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MS registra mais de 6,4 mil procedimentos por estupro de vulnerável em 2026

Dados do Ministério Público apontam média superior a 600 registros por mês; órgão alerta para a importância da denúncia e da proteção de crianças e adolescentes

Da Redação
01/11/26 às 14h58
(Foto: Reprodução)

Mato Grosso do Sul contabilizou 6.461 procedimentos instaurados para apurar casos de estupro de vulnerável entre janeiro e outubro de 2026. Os dados são do Sistema SAJ, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), e representam uma média de aproximadamente 646 registros por mês, ou cerca de 21 por dia.

O levantamento foi divulgado pelo MPMS em meio às ações de conscientização sobre a proteção de crianças e adolescentes. A instituição chama a atenção para a ocorrência da violência sexual em ambientes familiares ou em círculos de confiança, situações que podem dificultar a identificação dos casos e a realização de denúncias.

A promotora de Justiça Fabrícia Barbosa Lima, coordenadora do Núcleo da Infância e da Juventude (Nuij), destaca que a proteção da infância é um dever coletivo, previsto na Constituição Federal e reforçado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Segundo a promotora, é fundamental acolher crianças e adolescentes sem julgamentos, comunicar suspeitas aos órgãos competentes e garantir que as vítimas sejam protegidas de novas violações.

Números mostram recorrência dos casos

O levantamento apresentado pelo Ministério Público também aponta números elevados nos últimos anos. Em 2024, foram instaurados 6.594 inquéritos policiais relacionados ao crime. Em 2025, o total foi de 6.493.

Para 2026, o órgão informa 6.500 inquéritos policiais até 31 de outubro, além dos 6.461 procedimentos registrados no Sistema SAJ entre janeiro e outubro.

O MPMS ressalta que a violência sexual contra crianças e adolescentes pode apresentar subnotificação, especialmente quando ocorre dentro de casa ou envolve pessoas próximas da vítima. Por isso, a identificação de sinais de violência e a comunicação de suspeitas são consideradas fundamentais para interromper o ciclo de agressões.

Como a Justiça protege as vítimas

O Ministério Público atua no enfrentamento à violência por meio do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça da Infância e da Juventude (CAOPJIJ) e do Núcleo da Infância e da Juventude (Nuij), que oferecem suporte técnico às Promotorias de Justiça em todo o Estado.

O trabalho inclui fiscalização de políticas públicas, articulação com a rede de atendimento e atuação na responsabilização dos autores de violência.

Para evitar que crianças e adolescentes sejam submetidos a situações que provoquem revitimização, o órgão também incentiva procedimentos como a escuta protegida e o depoimento especial. As metodologias são realizadas por equipes preparadas, em ambientes adequados à idade e às necessidades das vítimas.

Onde denunciar violência contra crianças e adolescentes

Qualquer suspeita de violência física, psicológica ou sexual contra crianças e adolescentes deve ser comunicada aos órgãos responsáveis. Entre os canais disponíveis estão:

  • Disque 100: serviço nacional e gratuito de direitos humanos, disponível 24 horas e com possibilidade de denúncia anônima.

  • Conselho Tutelar: presente nos municípios, recebe denúncias e atua na aplicação de medidas de proteção.

  • Polícia Militar – 190: para situações de emergência ou flagrante.

  • Polícia Civil/DEPCA: para registro de ocorrência e investigação de crimes contra crianças e adolescentes.

  • Ministério Público de Mato Grosso do Sul: atendimento nas Promotorias de Justiça ou pela Ouvidoria, no endereço ouvidoria.mpms.mp.br .

A orientação é não ignorar sinais ou relatos de violência. O acolhimento sem julgamentos e a comunicação às autoridades são medidas importantes para proteger crianças e adolescentes.

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