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Canetas emagrecedoras movimentam R$ 10 bilhões no Brasil

Alta nas vendas de Ozempic, Mounjaro e Wegovy transforma o mercado de medicamentos para diabetes e obesidade

Thais Constantino  - Hojemais Três Lagoas 
05/07/26 às 14h19
Foto: Arquivo

O mercado brasileiro de medicamentos à base de GLP-1 , conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras , movimentou mais de R$ 10 bilhões nos últimos quatro anos. O valor representa um crescimento superior a cinco vezes em relação a 2021, consolidando esses medicamentos entre os mais vendidos do país e ampliando sua influência nas importações farmacêuticas.

Entre 2021 e 2025, o Ozempic liderou o ranking de faturamento no Brasil, acumulando aproximadamente R$ 11,3 bilhões . Na sequência aparecem Forxiga , com R$ 4,6 bilhões, Wegovy , que movimentou R$ 4,3 bilhões, e Mounjaro , com R$ 3,8 bilhões.

Também integram a lista Jardiance , Saxenda e Rybelsus , todos destinados ao tratamento de doenças crônicas, como diabetes e obesidade .

Segundo o presidente-executivo da Farma Brasil, Reginaldo Arcuri , esses medicamentos fazem parte de uma nova geração de terapias inovadoras e de alto valor agregado. Para ele, esse movimento ajuda a explicar o crescimento contínuo das importações de medicamentos de maior complexidade pelo Brasil.

Os dados mostram que, entre 2000 e 2025, as importações de medicamentos passaram de US$ 1,3 bilhão para US$ 14,2 bilhões , avanço superior a 950% .

Arcuri destaca que esse crescimento vai além das canetas emagrecedoras. O cenário é impulsionado por fatores estruturais, como o envelhecimento da população, o aumento das doenças crônicas e a incorporação de tratamentos mais modernos ao sistema de saúde.

Atualmente, os produtos mais importados pelo país pertencem justamente aos segmentos de maior tecnologia, incluindo medicamentos biológicos , vacinas , imunológicos e terapias especializadas. Somente os imunológicos responderam por cerca de 25% das importações em 2025.

Mercado de GLP-1 cresce rapidamente

Nesse contexto, os medicamentos à base de GLP-1 ganharam protagonismo. O mercado brasileiro desse segmento saiu de R$ 1,8 bilhão em 2021 para aproximadamente R$ 10 bilhões em 2025 , registrando crescimento superior a cinco vezes em apenas quatro anos.

No mesmo período, a participação desses medicamentos no varejo farmacêutico aumentou de 3% para 9% .

O volume comercializado também avançou significativamente. As vendas passaram de 3,3 milhões para 8,9 milhões de unidades entre 2021 e 2025. Atualmente, mais de 70% do faturamento desse mercado está concentrado em apenas dois produtos: Mounjaro e Wegovy .

Semaglutida lidera vendas e preços começam a cair

Somente entre janeiro e maio deste ano, a semaglutida movimentou cerca de R$ 2 bilhões no varejo brasileiro, com mais de 2 milhões de unidades vendidas . Apenas em maio, o faturamento mensal chegou a R$ 449 milhões , o maior registrado no ano.

A semaglutida é um princípio ativo análogo ao GLP-1 , hormônio responsável pela sensação de saciedade. O medicamento reduz o apetite, retarda o esvaziamento gástrico e foi desenvolvido originalmente para o tratamento do diabetes, mas ganhou ampla utilização no controle da obesidade.

Apesar do crescimento da demanda, a chegada de versões nacionais, como a semaglutida lançada pela EMS , já começou a reduzir os preços. Nos cinco primeiros meses de 2026, o valor médio desses medicamentos caiu, registrando redução de aproximadamente 8% no caso da semaglutida.

Segundo a Farma Brasil, embora o país produza cerca de 70% dos medicamentos consumidos internamente , ainda existe forte dependência da importação de produtos biotecnológicos, responsáveis por grande parte das compras internacionais.

A entidade avalia que políticas industriais, incentivos à produção nacional e parcerias estratégicas serão fundamentais para diminuir essa dependência nos próximos anos, principalmente em medicamentos de alta complexidade e terapias baseadas em biotecnologia.

Entenda o crescimento das canetas emagrecedoras

Os medicamentos da classe GLP-1 simulam a ação de um hormônio que controla a glicemia e aumenta a sensação de saciedade. Desenvolvidos inicialmente para o tratamento do diabetes, passaram a ganhar espaço também no combate à obesidade.

Entre 2021 e 2025, o mercado desses medicamentos cresceu de R$ 1,8 bilhão para R$ 10 bilhões , enquanto sua participação no varejo farmacêutico aumentou de 3% para 9% .

O faturamento permanece concentrado principalmente em Mounjaro e Wegovy , que juntos representam mais de 70% do segmento. A elevada demanda mundial chegou a provocar períodos de escassez, mas a entrada de versões nacionais começa a aumentar a concorrência e pressionar os preços para baixo.

Canetas emagrecedoras começam a chegar ao SUS

O uso das canetas emagrecedoras também começou a ser avaliado no Sistema Único de Saúde (SUS) .

No fim do mês passado, o Ministério da Saúde iniciou, em Porto Alegre , um projeto piloto com a utilização da semaglutida em pacientes atendidos pelo SUS.

Nesta primeira etapa, cerca de 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças, como problemas cardiovasculares, serão acompanhados durante dois anos. O objetivo é analisar a eficácia do tratamento, seus impactos na qualidade de vida e, principalmente, os custos para o sistema público de saúde, considerados atualmente o principal desafio para ampliar o acesso ao medicamento.

 
 
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