As redes sociais devem mais uma vez influenciar o jogo eleitoral. Essa é a avaliação feita pela jornalista especializada em comunicação pública Cintia Cury, que esteve em Araçatuba recentemente durante seminário sobre eleições realizado pela Marco Iten Marketing.
Cintia acredita que os postulantes a cargos públicos precisam entender a relevância das redes sociais. O trabalho nessas plataformas, segundo ela, deve ser planejado com antecedência. É necessária identificação de qual público ou públicos estarão no foco da eleição.
Após isso, o candidato precisa escolher em qual rede social ele irá concentrar esforços. “Na última eleição pra presidente as pessoas perceberam que ou se tem relevância nas redes sociais ou a sua campanha fica muito mais difícil,” explica.
Na pele
Um exemplo de como as redes de relacionamento não podem ser subestimadas, é o caso do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), então candidato ao Palácio do Planalto. O tucano tinha a maior coligação partidária, o que deu a ele o maior tempo de TV. Alckmin dizia que “eleição se vence com tempo de TV e não na internet”. Mesmo com o maior tempo na propaganda eleitoral ele acabou em quarto lugar na campanha que teve Jair Bolsonaro (PSL) como eleito.
“O caso do Geraldo Alckmin foi o que mais deixou claro o perigo que é não ter planejamento de redes sociais. Esse patrimônio não dá pra ser construído de última hora. Se ficar pra trás nas redes sociais também existe uma probabilidade muito grande de ficar pra trás na urna, que foi o que aconteceu com o Alckmin,” completa.
Para a especialista, um futuro candidato deve entender de que maneira pode interagir com o eleitor, construindo esquemas para que a campanha consiga atingir o objetivo e, principalmente, se comunicar de forma clara e objetiva. “Se o candidato entende que o público dele está no Instagram ele precisa ter engajamento rápido nessa plataforma. É postar e já ter a resposta”, afirma.
Outro aspecto a ser observado é como manter esse engajamento até o dia da eleição. Tomando ainda como exemplo a última eleição presidencial, a candidata pela Rede Sustentabilidade Marina Silva, tinha força nas redes sociais, mas, segundo especialistas, não conseguiu converter os ‘likes’ em votos e acabou a corrida eleitoral em oitavo lugar, com 1% dos votos válidos e atrás de candidatos menos conhecidos como Henrique Meireles (MDB) e Cabo Daciolo (Patriota).
Bolsonaro
Para Cintia, a visão de que a campanha do presidente Bolsonaro foi amadora e comandado pelo filho e vereador Carlos Bolsonaro (PSL) é equivocada. Para ela, ele leva muito a sério a questão do planejamento e da organização nas redes sociais.
“O problema é que o presidente continua trabalhando as redes no nicho dele. Ele já pegou um país polarizado e ele precisa agora alcançar não exatamente o público contrário, mas o eleitor que votou nele por não deixar o oponente vencer ou até mesmo os indecisos. Ele não está sabendo incluir pessoas e isso na minha visão é uma falha.”
Cintia acredita ainda que Bolsonaro perde a oportunidade de falar com todos os grupos por meio da internet. “Ele não entendeu que não é o presidente apenas de um grupo.”
Carreira
Cintia já atuou na Secretaria de Comunicação do governo de São Paulo, durante os governos Covas, Alckmin, Lembo e Serra. Também trabalhou na agência de notícias da Folha de São Paulo e em publicações dirigidas para os públicos adolescente, juvenil e idoso. É autora do livro Assessoria de Imprensa para Prefeituras, Órgãos Públicos e Mandatos (Executivo e Legislativo).