Política

Vereador denuncia suposto esquema de falsificação de atestados médicos

O problema já teria sido levado à Polícia Civil de Birigui, por meio de boletim de ocorrência, no ano passado

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
07/03/19 às 18h16
Atestado médico falso (à esq.) e um modelo verdadeiro (à dir.), onde aparece o número de registro (Foto: Aline Galcino)

Um suposto esquema de falsificação de atestados médicos envolvendo a rede municipal de saúde de Birigui (SP) e familiares de vereador foi denunciado na noite de quarta-feira (6), durante a sessão da Câmara. O problema já teria sido levado à Polícia Civil, por meio de boletim de ocorrência registrado em abril do ano passado, porém a falsificação continuou a ocorrer, com novos atestados emitidos recentemente.

“Quem quiser comprar atestado falso é só ir ao pronto-socorro e na Santa Casa que tem pra vender”, disse o vereador José Fermino Grosso (DEM), ao usar a tribuna durante o Tema Livre. Um atestado para quatro dias de afastamento, por exemplo, seria negociado a R$ 100, conforme apurou o Hojemais Araçatuba .

O médico que aparece nos atestados também é vítima, segundo Fermino, bem como empresários que teriam recebido o documento falso e ficado sem o trabalhador na empresa por um ou mais dias.

Assim que fez a declaração, o vereador Benedito Dafé Gonçalves Filho (PV) pediu que a sessão fosse suspensa para consulta ao jurídico sobre quais providências poderiam ser tomadas em relação ao caso.

Vídeo

No final da manhã de hoje, Fermino divulgou um vídeo em seu Facebook mostrando cópias de um atestado falso ao lado de um verdadeiro. No vídeo, ele orientava empresários da cidade a prestar atenção nos documentos. O original, segundo ele, possui um número e está em nome da Prefeitura de Birigui. O falso traz um logo do SUS (Sistema Único de Saúde) e não tem esse número de registro.

Vereador mostra a diferença entre os atestados falso e verdadeiro (Foto: Aline Galcino)

Ocorrências

A reportagem teve acesso aos boletins de ocorrência, registrados pelo médico cujo nome aparece nos carimbos dos atestados.

No primeiro, datado de 27 de abril de 2018, ele relatou que foi procurado por um funcionário de uma empresa de Birigui, que pedia informações sobre atestados emitidos pelo médico a outro funcionário da mesma empresa.

Os atestados, segundo o primeiro funcionário, eram constantes. O médico viu os documentos e constatou que os mesmos eram falsificados, por isso procurou a polícia.

A segunda ocorrência foi feita na semana passada, em 26 de fevereiro. O mesmo médico procurou a polícia após ter sido procurado por um empresário que recebeu um atestado supostamente assinado ele.

Diferente

Conforme relatado na ocorrência, o empresário suspeitou da veracidade do documento por ser diferente dos modelos que normalmente recebe de funcionários. Ele (empresário) foi até o consultório do médico e a secretária, ao ver o documento, disse que não era a letra do doutor.

O empresário foi até o pronto-socorro municipal, onde o médico atua, e recebeu a informação de que o atestado não era de lá também, mas que poderia ser do Centro Médico de Especialidades.

No Centro Médico, uma funcionária disse ao empresário que o atestado era de lá. O empresário pediu que ela encontrasse o registro do atendimento médico feito no local, o que não foi possível.

O médico conta no BO que viu o documento por foto, porém não reconhece a assinatura e nem o atendimento feito ao suposto paciente, por isso procurou novamente a polícia.

A reportagem apurou ainda que a funcionária do Centro Médico, que aparentemente saberia do esquema, seria parente de um vereador de Birigui

Outro lado

Procurada, a Secretaria de Saúde de Birigui e a OSS (Organização Social de Saúde) Santa Casa de Birigui, responsável pela gestão do pronto-socorro municipal desde o dia 1º de fevereiro, informaram que ainda não receberam denúncia formal e que aguarda a mesma para tomar as devidas providências.

Formalização

O presidente da Câmara de Birigui, Felipe Barone Brito (PPS), informou que o vereador Fermino utilizou o direito dele de falar na tribuna, porém não fez denúncia formal na sessão sobre o caso. “A denúncia precisa ser feita via requerimento e serão tomadas as atitudes cabíveis”, explicou Barone.

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