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Educação brasileira ainda reproduz preconceito e invisibilidade sobre povos indígenas

Segundo Icléia Caires Moreira, doutora em Estudos Linguísticos e pesquisadora da área de Análise do Discurso, um dos principais desafios está na forma como os povos indígenas ainda são retratados nos materiais didáticos.

Isabele Araujo - Hojemais Três Lagoas
24/04/26 às 14h00
Icléia Caires Moreira, doutora em Estudos linguísticos, pela UFMS. (Foto: Hojemais Três Lagoas)

Em alusão ao Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, a equipe do Hojemais Três Lagoas esteve na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul para conversar com a professora Icléia Caires Moreira, doutora em Estudos Linguísticos e pesquisadora da área de Análise do Discurso.

Durante a entrevista, a docente destacou que a data, criada em 1943 como “Dia do Índio”, passou por uma atualização apenas em 2022, quando foi oficialmente reconhecida como Dia dos Povos Indígenas, reforçando a necessidade de reconhecer a diversidade étnica existente no país. 

“É uma data simbólica que ativa a memória, mas esse debate precisa acontecer todos os dias”, afirma.

(Foto: Acervo Pessoal)

Segundo Icléia, um dos principais desafios está na forma como os povos indígenas ainda são retratados nos materiais didáticos. Apesar da obrigatoriedade prevista na Lei 11.645/2008, que determina o ensino da história e cultura indígena nas escolas, muitos conteúdos ainda reproduzem visões ultrapassadas.

“É comum o uso do termo ‘índio’, associado a uma visão colonial, além de estereótipos como o ‘bom selvagem’ ou a ideia de que os indígenas vivem apenas em aldeias”, explica.

A professora ressalta que esses discursos impactam diretamente a formação dos estudantes, reforçando preconceitos e invisibilizando a presença indígena na sociedade contemporânea. 

“Os povos indígenas estão em todos os espaços: são professores, artistas, escritores e pesquisadores. Reduzir essa realidade é uma forma de exclusão”, pontua.

Pesquisadora do projeto “Sujeito(s), identidade(s) e Exclusão”, Icléia analisa como essas representações são construídas e disseminadas. O trabalho da professora também conta com livros publicados, incluindo a obra “Os descaminhos da in-exclusão”, resultado de sua pesquisa acadêmica, disponível gratuitamente online.

Para ela, compreender a constituição do sujeito indígena passa por identificar como a linguagem e os discursos moldam essas imagens ao longo do tempo.

Como alternativa, a docente desenvolve na universidade o projeto de extensão “Letramento Racial Crítico”, que leva literatura indígena para dentro das escolas e promove a formação de futuros professores. A iniciativa envolve acadêmicos dos cursos de Letras e já foi aplicada em parceria com escolas da rede pública de Três Lagoas.

Alunos no projeto desenvolvido (Foto: Acervo Pessoal)

Para a professora, o caminho está na educação crítica e no contato com produções de autoria indígena. “É preciso ir além da obrigação legal e pensar em como trabalhar esse conteúdo de forma responsável, para combater o racismo e valorizar a diversidade”, destaca.

Ao final, Icléia deixa um convite à reflexão: 

“Cada pessoa precisa se perguntar o que pode fazer, no seu lugar, para combater o racismo e respeitar os povos indígenas. Essa é uma responsabilidade coletiva”.

Confira a entrevista completa:

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