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Colesterol alto pode ser genético e surgir ainda na infância

Hipercolesterolemia familiar pode provocar níveis elevados de colesterol e aumentar precocemente o risco cardiovascular

Thais Constantino - Hojemais Três Lagoas
08/08/26 às 11h38
Colesterol alto pode ser genético e surgir ainda na infância (Foto: Reprodução| Agência Brasil)

Neste sábado (8), quando é celebrado o Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol , especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce e da adoção de hábitos saudáveis para reduzir o risco de doenças cardiovasculares , como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

O vice-presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Renato Jorge Alves, destaca que a prevenção continua sendo uma das principais estratégias para evitar complicações relacionadas ao colesterol alto .

Em entrevista à Agência Brasil, o cardiologista citou um estudo publicado em setembro de 2025 que recomenda que todas as pessoas realizem a primeira dosagem de colesterol aos 10 anos de idade .

“O conselho que eu dou é que todo mundo faça um exame preventivo de colesterol, junto com o de glicose”, afirmou.

Além dos exames, Alves ressalta a necessidade de manter hábitos saudáveis para impedir que outros fatores de risco se associem ao colesterol elevado e aumentem as chances de infarto. Quando os exames identificam alterações, a recomendação é procurar acompanhamento médico e seguir corretamente o tratamento indicado.

O especialista também faz um alerta sobre conteúdos publicados na internet que incentivam pacientes a abandonar medicamentos para controle do colesterol.

“Não vá atrás de médicos que falam na internet para não tomar remédios contra colesterol, porque isso é uma falácia”, disse.

Segundo Alves, assim como ocorre com diabetes e hipertensão , os níveis de colesterol voltam a subir quando a medicação necessária é interrompida.

Dieta carnívora não é indicada para baixar colesterol

A Sociedade Brasileira de Cardiologia chama atenção também para a relação entre alimentação, colesterol e saúde cardiovascular . Hábitos inadequados podem afetar não apenas o coração, mas todo o metabolismo.

Entre as práticas desaconselhadas está a chamada dieta carnívora , caracterizada pelo consumo exclusivo de carnes e pela retirada dos alimentos de origem vegetal.

“Isso é uma invenção”, afirmou Alves.

De acordo com o cardiologista, uma alimentação saudável deve oferecer quantidades adequadas de proteínas, carboidratos e gorduras. Uma dieta composta exclusivamente por carnes apresenta elevada quantidade de gordura saturada , que contribui para o aumento do colesterol LDL, popularmente conhecido como colesterol ruim .

Pessoas que já apresentam colesterol elevado devem evitar o consumo excessivo de carne vermelha. Além de aumentar o LDL, esse padrão alimentar pode elevar o ácido úrico e favorecer a formação de placas de gordura nas artérias, ampliando o risco cardiovascular .

“Não é uma dieta aconselhável”, resumiu.

Alimentação e exercícios ajudam no controle

Entre as primeiras medidas recomendadas para reduzir o colesterol estão a adoção de uma alimentação saudável e a prática regular de atividade física.

Segundo Alves, é importante controlar principalmente o consumo de gordura saturada , encontrada em alimentos como carnes vermelhas, chocolates, frios e embutidos. Também deve ser evitada a gordura trans, presente em produtos ultraprocessados, como salgadinhos e biscoitos recheados.

“A pior gordura que tem é essa”, afirmou o especialista sobre a gordura trans.

Mudanças nos hábitos alimentares podem proporcionar uma redução de aproximadamente 5% a 10% nos níveis de colesterol. O efeito tem limites porque cerca de 70% do colesterol presente no organismo é produzido pelo próprio corpo.

Quando os níveis ultrapassam 300 miligramas por decilitro (mg/dL) , existe forte indicação de que o problema tenha origem genética. Nessas situações, mudanças no estilo de vida continuam importantes, mas o tratamento também exige medicamentos.

A atividade física é outro componente essencial da prevenção. A orientação é acumular entre 150 e 300 minutos de exercícios por semana .

