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Psicólogo supera crise e dá volta por cima com ajuda das redes sociais

Leonardo Rodrigues tem cativado os três-lagoenses com seu conteúdo divertido e informativo no Instagram

Hojemais Três Lagoas - Guta Rufino
24/05/21 às 12h02
Leonardo Rodrigues, 25, psicólogo

O jovem psicólogo, Leonardo Rodrigues, 25, atende em uma clínica no centro de Três Lagoas, mas antes de realizar esse sonho de viver exclusivamente de sua profissão, ele chegou ao fundo do poço. Sua vida teve uma reviravolta depois que ele investiu em produzir conteúdo para as redes sociais, afim de atrair possíveis pacientes.

A comunicação é uma das caraterísticas mais evidentes em Leonardo. Em sua formação ele buscou equilíbrio para aprender tanto a falar quanto a escutar. Na infância, ele presenciou briga entre seus pais e na adolescência assumiu a responsabilidade pelos cuidados dos dois irmãos, enquanto sua mãe, Estela Silva, 50, trabalhava para sustenta-los. Desde cedo ele teve que aprender a administrar o caos do mundo exterior e seu caos interior. “O sofrimento humano sempre me atravessou de uma forma sensível. Acredito que por isso que eu escolhi a psicologia”, frisou.

Toda essa experiência contribuiu para a formação de Leonardo enquanto ser humano e profissional. Amante da literatura e das manifestações artísticas e culturais, ele aprendeu muito ao longo dos anos e hoje aplica esse conhecimento na produção de conteúdo para as redes sociais, plataforma que mudou o rumo de sua vida profissional e tem garantido o sustento de sua família, além de ser a esperança de um futuro melhor, que é o sonho que ele tem para sua carreira.

Mas antes que Leonardo se tornasse um psicólogo conhecido em Três Lagoas e começasse a ter seus clientes, muita coisa aconteceu. Ironicamente, as dificuldades começaram em um momento de conquista na vida do psicólogo: sua colação de grau em 2019. Ele se formou, mas deixou de receber ajuda financeira do pai, no momento que ainda não havia dado os primeiros passos em sua carreira.

Ele já tinha experiência como psicólogo apesar da recente formação. Além de tratar de um caso de autismo e traumatismo craniano em um garoto, ele participou de um grupo que atendia mulheres trans em um presídio. Leonardo também foi selecionado para uma capacitação em saúde mental da UFCE (Universidade Federal do Ceará), e depois fez sua pós graduação em psicanálise, pela FAVENI (Faculdade de Venda Nova do Imigrante). Além disso ele possui especialização em Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), e psicologia da educação.

Junto da esposa, Samara Gobira, 26 e do filho Joaquim, hoje com 2 anos, eles se mudaram de Dourados (MS), para Três Lagoas há alguns anos – cidade natal da jovem. “Foi um momento crítico. Passamos dificuldade. Não tínhamos o que comer, não tinha gasolina nem para buscar se conseguíssemos um dinheiro emprestado ou alguma ajuda. Acabamos morando de favor na casa da minha sogra por um tempo”, recordou.

 

Em todo esse tempo, ele buscou oportunidade de trabalho em sua área e não teve sucesso. Leonardo entregou mais de 100 currículos a procura de qualquer vaga de emprego. Ele só precisava trabalhar para poder sustentar sua família.  “Consegui emprego. Trabalhei em um mercado como operador de caixa, mas mesmo cumprindo minhas metas, fui demitido em plena pandemia. Também trabalhei como auxiliar de produção em uma indústria, carregava 12 toneladas por dia nas costas. Eu emagreci; tinha 75 kg, saí de lá com 59kg. Não tinha momentos com minha família, sem contar que eu estava frustrado por não conseguir trabalhar na minha área”, lembrou.

Além disso, o jovem psicólogo manteve o atendimento online de alguns pacientes que fez quando chegou a Três Lagoas, mas ainda não era o suficiente para sustentar a família que acabava de crescer mais uma vez. O casal agora estava à espera de Cecília, que nasceu neste mês. “Eu chegava do trabalho e já começava a atender. A minha sorte é que eu sou apaixonado pela minha profissão. E mesmo no ápice do esgotamento físico, depois de um longo dia de trabalho na fábrica, eu tinha o maior prazer em fazer os atendimentos”.

Vídeo viralizou e teve mais de 22 mil visualizações

NAS REDES

Seis meses depois de uma rotina de trabalho que estava esgotando e adoecendo Leonardo, ele decidiu sair da fábrica. O jovem que também é músico, vendeu seu saxofone, traçou um plano e alugou uma sala em uma clínica onde começaria seus atendimentos como psicólogo. Foi nesse momento que ele percebeu que teria que dar certo de um jeito ou de outro, porque sua família dependia dos resultados dessa decisão. “Foi aí que eu comecei a produzir conteúdo para as redes sociais. Comecei com vídeos curtos e depois com publicações de imagens e textos”, contou.

Entre os assutos abordados nos conteúdos estão: ansiedade, autismo, responsabilidade afetiva, quarentena, amor, vazio existencial, mitos sobre psicanálise, terapia, homossexualidade, entre outros temas que envolvem saúde mental. Esses conteúdos estão distribuídos em imagens, legendas, Reels, IGTV e são publicados no feed e nos stories no Instagram e no Facebook.

A partir dessas publicações, Leonardo começou a ter engajamento nas redes sociais, e das visualizações, curtidas e compartilhamentos, começaram a aparecer clientes. “Eu precisava fazer dar certo e não tinha nem indicação, nem dinheiro, então usei meu conhecimento e a internet. E graças a esse movimento eu posso dizer que hoje eu e minha família vivemos do meu trabalho como psicólogo”, comemorou.

Com suas publicações, Leonardo queria oferecer de forma lúdica conhecimento e possibilitar reflexões que de alguma forma contribuíssem com os internautas. “Existe uma demanda de pessoas que precisam de ajuda psicológica, que precisam ser escutadas sem julgamento. E eu como alguém capacitado e sensível a fazer isso, encontrei nas minhas redes sociais e na clínica uma forma de contribuir com esse cuidado".

Uma das publicações mais curtidas no feed
As publicações com referência à obra O Pequeno Príncipe, foram as primeiras a atraírem pacientes
Vídeos do IGTV falando sobre saúde mental

O psicólogo conclui fazendo um convite. “Permitam-se conhecer o trabalho de um psicólogo e desmistificar a ideia de que a psicologia é uma coisa de louco. Embora seja fundamental no tratamento do que chamamos de loucura, ela também é uma ferramenta excelente de autoconhecimento. A ideia de que você tem que aguentar todas as barras da vida sozinho e ser inabalável é uma mentira e precisamos reconhecer nossas fragilidades e encará-las para conseguirmos preparar o mundo pra próxima geração”, concluiu.

Leonardo agora está fazendo uma pós graduação em recursos humanos e pretende lançar um curso sobre ansiedade na pandemia em breve, nas suas redes sociais.

Para conferir o trabalho de Leonardo, acesse suas redes sociais clicando nos botões abaixo:

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