Nesta terça-feira (25) é comemorado o Dia do Feirante. A data, que homenageia a realização da primeira feira livre oficial do país, ocorrida em 1914 na cidade de São Paulo, celebra os profissionais que acordam antes do sol nascer para oferecer produtos frescos à população. Em Três Lagoas, a data ganha contornos de alegria e superação, especialmente após a inauguração da nova Feira Central, em dezembro de 2021, que transformou a rotina dos comerciantes e se consolidou como um ponto turístico e de segurança alimentar.
O antigo sonho da classe, que antes sofria com a imprevisibilidade do clima nas ruas, hoje é uma realidade estruturada em 5.550 metros quadrados de área, sob a administração da Prefeitura de Três Lagoas, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (SEDECT).
O local concentra não apenas números expressivos, mas, principalmente, histórias de vida e tradição. É o caso de Lucas Bittencourt Monteiro, de 29 anos, que atua no ramo de hortifrúti há 17 anos. Ele herdou a vocação do pai e já vê o futuro da profissão nos olhos da filha mais velha.
“Comecei desde os meus 11 para 12 anos. A feira ajudou na melhora de vida, criando minhas duas filhas, trocando de veículo, adquirindo outra condução para o trabalho. É só gratidão”, relata Lucas. Ele ressalta que, apesar da concorrência diária com os supermercados, a clientela permanece fiel. “A mercadoria sendo boa, os clientes sempre vêm comprar com a gente. O que mais sai aqui é abacaxi, verdura e morango, e no calor a venda aumenta”.
DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO
A tradição familiar também é o tempero principal da banca de Angelina Conceição Lima Sejópolis, de 65 anos. A cozinheira, que hoje atrai o público com seu baião de dois, escondidinho e batata recheada, aprendeu o ofício ainda criança, observando o pai que vendia embutidos.
Com 17 anos de dedicação às feiras (sendo 13 deles trabalhando nas ruas e quatro no novo espaço), ela conta com o auxílio dos cinco filhos, quatro homens e uma mulher, para manter o negócio. “Todo mundo fala assim: ‘a banca da dona Angelina é só família’. E é verdade, meus meninos me incentivam e me ajudam muito. Só de eles estarem aqui comigo, é uma maravilha”, conta orgulhosa.
Angelina lembra que a mudança para o espaço coberto trouxe dignidade e evitou desperdícios. “Já pensei em desistir, porque peguei muito na rua. Na rua era temporal, era desmontar barraca, era produto perdendo. Agora está bem melhor, eu chego toda arrumada, é só entrar e fazer. É outra vida. Estou dando conta, vivendo, viajo quando tenho vontade, e tenho meu carrinho que comprei na feira e não troco. Estou feliz”, disse a feirante.
Lucas Bittencourt Monteiro, de 29 anos, que atua no ramo de hortifrúti há 17 anos (Patricia Acunha)
CLIMATIZAÇÃO
Para garantir ainda mais qualidade no ambiente de trabalho de Lucas, Angelina e das centenas de pessoas que frequentam o local, a Prefeitura anunciou, em abril deste ano, a abertura de licitação para a implantação de um sistema de climatização no prédio.
A expectativa é reduzir significativamente a temperatura interna da Feira Central Turística. “A parceria com a prefeitura deu certo, eles logo estão climatizando aqui. O que resta para nós é só isso”, avalia Lucas. Dona Angelina também comemora o avanço no conforto térmico: “Vai ficar uma feira mais à vontade, mais gostosa, porque é muito quente. Nós estamos felizes aqui”.