Política

"Os empréstimos geram investimentos na cidade e fazem a economia girar"

Prefeito de Birigui, Cristiano Salmeirão (PTB), defende financiamentos junto à Caixa e diz que a Prefeitura tem feito o que pode para ajudar empresários

Guilherme Leal - Hojemais Araçatuba
06/07/19 às 12h00
(Foto: Aline Galcino)

Há pouco mais de um ano e meio do fim do mandato, o prefeito de Birigui, Cristiano Salmeirão (PTB), defende a concessão parcial do sistema de Água em Birigui e faz um balanço do governo até agora. Para ele, o fato do município ter encarado a Previdência municipal (Biriguiprev) é exemplo de como a administração dele tem enfrentado problemas antigos.

Como está a questão do abastecimento de água?
A questão da água em Birigui há muito tempo já deveria ter sido resolvida. Em 2007, o Ministério das Cidades alertou que Birigui poderia sofrer uma pane seca. Quando eu assumi, a cidade estava numa crise de falta d’água no bairro Colinas que chegou a ficar até dez dias sem água. Por conta disso, fizemos uma interligação e hoje não ouvimos mais falar da falta d’água naquela região. Birigui sofre com uma falta de 4 milhões de litros de água todos os dias. Nós fizemos a proposta de uma concessão parcial, que não significa venda da água. Nós vamos fazer o que acontecia sempre na cidade. Aconteceu em 1994 e em 2004. Perfuraremos um poço e a empresa que fizer os investimentos necessários, nós vamos comprar a água dessa empresa.

O que a cidade ganha com isso? E os preços?

Depois de 15 anos, todo investimento feito pela empresa passará para o município. E não será apenas a perfuração do poço e a distribuição da água. Vamos interligar os poços, além de trabalhar com a setorização. Nós queremos que cada fonte de água seja distribuída em determinado setor pra que com isso nós possamos conseguir distribui-la de forma racional. A população não precisa temer aumento de preços, pois é a Prefeitura que ficará responsável pela tarifa. Porém, nós ainda vamos ter que resolver a questão dos tubos de amianto e da perda de água potável.

Birigui registrou queda na geração de empregos no mês de maio se comparado com o mesmo período do ano passado. O que a Prefeitura tem feito para mudar esse cenário?

De Bauru a Três Lagoas, a única cidade que criou um distrito industrial foi Birigui. Nós finalizamos o distrito e entregamos para os empresários. Também criamos leis de incentivos fiscais, entre outras medidas. Ou seja, em relação a empresas que permanecem na cidade ou as que querem investir aqui estamos fazendo a nossa parte. O maior problema do calçado hoje em Birigui é que nós não temos pedido. Não adianta ter imposto zero se não se tem pedido. Há ainda o problema do ICMS, que faz os empresários optarem por Três Lagoas (MS) que tem imposto menor. Agora o ICMS é imposto estadual, dependemos do governador João Doria (PSDB) e os tributos federais dependem do Bolsonaro. Para que haja uma modificação na estrutura tributária, para que o calçado se torne competitivo e venha a contratar mais é necessário uma mudança estadual e federal. Infelizmente se joga a culpa no prefeito de uma situação política e econômica que se vive o país.

O empréstimo de R$ 20 milhões aprovado pela Câmara era realmente a única forma de concluir as obras paradas do Centro do Professorado, UPA do Jandaia e Centro de Convenções?

A regra de ouro é: contrair empréstimo para investimentos e não para pagar dívida. Foi o que nós fizemos. Só no recape, vamos fazer obras de mais de 150 quilômetros até o ano que vem. Nós precisamos acabar essas obras. O Centro do Professorado recebeu mais de R$ 6 milhões e tem uma sucessão de erros. Há problemas como uma mina debaixo do prédio. A ideia é levar, além da Secretaria da Educação, a sede administrativa pra lá. Na UPA nós devolvemos R$ 1 milhão para o Ministério da Saúde e vamos fazer uma cozinha-piloto naquele prédio. Não tem como o município bancar o funcionamento de um equipamento de saúde sem ajuda da União e do Estado. Nós vamos, então, aumentar a capacidade do cemitério, demolindo prédios antigos. Com isso, daremos uma sobrevida de três a quatro anos (ao cemitério).

E o projeto de construção de um novo cemitério que nunca saiu do papel? 

Hoje aquele projeto custaria mais de R$ 3 milhões. No futuro iremos conseguir um dinheiro a fundo perdido para investir (num novo cemitério).

Quais os efeitos desses empréstimos?

Geram contratações. Essas pessoas (contratadas) vão ter salários, o comerciante vai fazer pedidos e as indústrias vão fornecer os produtos e voltar a empregar. É um círculo que acaba girando e se fechando na própria comunidade. Quem acha que Prefeitura dá lucro, esquece. Prefeitura é pra satisfazer os direitos fundamentais do homem: habitação, saúde, educação, saúde, transporte, etc.

Tem muito vereador que fala que o senhor quebrou Birigui.

Quando assumi, a Prefeitura tinha um déficit técnico do Biriguiprev de R$ 478 milhões. Em 2018, passou pra R$ 508 milhões. Em dois anos nós conseguimos resolver o problema da Previdência (do município). Enquanto o Brasil discute a Previdência, Birigui já superou isso. Em 2019 conseguimos um superávit de R$ 6 milhões. Birigui não está quebrada. Se estivesse, não teria conseguido empréstimo com a Caixa. A Prefeitura fez o que a dona de casa faz quando não tem dinheiro e quer trocar de carro: pegou dinheiro pra investir. Os outros prefeitos também contraíram empréstimos e eu estou pagando hoje as parcelas.

Como é a sua relação com o Legislativo?

Dentro da normalidade. Os vereadores são livres para votar da maneira que quiserem; eles são independentes. Claro que existem vereadores que não querem ver o progresso da cidade acreditando que o prefeito vai se valorizar com relação às obras que melhoram a vida da cidade e acabam atravancando algum projeto. Mas é graças a aprovação da Câmara que eu tenho conseguido desenvolver Birigui.

O senhor pretende tentar um novo mandato?

Só Deus sabe. A questão política u deixo pro ano que vem. Eu, neste momento, quero é melhorar a vida das pessoas.

Como o senhor define o seu mandato?

Minha marca é ser o prefeito que melhorou a vida das pessoas da cidade de Birigui.

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