(Foto: Reprodução/Magnific)
Agosto é marcado pelo Agosto Dourado, campanha dedicada à conscientização sobre a importância do
aleitamento materno
para a saúde da mãe e do bebê. Inspirada no conceito da
Hora Dourada,
que corresponde à primeira hora de vida do recém-nascido, a iniciativa destaca a importância do contato pele a pele logo após o nascimento e do início precoce da amamentação, sempre que as condições clínicas permitirem.
Na saúde suplementar, essas práticas fazem parte das estratégias de qualificação da atenção materna e neonatal da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), incluindo ações relacionadas ao Movimento Parto Adequado e à Certificação em Boas Práticas na Atenção Materna e Neonatal.
Para falar sobre os benefícios do leite materno, as principais dificuldades encontradas pelas mães e a importância do acolhimento durante a amamentação, o Hojemais Três Lagoas conversou com
Aline Gonçalez da Silva,
doula e educadora perinatal pela
Florescer com Amor.
Qual é a importância do leite materno para o bebê nos primeiros meses de vida?
O leite materno é muito mais do que alimento: ele
representa proteção, vínculo e cuidado.
Nos primeiros meses, oferece nutrientes essenciais para o crescimento e desenvolvimento do bebê, além de anticorpos e outros componentes que ajudam a fortalecer o sistema imunológico e a protegê-lo contra diversas infecções.
O leite também se adapta às necessidades do bebê ao longo do tempo, acompanhando as diferentes fases de desenvolvimento. A amamentação vai muito além da nutrição: o colo, o contato pele a pele, o cheiro, o olhar e a presença da mãe ajudam o bebê a se sentir seguro e favorecem a construção do vínculo.
"Como doula, também considero fundamental lembrar que amamentar deve ser acompanhado de acolhimento e informação, e nunca de culpa. Cada mãe tem uma história, uma realidade e uma experiência diferente.", afirma Aline.
No Agosto Dourado, é preciso falar não apenas sobre os benefícios do leite materno, mas também sobre a importância de cuidar de quem amamenta. "Uma mãe amparada, informada e acolhida tem muito mais condições de vivenciar a amamentação de forma positiva", agrega a doula.
Como a doula pode ajudar durante a amamentação?
A doula pode oferecer acolhimento, escuta, informação e apoio prático durante o pré-natal e o pós-parto. Ela pode auxiliar a mãe a encontrar posições mais confortáveis, favorecer o contato pele a pele, observar sinais de que o bebê está buscando o peito e orientar sobre informações básicas relacionadas à amamentação.
No entanto, a doula
não substitui
profissionais de saúde especializados.
A profissional não deve diagnosticar problemas, prescrever medicamentos, indicar tratamentos ou realizar procedimentos que sejam atribuições de outros profissionais.
Quando identifica uma dificuldade que ultrapassa sua atuação, a doula pode orientar a mulher a buscar o profissional adequado, como consultora de amamentação, fonoaudióloga, pediatra ou outro especialista, conforme a necessidade.
“O papel da doula tem limites. Nosso compromisso é acolher, orientar dentro dos nossos limites e reconhecer o momento de pedir ajuda especializada”, explica Aline.
Aline Gonçalez da Silva, doula e educadora perinatal.
Qual é a importância da rede de apoio?
O apoio do companheiro, da família e das pessoas próximas é
fundamental
para que a mulher consiga vivenciar a amamentação com mais segurança e tranquilidade.
Esse suporte não significa apenas incentivar a mãe a amamentar. Muitas vezes, significa preparar uma refeição, cuidar da casa, ajudar com outros filhos, oferecer água, permitir que a mãe descanse e respeitar suas escolhas e seu tempo.
Também é importante evitar comentários que possam gerar
insegurança,
como “seu leite é fraco” ou “esse bebê está mamando demais”.
A mãe precisa de informação segura e de pessoas que transmitam confiança, em vez de pressão.
“Ninguém amamenta sozinha. Existe um bebê mamando, mas existe também uma mulher que precisa ser cuidada, alimentada, acolhida e emocionalmente amparada”, afirma a doula.
A amamentação é uma
experiência diferente
para cada mulher e cada bebê, e nem sempre acontece da maneira planejada.
Para as mães que desejam amamentar, a orientação é buscar ajuda e informação, sem enfrentar dor, insegurança ou dificuldades sozinhas.
Ao mesmo tempo, Aline reforça que o valor de uma mãe
não está
na forma como o bebê é alimentado ou no tempo em que conseguiu amamentar.
“O seu bebê precisa de alimento, mas também precisa do seu colo, do seu olhar, do seu cuidado, da sua presença e do amor que você oferece todos os dias”, destaca.
Para ela, é necessário substituir a culpa pelo acolhimento e, em vez de perguntar por que uma mãe não conseguiu amamentar, oferecer apoio e perguntar como é possível ajudá-la.
“Que nenhuma mãe se sinta sozinha ou culpada em sua caminhada. Amamentar é um processo, e cada história merece ser acolhida com respeito, amor e sem julgamentos.”
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