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Gasolina cai 1,46% e reduz inflação

Preço do combustível recuou em maio com ajuda do etanol e de subsídios federais

Thais Constantino - Hojemais Três Lagoas 
12/06/26 às 15h16
Foto: Reprodução

A gasolina registrou queda de 1,46% em maio e foi o item que mais contribuiu para reduzir a inflação oficial do país no período. O resultado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (12), dentro do levantamento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) , que fechou o mês com alta de 0,58%.

De acordo com os dados, a redução no preço da gasolina teve impacto de -0,08 ponto percentual no índice geral da inflação. O recuo ocorre após dois meses consecutivos de alta provocados pelos reflexos da guerra no Oriente Médio, que afetou a cadeia global do petróleo e elevou os custos dos combustíveis em diversos países.

Após o início do conflito, em 28 de fevereiro, a gasolina acumulou alta de 4,59% em março e de 1,86% em abril. Em maio, no entanto, o cenário mudou e os preços voltaram a cair.

Etanol mais barato influenciou redução

Segundo o analista do IBGE, Fernando Gonçalves , um dos principais fatores para a queda da gasolina foi a redução no preço do etanol , que ficou 6,2% mais barato em maio e foi o segundo item que mais ajudou a conter a inflação.

O especialista explica que a maior oferta do biocombustível ocorreu porque sua produção se tornou mais rentável para o setor sucroenergético, levando parte dos produtores a direcionar uma parcela maior da safra de cana-de-açúcar para o etanol em vez do açúcar.

Com mais produto disponível no mercado, os preços caíram. Como a maior parte da frota brasileira é composta por veículos flex, o etanol mais barato aumenta a concorrência nos postos e pressiona para baixo também o valor da gasolina.

Subsídio do governo ajudou a conter preços

Outro fator que contribuiu para a redução dos preços foi a política de subvenção aos combustíveis adotada pelo governo federal.

O mecanismo funciona como uma espécie de reembolso destinado a produtores e importadores, com o objetivo de evitar que a alta dos derivados de petróleo provoque aumentos expressivos ao consumidor final.

Atualmente, a subvenção para a gasolina é de R$ 0,44 por litro . Na prática, o governo compensa parte dos tributos federais incidentes sobre os combustíveis, como PIS, Cofins e Cide , desde que o benefício seja repassado ao consumidor.

A medida ajudou a amenizar os efeitos de um reajuste anunciado recentemente pela Petrobras. Embora a estatal tenha aumentado o preço da gasolina em R$ 0,48 por litro, apenas R$ 0,04 chegaram efetivamente às bombas.

Diesel também registrou queda

O programa de subvenção também beneficiou o óleo diesel , combustível amplamente utilizado por caminhões e ônibus.

Em maio, o diesel ficou 2,34% mais barato , tornando-se o quarto item que mais ajudou a conter a inflação. Nos meses anteriores, porém, havia acumulado fortes altas: 13,9% em março e 4,46% em abril.

No caso do diesel, a ajuda do governo chegou a R$ 1,52 por litro para importadores e R$ 1,12 por litro para produtores .

Transportes tiveram deflação, mas alimentos seguem pressionados

Entre os nove grupos analisados pelo IBGE, apenas o setor de transportes apresentou deflação em maio, com queda média de 0,46%, impulsionada principalmente pelo recuo dos combustíveis.

Mesmo assim, o custo do frete ainda continuou influenciando os preços dos alimentos. O grupo alimentação e bebidas registrou alta de 1,33% no mês e foi o principal responsável pela pressão inflacionária, contribuindo com 0,29 ponto percentual para o IPCA.

Segundo Fernando Gonçalves, embora o frete tenha recuado, seus efeitos ainda permanecem incorporados aos custos de distribuição dos alimentos.

Guerra no Oriente Médio elevou petróleo no mundo

O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado no fim de fevereiro, provocou impactos significativos no mercado internacional de energia.

Além dos ataques em regiões produtoras de petróleo, houve o fechamento do Estreito de Ormuz , importante corredor marítimo por onde circulavam cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural antes da guerra.

A redução da oferta global elevou os preços internacionais. O barril do petróleo Brent, referência mundial do setor, saltou de aproximadamente US$ 70 para mais de US$ 100, chegando a atingir picos próximos de US$ 120.

Como o petróleo é negociado globalmente, a alta foi sentida também no Brasil, mesmo com o país sendo produtor. No caso do diesel, a dependência externa é ainda maior, já que cerca de 30% do combustível consumido no país é importado .

A combinação entre maior oferta de etanol e políticas de subsídio permitiu aliviar parte da pressão sobre os combustíveis em maio, contribuindo para uma inflação menor do que a observada nos meses anteriores.

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