Existem encontros que o tempo não apaga. Alguns duram horas; outros acontecem através de uma tela, em meio a um período de incertezas, mas permanecem guardados para sempre na memória e no coração.
É assim que o colunista social do Hojemais, Edgard Júnior , recorda a noite de 19 de setembro de 2020, quando teve a oportunidade de conversar por videochamada com o cantor, compositor e pianista Benito di Paula , um dos grandes nomes da música popular brasileira.
Naquela época, o mundo ainda enfrentava os desafios da pandemia de Covid-19. O isolamento social havia transformado a maneira de as pessoas se relacionarem, e encontros presenciais deram lugar às conversas virtuais. Foi nesse cenário que Edgard viveu um momento especial ao falar com o artista que tanto admirava.
A ideia era realizar uma transmissão ao vivo, mas isso não foi possível. Ainda assim, a conversa aconteceu, e um simples print da chamada acabou preservando o registro daquele encontro. A imagem, guardada por seis anos, voltou a ganhar destaque nesta semana, quando Edgard decidiu compartilhá-la nas redes sociais, movido pela saudade e pela emoção diante da partida do cantor.
“Hoje reencontrei esta relíquia guardada no tempo, e meu coração voltou a 19 de setembro de 2020. Em plena pandemia, quando o mundo vivia isolado e cheio de incertezas, tive a honra e a emoção de conversar, por videochamada, com um dos grandes nomes da música brasileira: Benito di Paula”, escreveu o colunista em sua publicação.
Uma ligação com Nova Friburgo e a história da família Vellozo
A admiração de Edgard por Benito di Paula também passa por uma ligação afetiva com a cidade natal do artista.
Entre 2006 e 2007, Edgard morou em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro , município onde Benito nasceu. Foi nesse período que conheceu os irmãos Cirinha Velloso e Ney Velloso e se aproximou da história da família, criando uma conexão ainda mais especial com a trajetória do cantor.
A experiência de viver na cidade e conhecer pessoas ligadas à história familiar do artista tornou aquela conversa virtual muito mais significativa. Não se tratava apenas de falar com uma personalidade admirada pelo Brasil, mas de reencontrar, ainda que à distância, parte de uma história com a qual Edgard já tinha uma ligação afetiva.
Um registro que atravessou o tempo
Sem uma gravação completa da conversa ou uma transmissão ao vivo para rever, a imagem da videochamada tornou-se uma lembrança preciosa. Um print, aparentemente simples, passou a representar um instante que não poderia ser repetido.
Com a morte de Benito di Paula, aos 84 anos, no último domingo (18), o registro ganhou uma dimensão ainda mais profunda. O que antes era a recordação de uma conversa durante um período difícil da história mundial agora também simboliza a oportunidade de ter compartilhado alguns minutos com um artista cuja obra atravessou gerações.
Dono de clássicos como Retalhos de Cetim , Charlie Brown e Do Jeito Que a Vida Quer , Benito construiu uma trajetória marcante na música brasileira, unindo samba, piano e romantismo em um estilo próprio.
Para Edgard Júnior, a lembrança vai além da fotografia. É a prova de que alguns momentos, mesmo quando não podem ser registrados em vídeo ou revividos em detalhes, permanecem vivos na memória.
A conversa aconteceu em um período de distanciamento, mas deixou uma lembrança que o tempo não conseguiu apagar. Seis anos depois, aquela imagem voltou a falar por si: um encontro virtual, uma história compartilhada e a saudade de um artista que marcou a música brasileira.
Porque algumas lembranças não precisam de uma gravação inteira para se tornarem eternas. Às vezes, um único instante é suficiente.
