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Julho Âmbar reforça acolhimento ao luto parental

Campanha em Mato Grosso do Sul promove conscientização, apoio psicológico e acolhimento às famílias que perderam filhos

Thais Constantino  - Hojemais Três Lagoas 
06/07/26 às 15h49
Foto: Reprodução (ALEMS)

O Julho Âmbar reforça, em Mato Grosso do Sul , a importância da conscientização sobre o luto parental , incentivando o acolhimento, a informação e a criação de políticas públicas voltadas às famílias que perderam filhos. A campanha busca dar visibilidade a uma dor que ainda é pouco compreendida pela sociedade.

A jornalista e advogada Ana Maria Assis de Oliveira , que sofreu um aborto com nove semanas de gestação em 2019, relata a intensidade desse momento.

"Abre-se um buraco dentro da gente, um vazio. Pensamos em não falar sobre isso, afinal, pode parecer que somos amaldiçoadas, incapazes, não 'seguramos o nosso filho'. Cada mulher vive de uma forma diferente o luto, a perda. Mas se existem dor e delícia em ser mulher, o aborto com certeza faz parte da dor."

Hoje mãe de um menino de 3 anos, Ana afirma que a perda do primeiro bebê mudou sua forma de enxergar a maternidade.

"Repassamos na memória cada detalhe tentando encontrar uma explicação. Na maior parte das vezes, não existe motivo. Filhos simplesmente vão embora. E nós seguimos vivendo com esse sonho adormecido dentro da gente."

Campanha integra calendário oficial

O Julho Âmbar passou a integrar o Calendário Oficial de Mato Grosso do Sul em 2023, por meio da Lei Estadual nº 6.147 , de autoria do deputado estadual Lucas de Lima .

A iniciativa prevê campanhas de conscientização, orientação às famílias e capacitação de profissionais da saúde e da educação para lidar com o luto de forma mais sensível.

Segundo o parlamentar, o objetivo é reconhecer um sofrimento que muitas vezes permanece invisível e ampliar a rede de apoio às famílias.

Dados reforçam a importância do acolhimento

Segundo o Painel Mais Saúde , em 2026, Mato Grosso do Sul registra taxa de 10,81 óbitos infantis por mil nascidos vivos . Até julho, foram contabilizados 16.558 nascimentos e 179 mortes de crianças . As principais causas foram septicemia neonatal, complicações relacionadas à prematuridade e baixo peso ao nascer, além de malformações congênitas do coração.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que, em 2023, o Estado registrou taxa de 13,55 óbitos por mil nascidos vivos , acima da média nacional de 12,5 .

Grupo oferece apoio às famílias

A Associação de Apoio às Crianças com Câncer mantém o grupo Transformando a Dor , voltado ao acolhimento de familiares que perderam crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer.

De acordo com a psicóloga Rozenilda Barbosa , muitas famílias sentem falta de espaços para compartilhar a saudade após os primeiros meses da perda.

Os encontros acontecem principalmente de forma online, além da oferta de atendimento psicológico individual. Para a presidente da instituição, Mirian Comparin Corrêa , o cuidado precisa continuar mesmo após o falecimento.

"Quando uma família enfrenta a perda, ela continua precisando de acolhimento. Porque ninguém deveria atravessar essa dor sozinho."

 

Desde 1998 , a AACC/MS acompanha crianças, adolescentes e familiares em Mato Grosso do Sul. Somente em 2025 , realizou 17.910 atendimentos multiprofissionais , assistiu 323 pacientes , registrou 6.346 hospedagens , serviu 31.676 refeições , contabilizou 677 internações e distribuiu 1.338 cestas básicas e sociais .

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