A produção tecnológica desenvolvida no Campus Três Lagoas do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul está contribuindo diretamente para a transformação digital do atendimento público em saúde. A iniciativa integra o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde): Informação e Saúde Digital, que vem promovendo inovação no Sistema Único de Saúde .
O projeto é resultado de uma cooperação técnica entre a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul , o IFMS, as Faculdades Integradas de Três Lagoas (AEMS) e a Secretaria Municipal de Saúde. Coordenada pelo professor Alisson Oliveira dos Santos , a iniciativa ganhou destaque nacional ao ser classificada entre as dez melhores propostas em edital do Ministério da Saúde.
Atualmente, cerca de 150 profissionais e estudantes de áreas como Medicina, Direito, Enfermagem e Psicologia participam do projeto. Pelo IFMS, são quatro professores e 35 bolsistas dos cursos de Engenharia de Computação e Análise e Desenvolvimento de Sistemas envolvidos no desenvolvimento das soluções.
Inovação tecnológica aplicada à saúde pública
O papel do IFMS dentro do projeto é transformar demandas da gestão pública em ferramentas digitais eficientes. Esse trabalho é realizado diretamente nos laboratórios do campus, como o Lab de Software IF5, Laboratório de Sistemas Inteligentes, Magic IT Lab e IRIS.
Segundo o professor
Alex Fernando de Araújo
, o reconhecimento nacional garantiu o financiamento integral das bolsas e reforçou a qualidade das pesquisas desenvolvidas.
“Somos agentes de inovação que mapeiam processos e criam soluções digitais que melhoram o dia a dia de pacientes e profissionais do SUS em Três Lagoas”, destaca.
Portal facilita acesso e reduz filas
Um dos principais resultados já entregues é o Portal da Transparência da Regulação em Saúde. A plataforma permite que pacientes acompanhem, utilizando o CPF, a posição em filas de exames e consultas, sem a necessidade de deslocamento até unidades de saúde.
O sistema foi desenvolvido sob coordenação do professor
Rogério Alves dos Santos Antoniassi
, que ressalta o desafio de simplificar sistemas complexos.
“O objetivo foi transformar informações técnicas em uma interface simples e acessível, garantindo que qualquer cidadão consiga consultar seus agendamentos com facilidade”, explica.
A segurança dos dados também foi tratada como prioridade, com aplicação rigorosa das normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Além de ampliar a transparência, a ferramenta ajuda a reduzir o absenteísmo. “Quando o paciente recebe a informação no tempo certo, evita perder consultas e exames, o que diminui retrabalho e melhora o fluxo no SUS”, completa Antoniassi.
Formação prática e multidisciplinar
Para os estudantes do IFMS, o projeto representa uma experiência além da sala de aula. A atuação direta em um sistema de saúde real permite lidar com desafios concretos e trabalhar em equipes multidisciplinares.
“A vivência acelera o aprendizado, pois os alunos deixam de atuar em cenários simulados e passam a enfrentar situações reais”, afirma Alex.
A estudante
Luísa de Matos
, do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, reforça o impacto da experiência.
“Somos desafiados a aprender conteúdos que muitas vezes não estão na grade curricular. A troca com outras áreas aproxima muito da realidade do mercado”, relata.
Próximos avanços
As equipes seguem trabalhando no mapeamento de demandas da Central de Regulação, do Laboratório Municipal e do Centro de Especialidades Médicas (CEM). A proposta é identificar novas soluções tecnológicas que tornem o atendimento mais ágil e eficiente.
O programa é viabilizado por meio do Edital Conjunto SEIDIGI/SGTES-MS nº 1/2025 e funciona com grupos tutoriais formados por professores, profissionais da saúde e estudantes. O financiamento federal garante bolsas mensais por até 24 meses, assegurando a continuidade das pesquisas e a formação qualificada dos ???????adores.
Com isso, o IFMS consolida seu protagonismo na inovação em saúde digital, contribuindo diretamente para a melhoria dos serviços públicos em Três Lagoas.
