Ana Paula e seus filhos, Arthur e Luisa. (Foto: Arquivo Pessoal)
Neste mês, é celebrado o
Março Amarelo
, uma campanha de conscientização sobre a endometriose, uma doença inflamatória que afeta o útero. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a endometriose afeta cerca de 176 milhões de mulheres em todo o mundo, sendo mais de 7 milhões somente no Brasil.
Para a três-lagoense
Ana Paula Araujo Aguiar,
o diagnóstico não foi simples. Ela descobriu a doença em 2010, aos 26 anos, durante uma consulta de rotina. No entanto, pelos sintomas que enfrentava, acredita que convive com a endometriose desde a primeira menstruação.
“Eu tratava uma Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), mas as dores eram intensas e acabei trocando de especialista. Quando recebi o diagnóstico, perdi o chão, e não foi nem pela doença em si, mas por ouvir do médico a dificuldade que seria em me tornar mãe”, relembra.
Na época, a endometriose ainda era pouco discutida, o que dificultou a busca por informações.
“Me recordo que existia um blog chamado Endomulher e ali me encontrei. Comecei a ler relatos de mulheres com dores semelhantes às minhas e percebi que não estava sozinha. Até então, as pessoas ao meu redor acreditavam que eu exagerava, pois cólica era vista como algo normal”, conta.
Os impactos da Endometriose
O diagnóstico trouxe receios, mas também um certo alívio. Entre os principais sintomas, Ana Paula sentia fadiga extrema, além de cólicas incapacitantes.
“A dor não era apenas uma cólica, mas uma dor pélvica intensa que se estendia para o abdômen, costas e quadril. Descobri focos da doença no útero, abdômen, bexiga e intestino, sendo classificada como grau 6, o mais severo”, explica.
Com o tempo, as dores se tornaram insuportáveis, e nenhum medicamento fazia efeito prolongado, nem mesmo morfina. Na época, Ana recorda que não havia muitas informações sobre a endometriose. Os blogs e comunidades online foram essenciais para entender melhor a condição.
Mesmo enfrentando a infertilidade, a jornalista por formação conseguiu engravidar de sua primeira filha, Luisa, hoje com 13 anos. Durante a gestação, suas dores desapareceram completamente. No entanto, anos depois, os sintomas retornaram com intensidade.
“Quando Luisa tinha 4 anos, a dor voltou insuportável. Tentei engravidar novamente, acreditando que a gestação aliviaria a dor, mas não conseguia. Quando finalmente engravidei do meu segundo filho, Arthur, a doença não adormeceu como antes, e no mês seguinte ao parto, as dores pioraram”, conta.
Foi então que seu médico sugeriu o uso do DIU Mirena como tentativa de desacelerar a progressão da doença. Para Ana Paula, o método funcionou.
“O DIU me permitiu ter qualidade de vida. Hoje, não sinto dores nem fadiga extrema. Sei que nem todas as mulheres têm o mesmo resultado, mas, para mim, foi um alívio”, diz.
Para Ana Paula, o que mais a surpreendeu foi ter conseguido se tornar mãe, contrariando as expectativas médicas.
“Meu sonho era ser mãe, mas me diziam que era impossível. Busquei força na minha fé e pedi a Deus um filho. Assim, engravidei da Luisa. Depois, quando já estava me preparando para uma cirurgia, engravidei do Arthur. Para mim, foi um verdadeiro milagre”, compartilha.
Ana Paula reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico adequado.
"Procurem ajuda médica, nenhuma dor no nosso corpo pode ser entendida como algo normal, cólica é cólica quando ela é leve e com um remédio a dor passa. Mas quando se passa disso não espere o tempo passar pra quem sabe a dor melhorar. Hoje existem muitos tratamentos, o diagnóstico não é mais tardio", conclui.