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Apesar da lei, quase 30% dos cuidadores ainda admitem palmadas e beliscões em crianças

Levantamento nacional revela também desconhecimento sobre a importância da primeira infância.

Andressa de Paula - Hojemais Três Lagoas
04/08/25 às 15h30
Foto: Reprodução

Mesmo com mais de uma década de vigência da Lei Menino Bernardo (Lei nº 13.010/2014) , que proíbe castigos físicos contra crianças e adolescentes, 29% dos cuidadores de crianças de até 6 anos admitem o uso de palmadas, beliscões e apertos como forma de disciplina. O dado está presente no levantamento Panorama da Primeira Infância: O que o Brasil sabe, vive e pensa sobre os primeiros seis anos de vida , divulgado nesta segunda-feira (4) pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, em parceria com o Instituto Datafolha.

A pesquisa entrevistou 2.206 pessoas em todo o país, sendo 822 cuidadores de crianças pequenas. Os dados levantados mostram que 13% dos cuidadores recorrem a castigos físicos com frequência, enquanto 17% consideram essas práticas eficazes. Ainda mais preocupante é o fato de que 12% dos entrevistados admitem bater mesmo sabendo que isso não educa de forma efetiva. Além disso, 14% disseram gritar ou brigar com frequência.

Mesmo com esses dados, a maioria dos entrevistados indicou preferir estratégias como diálogo (96%) e retirada da criança da situação (93%). No entanto, muitos ainda associam a violência à obediência, 40% acreditam que bater gera respeito, enquanto 33% reconhecem que isso pode tornar a criança mais agressiva, e 21% apontam que causa baixa autoestima e falta de confiança.

O estudo também revela um desconhecimento significativo sobre a importância da primeira infância. Para 84% dos entrevistados, essa não é considerada a fase mais relevante do desenvolvimento humano. Apenas 2% souberam identificar corretamente que a primeira infância vai até os seis anos de idade. Especialistas apontam que, nesse período, o cérebro realiza até 1 milhão de conexões por segundo, formando 90% das conexões cerebrais que acompanharão a criança ao longo da vida.

Outros dados preocupantes incluem a subvalorização do brincar, essencial para o desenvolvimento infantil, e o excesso de tempo de tela. Crianças nessa faixa etária passam, em média, duas horas por dia em frente a celulares, TVs ou tablets, embora a recomendação médica seja de, no máximo, uma hora por dia e com supervisão. Para crianças menores de dois anos, o uso de telas deve ser evitado completamente.

O levantamento reforça a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à primeira infância, inclusive com a oferta de creches, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal. Segundo estudos econômicos, investimentos nessa fase geram retornos significativos para a sociedade, impactando positivamente áreas como educação, saúde, segurança pública e geração de renda.

 

Com informações de Agência Brasil.

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