A disputa pelas duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado Federal ganhou novos contornos após o encerramento das convenções partidárias. Com as chapas definidas e o prazo para registro das candidaturas ainda em andamento, alianças locais, apoios de prefeitos e deputados e principalmente a definição do chamado “segundo voto” devem ganhar importância na campanha.
Um dos movimentos que mais alterou o cenário foi a decisão do senador Nelsinho Trad (PSD) de não disputar a reeleição como titular e integrar como primeiro suplente a chapa do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) . Até então, Nelsinho aparecia entre os primeiros colocados nas pesquisas e disputava diretamente espaço com Azambuja e Capitão Contar (PL) .
A mudança abre uma nova fase na eleição. Levantamento da Real Time Big Data divulgado em 6 de agosto apontou Reinaldo com 30% das intenções de voto, seguido por Contar, com 19%, e Nelsinho, então ainda considerado no cenário pesquisado, com 15%. Na sequência apareciam Vander Loubet (PT) , com 9%, e Soraya Thronicke (PSB) , com 8%.
Com a retirada de Nelsinho da condição de candidato titular, entretanto, esses percentuais não podem ser simplesmente transferidos para outro concorrente. A distribuição dos votos de seus antigos eleitores passa a ser uma das principais incógnitas da campanha.
Dois votos aumentam disputa por alianças
Nas Eleições 2026 , o eleitor de Mato Grosso do Sul poderá votar em dois candidatos diferentes ao Senado. Isso acontece porque, neste ano, duas das três cadeiras do Estado estarão em disputa.
Esse modelo favorece as chamadas “dobras”, quando lideranças políticas pedem votos para dois nomes ao Senado, inclusive em determinadas situações para candidatos que não pertencem à mesma chapa.
Reportagem publicada nesta segunda-feira (10) pelo Investiga MS aponta que esse movimento já começa a aparecer nos bastidores. Segundo o veículo, Reinaldo Azambuja mantém o pedido de voto para Capitão Contar, seu companheiro de coligação, mas também existiriam conversas envolvendo Vander Loubet e Soraya Thronicke para possíveis composições regionais de primeiro e segundo votos.
As articulações relatadas não significam, necessariamente, acordos formais entre os candidatos. Elas mostram, porém, como o segundo voto pode produzir diferentes arranjos municipais durante a campanha.
O mesmo cenário envolve Capitão Contar. O ex-deputado estadual possui proximidade política com João Henrique Catan (Novo) , candidato ao Governo do Estado. O Novo lançou Roberto Oshiro ao Senado, mas a composição eleitoral também deixa espaço para disputas pelo segundo voto entre diferentes grupos.
Dez nomes entram na disputa
Após as últimas definições partidárias, a corrida pelas duas cadeiras de Mato Grosso do Sul chegou a dez candidatos ao Senado . Entre os nomes apresentados após as convenções estão Reinaldo Azambuja (PL), Capitão Contar (PL), Soraya Thronicke (PSB), Vander Loubet (PT), Roberto Oshiro (Novo), Beto do Movimento (PSOL), Daniel Júnior (Agir), Luiz Lemes (DC) e Sidney Vargas (PRD) , além dos demais registros apresentados à Justiça Eleitoral.
Soraya é a única senadora atualmente no cargo que busca a reeleição como titular. Nelsinho Trad, cujo mandato também termina, optou pela suplência de Reinaldo.
A Justiça Eleitoral ainda passa pela fase de formalização e análise dos registros. Conforme o calendário eleitoral, as convenções ocorreram entre 20 de julho e 5 de agosto e os pedidos de registro das candidaturas podem ser apresentados até 15 de agosto .
Segundo voto pode decidir eleição
O cenário torna a eleição para o Senado uma das disputas mais imprevisíveis de Mato Grosso do Sul em 2026.
Reinaldo chega ao período eleitoral liderando pesquisas recentes, enquanto Capitão Contar aparece competitivo. Com Nelsinho fora da disputa como titular, abre-se um espaço importante a ser disputado principalmente pelos candidatos que já possuem estrutura política e presença nos municípios.
Soraya Thronicke , que tenta renovar o mandato conquistado em 2018, e Vander Loubet , deputado federal desde 2003, entram nessa disputa com histórico eleitoral e bases políticas espalhadas pelo Estado.
Ao mesmo tempo, candidatos como Roberto Oshiro tentam ampliar espaço apresentando-se como alternativa aos grupos políticos tradicionais.
Mais do que uma disputa isolada entre dez nomes, a eleição deverá ser marcada pela capacidade de cada candidato construir alianças municipais e convencer o eleitor não apenas a escolhê-lo, mas também a definir para quem irá o segundo voto.
Até outubro, portanto, prefeitos, vereadores, deputados e lideranças regionais devem ter papel decisivo na montagem dessas combinações. Em uma eleição na qual cada sul-mato-grossense terá direito a dois votos para senador , a composição escolhida pelo eleitor pode ser tão importante quanto a liderança individual nas pesquisas.
