Com o objetivo de acolher, ensinar e integrar estrangeiros que chegam a Três Lagoas sem o domínio da Língua Portuguesa, o projeto “Fala Português” tem se consolidado como uma iniciativa de grande relevância social e acadêmica na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS – CPTL II). Criado em 2022, o projeto surgiu a partir da própria demanda de estudantes estrangeiros da universidade que enfrentavam barreiras linguísticas ao chegar à cidade.
Coordenado pela professora doutora Maria Cristina Maldonado, o projeto nasceu também pela vivência pessoal da docente que veio do México, residindo em Três Lagoas há seis anos, após ter sido aprovada no concurso da UFMS. Além de já ter morado em Santa Maria no Rio Grande do Sul, durante seu mestrado e doutorado. Sua experiência como imigrante foi marcada pelo acolhimento do povo brasileiro, um dos motivos que a ajudou na adaptação e aprendizado da língua portuguesa. Motivada, Maria Cristina estruturou uma ação que pudesse acolher outros estrangeiros que compõem a população três-lagoense.
“Toda essa experiência de acolhimento dos brasileiros para que eu pudesse aprender português, para também que eu pudesse me adaptar à realidade e a cultura. Como fazer uma carteirinha SUS, como ir até um posto de saúde, coisas básicas né, muitas vezes para nós que estamos no dia a dia é muito simples, mas quem vem de outro país, não fala a língua, fica doente, não sabe o que fazer né. Então todas essas situações fazem com que a vida do imigrante seja um pouco mais complicada no começo né, se não tiver um auxílio.” – relatou a professora.
Com a colaboração de 16 professores voluntários e alunos da UFMS, o projeto atende estudantes de intercâmbio vindos da Argentina, Palestina e Benin. Além da comunidade de imigrantes haitianos que vivem em Três Lagoas.
O projeto “Fala Português” proporciona o ensino da língua e também oferece acolhimento emocional e cultural. A estudante Elizandra Coimbra, graduanda de Letras Espanhol, nascida no Pará e moradora de Três Lagoas há mais de 10 anos, integra a iniciativa e destaca esse aspecto como um dos pilares mais fortes do projeto. “A nossa comunidade, eu falo nossa porque eu já me incluo, haitiana, [...] a gente tá ensinando e eles estão com os olhos brilhando assim sabe, para aprender. E o que eu gosto muito nesse projeto, como professora, de forma que eu estou me formando pra ser, é de ver isso neles, ver a vontade de aprender, a vontade de estar em um patamar melhor sabe. Tem alunos que vieram de lá com formações de doutor, de professor e que estão em cargos abaixo aqui. E que a gente pode elevar eles também, sabe, então é muito gratificante como brasileira, estar podendo fazer parte desse projeto.” – reforça a estudante, enfatizando que o projeto vai além do idioma, afetando a vivência pessoal e o crescimento profissional desses imigrantes.
Outro participante do projeto é o Fernando Lundy, estudante de Letras Espanhol na UFMS, que chegou ao Brasil por meio de visto estudantil após prestar vestibular em Foz do Iguaçu, no Paraná. Ele se transferiu para Três Lagoas e encontrou no projeto uma oportunidade de unir sua paixão por línguas ao compromisso social. “Eu gosto muito das línguas estrangeiras, eu me identifico nesse projeto, por isso que eu achei muito importante e muito interessante para acrescentar minha experiência.” – relata Fernando.
O projeto ultrapassa os muros da universidade, ganhando projeção na comunidade local. A docente Maria Cristina ressalta que o “Fala Português” extrapola os limites da sala de aula e busca impactar diretamente a vida de imigrantes que escolheram Três Lagoas como novo lar, muitos buscam oportunidades e melhores condições de vida.
Como um projeto de extensão universitária, o “Fala Português” é totalmente voluntário e visa compartilhar o conhecimento acadêmico com a sociedade, promovendo uma verdadeira ponte entre culturas. Quem quiser conhecer mais sobre o projeto pode contatar a professora Maria Cristina por meio de seu e-mail cristina.maldonado@ufms.br ou telefone (67) 99282-5048 , além da página oficial do projeto no Instagram, onde são divulgadas as atividades e ações realizadas com os participantes. Mais do que um curso de língua, o “Fala Português” é uma ferramenta de cidadania, inclusão e valorização das trajetórias de quem enfrenta o desafio de recomeçar em um novo país.
