O bolso do consumidor brasileiro sentiu um alívio em agosto. O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial , registrou queda de 0,40% no mês , segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em julho, o indicador havia apresentado alta de 0,06%.
Apesar da deflação em agosto, o índice acumula 3,09% de alta em 2026 . No período de 12 meses encerrado em agosto, a variação chega a 4,24% , abaixo dos 4,52% registrados nos 12 meses anteriores. Em agosto de 2025, o IPCA-15 havia recuado 0,14%.
A queda mensal foi concentrada principalmente em três áreas: Habitação, Transportes e Alimentação e bebidas . Juntos, esses grupos exerceram forte influência sobre o resultado negativo do indicador.
Conta de luz pesa menos no orçamento
Entre os principais fatores que ajudaram a reduzir o IPCA-15 está a energia elétrica residencial , que ficou 6,25% mais barata em agosto.
O resultado está relacionado ao Bônus de Itaipu , incorporado às faturas emitidas durante o mês. O benefício provocou impacto de -0,26 ponto percentual no índice geral e foi o principal fator individual de queda.
Mesmo com a redução, a bandeira tarifária amarela permaneceu vigente em agosto, acrescentando R$ 1,885 à conta de energia a cada 100 Kwh consumidos.
O cálculo do índice também considerou reajustes de tarifas de energia em diferentes capitais. Em Curitiba, houve aumento de 19,55%, vigente desde 24 de junho. Em uma das concessionárias de Porto Alegre, o reajuste foi de 14,89%, aplicado desde 19 de junho. Já em uma das concessionárias de São Paulo, o aumento foi de 8,85%, válido desde 4 de julho.
No grupo Habitação, que recuou 1,41% , também foram considerados aumentos nos serviços de água, esgoto e gás encanado.
A tarifa de água e esgoto subiu 0,34%, com reajustes de 5,77% em Porto Alegre e de 3,55% em Salvador. No gás encanado , a alta foi de 0,81%, influenciada pelos reajustes aplicados em Curitiba e no Rio de Janeiro.
Passagens aéreas e combustíveis ficam mais baratos
Outro destaque do IPCA-15 de agosto veio do setor de Transportes , que passou de alta de 0,11% em julho para queda de 1,00%.
As passagens aéreas tiveram redução de 13,30%, enquanto os combustíveis recuaram 1,43%.
Entre os produtos pesquisados, o etanol apresentou a maior queda, de 3,63%. A gasolina ficou 1,23% mais barata e o óleo diesel recuou 0,71%. O gás veicular foi na direção contrária e subiu 1,42%.
As tarifas de táxi tiveram alta de 0,20%, influenciada por um reajuste de 8,42% aplicado em Belo Horizonte a partir de 8 de agosto.
Tomate, batata e cenoura estão entre os alimentos que mais caíram
Os preços dos alimentos também contribuíram para a deflação. O grupo Alimentação e bebidas registrou queda de 0,57% em agosto, enquanto os produtos consumidos dentro de casa ficaram, em média, 0,97% mais baratos.
O movimento foi puxado principalmente pelo tomate , que caiu 27,38%, pela batata-inglesa , com redução de 25,14%, e pela cenoura , que recuou 17,05%.
O café moído também apresentou queda, de 2,31%.
Nem todos os alimentos, porém, ficaram mais baratos. O preço do leite longa vida aumentou 3,41%, enquanto as frutas tiveram alta de 3,11%.
Fora de casa, a alimentação desacelerou. O índice passou de 0,55% em julho para 0,42% em agosto. O lanche subiu 0,75%, enquanto a refeição teve alta de 0,25%.
Cigarro e educação registram aumento
Na outra ponta, alguns gastos ficaram mais caros. O grupo Despesas pessoais teve alta de 0,66%, principalmente devido ao reajuste de 5,56% no preço do cigarro , aplicado a partir de 1º de agosto.
A Educação também registrou aumento, de 0,46%. Os cursos regulares subiram 0,52%, com altas de 0,58% no ensino fundamental e de 0,49% no ensino superior.
Nos cursos diversos, a alta foi de 0,36%, influenciada principalmente pelos cursos de idiomas, que aumentaram 0,92%.
Planos de saúde e higiene pessoal sobem
O grupo Saúde e cuidados pessoais teve alta de 0,40% em agosto.
Os artigos de higiene pessoal ficaram 0,47% mais caros. Já os planos de saúde registraram alta de 0,42%, refletindo a incorporação dos reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Para os contratos firmados após a Lei nº 9.656/98, o reajuste autorizado chega a 5,11%, com vigência desde maio de 2026 e ciclo até abril de 2027.
Nos contratos anteriores à Lei nº 9.656/98, foram autorizados percentuais de 5,52% e 6,20%, dependendo do plano.
Todas as regiões pesquisadas tiveram deflação
O resultado negativo não ficou restrito a uma única região. As 11 áreas pesquisadas pelo IBGE registraram queda no IPCA-15 em agosto .
Curitiba apresentou a maior retração, de 0,82% , influenciada principalmente pelas quedas das passagens aéreas, de 15,34%, e da energia elétrica residencial, de 4,83%.
Em São Paulo, a queda foi mais moderada, de 0,06% . O resultado foi pressionado pelas altas de 4,66% no leite longa vida e de 2,97% no conserto de automóvel.
| Região | Agosto (%) | Acumulado no ano (%) | Acumulado em 12 meses (%) |
|---|---|---|---|
| Curitiba | -0,82 | 1,91 | 2,68 |
| Belém | -0,74 | 3,05 | 3,88 |
| Salvador | -0,71 | 2,99 | 3,74 |
| Porto Alegre | -0,62 | 3,05 | 4,53 |
| Belo Horizonte | -0,55 | 2,77 | 3,27 |
| Recife | -0,51 | 3,71 | 4,82 |
| Rio de Janeiro | -0,51 | 3,54 | 4,36 |
| Goiânia | -0,42 | 3,32 | 5,39 |
| Fortaleza | -0,37 | 3,72 | 4,75 |
| Brasília | -0,25 | 3,02 | 4,33 |
| São Paulo | -0,06 | 3,21 | 4,64 |
| Brasil | -0,40 | 3,09 | 4,24 |
Período considerado pelo IBGE
Para chegar ao resultado de agosto, o IBGE pesquisou os preços praticados entre 16 de julho e 14 de agosto de 2026 . Esses valores foram comparados com os preços registrados de 17 de junho a 15 de julho.
O IPCA-15 acompanha os gastos de famílias com renda de 1 a 40 salários-mínimos . A pesquisa contempla as regiões metropolitanas de Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.
A metodologia é a mesma utilizada no IPCA. A principal diferença está no período em que os preços são coletados e na área geográfica considerada.
