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Políticos e entidades se manifestam sobre o cancelamento da venda da UFN-3

Ex-ministra da agricultura, Tereza Cristina, diz que até junho estatal deve anunciar novos interessados. Senadora Simone Tebet comemora o fim da negociação.

Eliane Freitas
28/04/22 às 18h49

O fim das negociações para a venda da UFN-3, a Unidade de Fertilizantes Hidrogenados, frustrou a expectativa de muitos que aguardavam a retomada da obra, paralisada desde dezembro de 2014. Para o grupo “Aliança de Entidades”, que reúne instituições ligadas ao comércio, indústria e setor rural de Três Lagoas, a notícia chega para derrubar projetos e atrapalhar a retomada de crescimento econômico não apenas da cidade, mas do país. No manifesto divulgado à imprensa, o presidente da Associação Comercial e Industrial de Três Lagoas, Fernando Jurado, lamenta que os esforços empreendidos ao longo dos últimos anos, não foram suficientes para que a venda fosse concluída e destaca que “desde 2016, a Associação Comercial e Industrial é protagonista acerca da venda da UFN 3 e a partir de 2018, trabalhous fortemente para a retomada desta indústria para o nosso município". 

No comunicado, a Petrobrás não deixa claro o que de fato provocou a suspenção das negociações com a Acron. A estatal informa apenas que os russos substituíram o projeto inicial e que o plano de negócios proposto acaba “impossibilitando determinadas aprovações”. Mas a possibilidade da Acron tornar a UFN3 uma misturadora de fertilizantes é o que pode ter feito a estatal recuar na negociação.

Logo após anunciar em fevereiro deste ano que a venda da UFN3 estava garantida, a então ministra da agricultura, Tereza Cristina, afirmou à imprensa dias depois, que a empresa russa iria tornar a UFN3 uma misturadora de fertilizantes, durante um período. A notícia  então levantou muitos questionamentos, porque vai  na contramão do projeto inicial, que é a construção de uma fábrica de fertilizantes que produza em escala suficiente para reduzir em até 60% a importação do produto, indispensável para atender a demanda na produção de alimentos no Brasil.

A senadora Simone Tebet, do MDB, que já foi prefeita de Três Lagoas, e se posicionou contra a negociação diante da mudança de planos para a destinação da fábrica, se pronunciou logo após o anúncio do fim da venda. Tebet afirmou que “comemora”, porque sua “pressão funcionou”. A senadora chamou a atenção para a negociação com a Acron, que não atenderia a necessidade do país, que atualmente precisa comprar lá fora,  85% de todo o fertilizante utilizado na agricultura.

Tereza Cristina também se manifestou sobre o fim das negociações e ao  mesmo tempo que enxerga um desfecho negativo, por outro lado diz que a agilidade na decisão foi bom, porque antecipa novas negociações, afirmando que em conversa com a presidência da Petrobrás e o Ministério da Agricultura, foi informada que “já existem outros grupos interessados em fazer propostas para a compra dessa fábrica... alguns grupos de capital nacional” e que isso será divulgado oficialmente até o mês de junho.

UFN-3

A Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3  começou a ser construída, em Três Lagoas, em 2011. Teve as obras paralisadas em dezembro de 2014, após a Petrobrás romper o contrato com o consórcio responsável pela construção e que, na época, já havia consumido mais de R$ 3 bilhões. Em setembro de 2017,  a estatal colocou a  unidade à venda, incluindo a UFN3 em seu plano de desinvestimento que busca reduzir as dívidas e maximizar os recursos de seus investidores. Em maio de 2018, a Petrobrás deu início às negociações com o Grupo Akron, que chegou a desistir da compra, mas agora, em 2022, voltou com a proposta de compra.

 

 

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