A Folia de Reis segue resistindo ao tempo e às transformações sociais em Três Lagoas por meio da atuação da Companhia de Reis Estrela de Belém, que há mais de cinco décadas percorre casas, bairros e comunidades levando fé, música e tradição.
No Dia de Reis, celebrado em 6 de janeiro, a companhia abriu suas portas para entrevistas e apresentações que reforçam a importância cultural e religiosa do grupo no município.
Formada por pessoas simples e unidas pela fé, a Companhia de Belém reúne integrantes de diferentes gerações, chegando atualmente à terceira geração de foliões. De acordo com o mestre da companhia, Joaquim, a missão do grupo é manter viva a profecia do nascimento de Jesus Cristo e a peregrinação dos Três Reis Magos (Belchior, Gaspar e Baltazar) desde o Oriente até Belém.
“Essa tradição que nós fazemos é a missão que os Reis Magos cumpriram. A gente sai anunciando o nascimento de Jesus, arrecadando prendas e levando alegria, fé e esperança para as casas que visitamos”, explica o mestre.
Durante o giro, que ocorre entre o final do ano e o início de janeiro, os foliões passam pelas residências cantando, tocando instrumentos tradicionais como violão, cavaquinho, pandeiro e caixa, além de apresentar a bandeira da companhia, símbolo central da Folia de Reis. Segundo Joaquim, a bandeira representa o presépio e o momento do nascimento de Cristo, sendo recebida com respeito e devoção pelos moradores.
Além do caráter religioso, a folia também cumpre um papel social. Em casas onde há pessoas doentes ou famílias que pagam promessas, os integrantes realizam cantos e pedidos de graça, fortalecendo a fé dos devotos. “A cura depende da fé de cada um, mas nós andamos com alegria, fé e esperança”, ressalta o mestre.
A presença feminina também é marcante na Companhia de Belém. Integrante da terceira geração, Adelina acompanha a folia desde a infância e destaca a importância da mulher dentro da tradição. “Eu nasci dentro disso. Para mim, é muito importante. O que vale é a fé. O que pedir com fé será concedido”, afirma.
Ao longo dos anos, Adelina já exerceu diferentes funções na companhia, como bandeireira, rainha, tesoureira e caixeira. Para ela, a ligação com a Folia de Reis vai além do período festivo. “Quando acaba, demora mais de um mês para a gente conseguir ficar sem. É uma devoção que vive o ano todo”, relata emocionada.
