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Ministério da Saúde decide não incorporar vacina contra herpes-zóster ao SUS

A vacina recombinante adjuvada contra o herpes-zóster é indicada para idosos com 80 anos ou mais e para pessoas imunocomprometidas a partir dos 18 anos.

Da Redação
14/01/26 às 10h02
(Foto: Reprodução)

O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina para a prevenção do herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta semana.

De acordo com relatório divulgado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), a vacina foi considerada de alto custo diante do impacto orçamentário que poderia gerar para o SUS, mesmo reconhecendo sua importância na prevenção da doença.

A vacina recombinante adjuvada contra o herpes-zóster é indicada para idosos com 80 anos ou mais e para pessoas imunocomprometidas a partir dos 18 anos. No entanto, segundo a Conitec, os valores atuais inviabilizam sua incorporação em larga escala na rede pública.

“O Comitê de Medicamentos reconheceu a importância da vacina para a prevenção do herpes-zóster, mas destacou que considerações adicionais sobre a oferta de preço precisam ser negociadas, de modo a alcançar um valor com impacto orçamentário sustentável para o SUS”, aponta o relatório.

O documento também detalha a estimativa de custos. A vacinação de cerca de 1,5 milhão de pessoas por ano geraria um gasto aproximado de R$ 1,2 bilhão anuais. No quinto ano, a imunização dos 471 mil pacientes restantes custaria cerca de R$ 380 milhões. Ao final de cinco anos, o investimento total chegaria a R$ 5,2 bilhões, motivo pelo qual a vacina foi considerada não custo-efetiva para o sistema público.

Apesar da decisão, o Ministério da Saúde informou que o tema poderá ser reavaliado futuramente pela Conitec, caso sejam apresentados novos dados ou propostas que alterem o resultado da análise.

O que é o herpes-zóster

O herpes-zóster é causado pelo vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece adormecido no organismo e pode ser reativado ao longo da vida, especialmente em pessoas idosas ou com baixa imunidade.

Os primeiros sintomas incluem queimação, coceira, sensibilidade na pele, febre baixa e cansaço. Em seguida, surgem manchas vermelhas que evoluem para pequenas bolhas com líquido, geralmente localizadas em apenas um lado do corpo e seguindo o trajeto de um nervo. As áreas mais afetadas costumam ser tronco, rosto, lombar e pescoço, e o quadro dura, em média, de duas a três semanas.

Embora muitos casos evoluam sem complicações, a doença pode causar problemas mais graves, como sequelas neurológicas, lesões na pele, comprometimento dos olhos e dos ouvidos.

Tratamento oferecido pelo SUS

Nos casos leves, o SUS disponibiliza tratamento sintomático, com medicamentos para alívio da dor, febre e coceira, além de orientações sobre higiene e cuidados com a pele. Em situações de maior risco, como em idosos, imunocomprometidos ou pacientes com formas graves da doença, é indicado o uso do antiviral aciclovir.

Dados do SUS apontam que, entre 2008 e 2024, foram registrados 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações por herpes-zóster no Brasil. Já entre 2007 e 2023, o país contabilizou 1.567 mortes relacionadas à doença, o que representa uma taxa de 0,05 óbitos por 100 mil habitantes. Cerca de 90% das mortes ocorreram em pessoas com 50 anos ou mais, sendo mais da metade em idosos acima de 80 anos.

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