AO VIVO
Economia

Brasil reage a tarifa de 25% dos EUA e anuncia medidas de reciprocidade

Governo brasileiro critica decisão dos Estados Unidos, afirma que medida é injustificada e promete recorrer à OMC.

Da Redação
16/07/26 às 08h23
(Foto: Reprodução)

O governo federal divulgou nesta quarta-feira (15) uma nota oficial em resposta à decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados. A medida foi confirmada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e passa a valer a partir de 22 de julho.

Na manifestação, o governo brasileiro classificou a decisão como um "marco lastimável" nas relações entre os dois países e afirmou que não há justificativa para a imposição unilateral das tarifas.

Segundo a nota, dados do próprio governo norte-americano mostram que os Estados Unidos acumulam, há 15 anos, um superávit de US$ 424,5 bilhões na balança de bens e serviços com o Brasil, o que, na avaliação brasileira, desmonta o argumento de prejuízo comercial.

O governo também destacou que, em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagamento de imposto de importação, enquanto a alíquota média aplicada aos produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%.

Governo rejeita críticas ao Pix e ao desmatamento

Na nota, o Brasil rebateu as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos durante a investigação comercial, classificando como infundadas as críticas envolvendo o Pix, a regulação das plataformas digitais e o combate ao desmatamento.

O texto afirma que o Pix é um patrimônio nacional e referência internacional em infraestrutura pública digital. Também defende que a fiscalização das plataformas digitais busca proteger crianças, famílias e combater crimes praticados no ambiente virtual.

Sobre a questão ambiental, o governo ressaltou que, desde 2023, intensificou o combate aos crimes ambientais e reduziu significativamente os índices de desmatamento nos biomas brasileiros.

Investigação americana

A decisão do governo dos Estados Unidos é resultado de uma investigação conduzida pelo USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado para apurar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos.

Entre os pontos questionados pelo governo americano estão o funcionamento do Pix, o acesso ao mercado brasileiro para o etanol, questões relacionadas ao desmatamento ilegal e o combate à pirataria.

Produtos importantes ficaram de fora

Apesar da nova tarifa, diversos produtos estratégicos para a pauta de exportações brasileiras ficaram isentos da cobrança adicional.

Entre os itens excluídos da medida estão:

  • Petróleo;
  • Café;
  • Carne bovina;
  • Aeronaves;
  • Celulose.

Segundo o governo norte-americano, esses produtos foram preservados por serem considerados sensíveis para a economia dos Estados Unidos, seja pela dependência das importações, seja pelo risco de impacto nos preços internos.

Brasil promete reação

O governo brasileiro informou que continuará buscando novos mercados para os produtos nacionais e afirmou que utilizará os mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade, além de retomar a discussão no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Também foi anunciado que o Plano Brasil Soberano deverá ser utilizado para apoiar os setores eventualmente afetados pelas novas tarifas, com o objetivo de preservar empregos e a capacidade produtiva nacional.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM ECONOMIA
Franquia:
Três Lagoas MS
Franqueado:
Empresa Jornalística e Editora Hojemais Ltda.
01.423.143/0001-79
Editor responsável:
WESLEY MENDONÇA SRTE/SP46357
atendimento@agitta.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.