Cerca de 1,5 milhão de hectares degradados poderão ser restaurados em todo o país até 2027 graças aos investimentos mobilizados no segundo leilão do Programa Eco Invest Brasil. Ao todo, 11 instituições financeiras aportaram R$ 17,3 bilhões em recursos catalisadores, capital aplicado de forma filantrópica e com maior tolerância a risco, capazes de destravar até R$ 31,4 bilhões em investimentos públicos e privados.
O resultado foi divulgado pelo Tesouro Nacional. O programa, lançado em 2024, integra o Plano de Transformação Ecológica , criado em 2023, e busca atrair capital privado para projetos sustentáveis.
O segundo leilão teve edital publicado em abril e priorizou a recuperação de terras degradadas nos biomas Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa, Pantanal e Amazônia, esta última incluída na disputa apenas no fim de junho. Os projetos inscritos tiveram de seguir critérios ambientais rigorosos, incluindo restauração de solo, preservação da fauna e flora e monitoramento contínuo do impacto ambiental.
Os recursos captados serão destinados principalmente ao Programa Caminho Verde Brasil , do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e ao Plano Nacional de Recuperação de Vegetação Nativa (Planaveg) , coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Entre as exigências, ao menos 50% da carteira de investimentos das instituições participantes deverá ir para produção de alimentos, com destaque para proteína animal e lavouras, e a recuperação da Caatinga será prioridade.
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ofereceu apoio técnico na estruturação das linhas de crédito climático, e a Embaixada do Reino Unido no Brasil colaborou na promoção de soluções financeiras que aliem retorno socioambiental e atração de capital privado.
Segundo o BID, a área recuperada será equivalente a quase três vezes o tamanho do Distrito Federal, com potencial de gerar mais de 170 mil empregos. O investimento beneficiará produtores rurais, cooperativas agropecuárias e empresas das cadeias do agronegócio, como fabricantes de bioinsumos, processadoras de alimentos, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e traders (operadores do mercado financeiro).
No primeiro leilão, homologado em novembro de 2024, o Tesouro Nacional aportou R$ 6,81 bilhões em capital público catalítico, com expectativa de alavancar R$ 44,36 bilhões em investimentos. Cerca de 50% desse montante será destinado à transição energética, incluindo biocombustíveis, transporte público sustentável e eficiência energética.
Com informações de Agência Brasil.
