Uma pesquisa nacional revelou que 70% dos estudantes brasileiros do ensino médio que utilizam a internet recorrem a ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa, como ChatGPT e Gemini, para realizar pesquisas escolares. No entanto, apenas 32% dos alunos receberam orientação na escola sobre como usar esses recursos de forma segura e responsável.
Os dados fazem parte da 15ª edição da pesquisa TIC Educação , divulgada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Esta foi a primeira vez que o levantamento analisou o uso de IA generativa por estudantes.
Entre alunos do ensino fundamental, 37% afirmaram utilizar ferramentas de IA para buscar informações, sendo que a proporção sobe para 39% nos anos finais e alcança 70% no ensino médio, evidenciando uma tendência crescente no uso dessas tecnologias na educação.
Desafios para as escolas
Apesar da popularidade da IA entre os estudantes, a pesquisa mostrou que o tema ainda não está totalmente incorporado ao ambiente escolar. Apenas um terço dos alunos disse ter recebido orientações sobre integridade da informação, autoria e avaliação de fontes. Além disso, 40% dos gestores escolares relataram que o uso de ferramentas de IA já é pauta em reuniões com professores e responsáveis.
O estudo também registrou mudanças nas regras para uso de celulares nas escolas. Em 2023, 28% das instituições proibiam o uso do dispositivo. Em 2024, o índice subiu para 39%, enquanto o número de escolas que permitem o uso em horários específicos caiu de 64% para 56%.
Acesso à internet e desigualdades
A pesquisa identificou que 96% das escolas brasileiras têm acesso à internet, com crescimento expressivo em instituições municipais e rurais. Nas escolas municipais, o acesso passou de 71% em 2020 para 94% em 2024, enquanto nas rurais cresceu de 52% para 89% no mesmo período.
Apesar do avanço na conectividade, a disponibilidade de dispositivos digitais ainda é desigual. Apenas 51% das escolas municipais têm computadores para atividades educacionais, e 47% contam com internet e equipamentos disponíveis para os alunos. Nas instituições rurais, a presença de computadores caiu de 46% em 2022 para 33% em 2024, evidenciando a necessidade de investimentos.
Formação dos professores em queda
O levantamento também apontou uma redução na formação de professores sobre tecnologia digital. Em 2021, 65% dos docentes haviam participado de cursos sobre o tema, número que caiu para 54% em 2024. A queda foi mais acentuada na rede pública municipal, passando de 62% para 43% no mesmo período.
Segundo a pesquisa, a formação contínua é fundamental para que os professores possam orientar os alunos no uso crítico e criativo das tecnologias digitais, incluindo a inteligência artificial, que já influencia diretamente os métodos de estudo e aprendizado.
O levantamento entrevistou 945 gestores, 864 coordenadores pedagógicos, 1.462 professores e 7.476 alunos de 1.023 escolas públicas e privadas, urbanas e rurais, em todas as regiões do Brasil. Os resultados completos estão disponíveis no site oficial do estudo.
Com informações de Agência Brasil.
