público, Delegacia de Polícia e Tribunal de Contas.

Reeleição?

Internamente há um sonho da minha parte de seguir a carreira política e tenho interesse, sim, em seguir essa área. Até porque sou conservador, sou de direita, sou alinhado aos discursos e ideias do presidente Bolsonaro e para mim é um orgulho ser o primeiro prefeito eleito pelo PSL no Estado de São Paulo. Acho que a região noroeste precisa de um prefeito que conserve as bases da nossa sociedade, nosso conservadorismo, a família, enfim. Porém seria muito errôneo da minha parte eu neste governo pensar em reeleição. Eu tenho quase 11 meses para a eleição do ano que vem, então nesse período, vou focar em gestão, respeitando a população que me elegeu para esse mandato. Uma eventual reeleição vai ser consequência de um trabalho que eu fizer à frente da Prefeitura. 

NOTA:

Na sexta-feira (1º), de acordo com Sodario, foi fechado um acordo com o proprietário do prédio onde funcionou uma agência do Banco do Brasil na cidade, na esquina da praça central. O contrato de locação será assinado na segunda-feira (4). “Em respeito ao funcionalismo e à população, determinei também a conclusão do projeto de reforma e readequação do prédio do Paço Municipal e da rodoviária e já estou em busca de recursos do governo estadual e federal para fazer essas reformas para melhor atender nossos servidores e a população”, informou.

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