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93% dos servidores públicos de Três Lagoas aderem à greve

Nesta semana os servidores públicos de Três Lagoas estão em mobilização total, para valorização e reconhecimento de trabalho por parte governamental.

Hojemais de Três Lagoas - Iolanda Carvalheiro
11/04/18 às 15h38

Nesta semana os servidores públicos de Três Lagoas estão em mobilização total, para valorização e reconhecimento de trabalho por parte governamental.

A greve está sendo feita em questão para reivindicação de ajuste salaria, sempre prometido e não cumprido, e verificação do abono salarial oferecido pelo Governo.

No total 93% dos trabalhadores públicos aderiram ao movimento.

Na manhã desta quarta-feira, 11, os servidores se reuniram na sede do Sinted de Três Lagoas, realizando ato juntamente com outros 300 funcionários, onde está sendo revista toda a reivindicação dos trabalhadores.

Maria Laura presidente do Sinted de Três Lagoas, afirma que a greve começou na ultima terça-feira, 10, onde foi feito ato em Campo Grande protocolando na secretária de educação a reivindicação dos trabalhadores, reunindo mais de mil administrativos, do total de 74 municípios.

“Hoje nós estamos aqui reunidos no Sinted de 200 a 300 administrativos. Alguns são filiados, outros não são filiados, mas num momento como esse que a luta é coletiva nós temos todos. Os professores e diretores estão apoiando os administrativos. É muito importante este movimento deles, porque eles farão muita falta na escola, eles são essenciais dentro da unidade de trabalho”, disse a Presidente.

À tarde os trabalhadores foram às escolas da cidade, e na quinta-feira será feito fazer um movimento em outros locais, panfletagem e conversa com a comunidade.

“A gente espera que o governador cumpra com a palavra dele. Que ele desde 2015 vem colando situações de promessas de valorização que não são cumpridas. Em 2015 o administrativo recebeu ajuste 0, em 2016 ele concedeu um abono de R$ 200 que precisa ser incorporado à carreira do administrativo”, disse Maria Laura.

A Presidente complementa que o plano de cargo e carreira do administrativo precisa ser reestruturado.

“Hoje um servidor administrativo que tem 22 anos de carreira, recebe um salário de R$ 1.800. É uma vergonha para o estado de Mato Grosso do Sul um servidor que se dedica há mais de 20 anos de sua vida, dentro de uma escola, seja para cozinhar, seja para limpar, seja para estar na secretaria, receber um salário desses”, comentou.

Maria Laura acrescenta que amanhã de manhã estarão protocolando junto a corregedoria regional de Três Lagoas, vendo as reivindicações dos trabalhadores da rede estadual do grupo administrativo e na sexta-feira a gente continua o trabalho de mobilização com a população, com a sociedade em geral.

“É muito importante o apoio dos pais neste momento, não é entrando nas escolas para limpar a escola. A gente sabe que eles têm essa vontade, mas este apoio pode ser via rede social. Use seu whatsapp, use seu Facebook, coloque ali que você apoia a greve dos administrativos, que você apoia a “tia da merenda”, que você apoia o porteiro que recebe seu filho todos os dias”, disse.

“Como eu sempre digo, a sociedade confia todos os dias, os seus filhos a nós trabalhadores da educação. Os filhos de vocês ficam dentro da escola, e nós temos a responsabilidade de cuidar dessas crianças”, finalizou Maria Laura.

Lindinalva Ferreira é concursada efetiva, estando 20 anos como servidora pública, na Escola João Dantas Filgueira, e afirmou que é agente de limpeza readaptada por conta do desgaste de trabalho.

“Readaptada significa que eu não tenho mais a saúde que eu tinha quando eu entrei no estado, portanto principalmente pela falta de funcionário, porque não abre concurso público, e a gente é obrigada a fazer o serviço de três, quatro pessoas, e com isso a gente acaba ficando sem a nossa saúde. Então acabamos nos readaptando.  Por isso eu estou com problema de saúde hoje, eu não consigo mais desenvolver certas funções que eu tinha há 20 anos, estou há três anos readaptada”, falou.

“Hoje nós temos um salário muito baixo, por ter 20 anos de serviço, eu ter um salário de R$ 1.500 é um desrespeito com a categoria”, comentou.

Lindinalva diz que esta é uma luta de décadas “, inclusive os funcionários administrativos, que tem esse piso tão baixo também temos vários empréstimos que prejudicam mais ainda. Tem servidores amigos meus, que recebem em torno de R$ 600, isso é uma barbaridade, tendo que fazer outro tipo de serviço, outro tipo de ocupação”.

“Em 2015 ele nos deu reajuste 0, em 2016 nós tivemos um abono, que pode ser retirado a qualquer momento. Abono não é salário, não é subsídio. Em 2017 tivemos um aumento irrisório de 2,94%, este ano ele nos ofereceu 3,4% e o nosso movimento de greve está pela incorporação do abono para que a gente possa ter uma política salarial melhor, porque ele também prometeu carreira e até agora não cumpriu”, comentou.

Andreia Márcia, 42, é merendeira concursada na Escola José Ferreira, no Jupiá, há seis anos, e aderiu à paralisação dos servidores públicos, afirmando querer melhorias.

“Pela primeira vez todos resolveram ir à luta e nós queremos melhorias. Tem gente que me fala que a greve é apenas pelos professores, mas não, nós todos temos que estar juntos, nós vamos parar, e fazer o governo saber que nós também somos importantes na escola”, disse.

Andreia fala que apesar do bairro ser pequeno, a escola é muito boa, e os trabalhadores merecem a atenção do Governo de Mato Grosso do Sul.

“Lá é um bairro pequeno, e a escola é muito limpa, organizada, é muito bom lá. Precisamos ser valorizados. Os alunos estão sentindo falta da gente”, concluiu.

Evenir Alves Pereira, 53, está há 28 anos trabalhando como funcionária pública no Fernando Correa. Evenir fala que apesar de uma funcionária ainda estar trabalhando na secretaria, a greve foi 100% aderida.

“Graças a Deus lá no Fernando Correa foi unanime a greve. Apenas uma funcionária da secretaria está trabalhando. Mas foi 100% a adesão porque nós estamos muito insatisfeitos com o nosso salário pelo governo não estar resolvendo aquilo que nós merecemos, porque a maioria tem de 5 a 20 anos de serviço, e nós não recebemos por aquilo que nós achamos que merecemos receber”, comentou em entrevista ao Hojemais.

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