No estado que lidera o ranking de processos de violência doméstica, uma nova alternativa no combate à agressão contra mulheres vem sendo trabalhada por alunos da Escola Estadual Fernando Corrêa e a gestão tecnológica em Três Lagoas.
Trata-se do ‘Botão da vida’, que quando acionado, em virtude de perigo iminente de agressão, emite um alerta para que a vítima seja socorrida.
O projeto nasceu a partir das atividades da campanha ‘Agosto Lilás’ - em defesa dos direitos da mulher em situação de violência doméstica e familiar - onde a coordenadora regional de educação, Marizeth Bazé Kill, determinou que a campanha não terminaria em agosto.
“É um tema que requer atenção; a violência contra a mulher todos os dias está na manchete do país, do estado e em Três Lagoas. E nós vimos que tínhamos de fazer alguma coisa. Eu disse na coordenadoria que o agosto Lilás não iria parar” - diz.
Através de uma pesquisa entre as escolas estaduais, o Fernando Corrêa se destacou por ter toda a estrutura e alunos voluntários para receber o projeto.
A coordenadora se reuniu com Eunice Maria da Silva Camargo - responsável pela gestão tecnológica da coordenadoria da educação do Mato Grosso do Sul e desenvolveram a ideia com alunos e professores.
“A Escola Fernando Corrêa foi escolhida por ter um território montado, com clube de ciências coordenado pelo Professor Rodrigo; os alunos vão em período contrário para fazer esses estudos. Nós fizemos uma geral nas escolas, procurando aquela que tinha a melhor condição para ter um território propício para montarmos o projeto e ele deslanchar” - afirma Eunice.
“Nós estamos desenvolvendo um projeto com o microcomputador - que pode ser utilizado para robótica, automação e para vários propósitos. Ele tem um baixo custo - comparado com outros equipamentos” - completa o Professor Rodrigo Satoro Mizobe.
Eunice destaca que, ao iniciar o projeto, o primeiro ponto que pensaram foi em descartar o celular; ela explica que o aparelho é muito visível e o primeiro a ser destruído durante uma agressão.
“O botão existe em Campo Grande. Ele já funciona e já foi implantado; mas, lá, ele utiliza o celular como dispositivo de acesso que chamaria essa ajuda. A primeira coisa que pensamos foi em descartar o celular, porque a pessoa que agride a primeira coisa que ela faz é destruir o celular da vítima” - conta.
Nessa etapa do projeto os alunos se interessaram em conhecer a delegada Letícia Móbis, da Delegacia de Atendimento à Mulher de Três Lagoas, para compreender e estudar o trabalho dela no município.
Para a delegada o projeto não vê somente a questão de desenvolver as habilidades tecnológicas, mas também levar crianças e adolescentes a não tolerar agressões.
“A conversa foi muito produtiva; nós ficamos contentes de ver que a sociedade está se envolvendo na questão da violência, levando os adolescentes e crianças a pensarem nesse tema. Isso que nós vemos como um dos pilares para, no futuro, combater a violência contra a mulher” - diz.