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Dia do Cerimonialista: profissional de TL relembra bastidores e o evento que mais marcou sua carreira

Paulo Renato Penharbe fala sobre a origem na profissão, os desafios dos bastidores e o velório do senador Ramez Tebet, quando precisou receber autoridades e entregar a bandeira do Brasil à família

Patricia Acunha - Hojemais - Três Lagoas 
30/10/26 às 10h58
Paulo Renato Penharbel é referência na área de cerimonial em Três Lagoas (Arquivo Pessoal)

Ontem, 29 de outubro, foi celebrado o Dia do Cerimonialista, uma data que reconhece os profissionais responsáveis por transformar planejamento, protocolo e organização em experiências que, para o público, parecem acontecer sem imprevistos.

No Brasil, a data foi instituída oficialmente pela Lei nº 12.092, de 16 de dezembro de 2009. A escolha do dia 29 de outubro faz referência à fundação do Comitê Nacional de Cerimonial e Protocolo (CNCP Brasil), criado em 29 de outubro de 1993.

Em Três Lagoas, uma das referências na área é o jornalista e radialista Paulo Renato Penharbel, profissional que já esteve à frente de eventos de grande porte, tanto no município quanto em Mato Grosso do Sul.

A trajetória no cerimonial começou quase por acaso. Na época, Paulo já trabalhava com rádio e jornalismo quando recebeu um convite da irmã, Solange, professora de uma escola de Campo Grande, para apresentar a colação de grau do Colégio ABC.

“Eu fui, li todo o roteiro, improvisei em alguns momentos e, depois daquele primeiro boa noite, durante mais de dez anos continuei apresentando para essa mesma escola”, relembra.

A experiência inicial acabou abrindo caminho para a profissionalização. Paulo passou a buscar cursos e formação específica e, com o tempo, os eventos deixaram de ser apenas uma oportunidade de apresentação para se transformar em uma área de atuação profissional.

PREPARAÇÃO PARA EVITAR O IMPREVISTO

Além de cerimonialista, Paulo Renato também é celebrante de cerimônias matrimoniais (Arquivo Pessoal)

Para quem está diante do público, um evento pode parecer simples. Nos bastidores, porém, cada detalhe precisa estar previsto — e, quando possível, antecipado.

Paulo afirma que, no início, cada evento representava um desafio. Com experiência e estudo, no entanto, o trabalho passou a ser conduzido com mais segurança. “Quando você gosta do que faz, se prepara, estuda, vive antes o evento e distribui as funções corretamente”, explica. Para ele, um dos principais segredos está justamente no trabalho coletivo.

 “Em cerimonial ninguém faz nada sozinho. Sendo assim, com uma boa equipe você consegue evitar a grande maioria dos imprevistos.”

E é justamente aí que está uma das características mais curiosas da profissão: o sucesso de um cerimonialista muitas vezes está em fazer com que ninguém perceba aquilo que poderia ter dado errado.

“Durante um evento, tudo que acontece nos bastidores não é levado ao conhecimento dos convidados e nem dos contratantes”, conta.

No final, quando as luzes se apagam e o público vai embora, fica a sensação de missão cumprida. Paulo resume esse momento lembrando uma conhecida crônica sobre a profissão: o cerimonialista termina no canto do salão dizendo: “Obrigado, meu Deus, por permitir que eu não falhasse”.

UM PROTOCOLO QUE ENTROU PARA A HISTÓRIA

Entre tantos eventos, um dos momentos mais marcantes da carreira de Paulo aconteceu em uma situação que exigia não apenas organização, mas também conhecimento de protocolo e responsabilidade institucional: o velório do senador Ramez Tebet.

Na condição de senador, o funeral exigia protocolo de chefe de Estado, reunindo autoridades de diferentes partes do país.

Paulo participou diretamente da organização e também teve a responsabilidade de receber autoridades que chegavam para a cerimônia, entre elas o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e diversos senadores.

A atuação incluiu ainda o acompanhamento do cortejo fúnebre no caminhão do Corpo de Bombeiros, o treinamento com a guarda fúnebre da Polícia Militar e um dos momentos mais simbólicos da cerimônia: a entrega da bandeira do Brasil dobrada à esposa do senador.

Mais do que um evento, foi uma experiência que reuniu protocolo, emoção, responsabilidade e história — elementos que fazem parte da rotina de quem trabalha nos bastidores de grandes cerimônias.

DO CERIMONIAL À COMUNICAÇÃO

A experiência acumulada ao longo dos anos também se conecta à outra área que acompanha Paulo desde o início da carreira: a comunicação.

Jornalista e radialista, ele continua atuando na redação dos sites Hojemais e Vale da Celulose e além disso, atualmente também apresenta dois programas na rádio Agitta Cidade, com o Hojemais Notícias, nas edições primeira (manhã) e segunda (almoço).Entre microfones, notícias, protocolos e eventos, a trajetória acabou construindo uma carreira marcada pela comunicação em diferentes formatos.

E para quem pretende entrar no mundo do cerimonial, Paulo deixa um conselho direto: estudar, treinar e entender que cada evento é único. “Monte uma boa equipe, faça o seu evento e não aquele que a internet ensinou. Nas redes sociais tudo é lindo, mas na vida real é bem mais interessante.”

Para ele, a recompensa está justamente no momento em que todo o planejamento chega ao fim e o cliente reconhece o trabalho realizado. “No final, quando você vê aquele sorriso do cliente e aquele obrigado, nada paga esse sentimento.”

Porque, no cerimonial, o melhor trabalho muitas vezes é justamente aquele em que o público não percebe tudo o que foi necessário fazer para que tudo desse certo.

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