Sono e estresse também interferem no metabolismo

O controle do colesterol não depende somente da alimentação e dos exercícios. A qualidade do sono também interfere no metabolismo.

Dormir mal pode contribuir para o aumento do colesterol e dos triglicérides , gordura relacionada ao processo inflamatório das artérias.

“O processo de aterosclerose não acontece apenas pelo acúmulo de gordura, mas também pela inflamação”, explicou Alves.

Outro fator que merece atenção é o estresse, que pode contribuir para o aumento da pressão arterial e dificultar o controle dos níveis de colesterol.

Estatinas são importantes no tratamento

Pacientes diagnosticados com hipercolesterolemia de origem genética podem precisar de tratamento medicamentoso. Entre os principais medicamentos utilizados estão as estatinas, que devem ser prescritas por um médico.

“O paciente não deve interromper esse tratamento”, reforçou Alves.

Quando a estatina utilizada isoladamente não consegue levar o paciente à meta de colesterol definida pelo médico, outros medicamentos podem ser associados. A decisão depende do risco cardiovascular apresentado individualmente.

Atualmente, segundo o especialista, existem versões genéricas das estatinas, o que tornou esses medicamentos mais acessíveis.

Alves, no entanto, demonstra preocupação com a disseminação de informações falsas nas redes sociais a respeito desses tratamentos.

“Vejo muitas pessoas, inclusive médicos, dizendo que colesterol não existe ou que estatinas fazem mal. Isso não é verdade. Muitas vezes é marketing pessoal”, avaliou.

O cardiologista ressalta que as evidências científicas sobre os benefícios das estatinas são acumuladas há mais de três décadas. O primeiro grande estudo sobre o assunto foi publicado em 1994 e, desde então, pesquisas apresentam evidências consistentes de redução de infarto, AVC e mortes provocadas por doenças cardiovasculares .

A desinformação preocupa porque o colesterol elevado continua entre os principais fatores associados ao desenvolvimento dessas doenças.

Colesterol alto pode ter origem genética

Outro ponto destacado pelo especialista é a hipercolesterolemia familiar , uma condição genética capaz de provocar níveis extremamente elevados de colesterol ainda durante a infância.

Há registros de crianças que sofreram infarto aos 10 anos em decorrência da doença.

“Nesses pacientes, o colesterol sobe de tal forma que pode obstruir as coronárias ainda na infância”, explicou.

Por esse motivo, identificar o problema precocemente e começar o tratamento o quanto antes aumenta as possibilidades de ampliar a sobrevida dos pacientes.

Obesidade está relacionada à síndrome metabólica

A obesidade também exerce papel importante no risco cardiovascular. Alves explica que ela está relacionada principalmente à síndrome metabólica, condição frequentemente associada ao diabetes, hipertensão e aumento da gordura abdominal.

O excesso dessa gordura favorece alterações metabólicas que podem atingir diferentes órgãos, entre eles fígado, rins e pâncreas.

Já entre pacientes com hipercolesterolemia familiar, a obesidade normalmente não aparece como característica inicial. Ela tende a surgir posteriormente, quando fatores ligados ao estilo de vida passam a se somar à condição genética.

Colesterol está entre principais fatores de risco cardiovascular

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que infarto e acidente vascular cerebral continuam entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo.

Segundo Renato Jorge Alves, quatro fatores ocupam posição de destaque nesse cenário: colesterol elevado, diabetes, tabagismo e hipertensão .

Com o crescimento da incidência na população, a obesidade também ganha importância.

“Eu diria que ela já é o quinto fator de risco”, afirmou.

O cardiologista explica que a obesidade provoca um estado inflamatório crônico, capaz de favorecer a instabilidade das placas de gordura existentes nas artérias e, consequentemente, aumentar as chances de infarto.

Outras doenças inflamatórias crônicas também podem contribuir para alterações arteriais e elevar o risco cardiovascular. Entre elas estão lúpus, HIV, artrite reumatoide, fibromialgia e doença inflamatória intestinal. O impacto ocorre em menor escala devido à frequência mais baixa desses casos.

A orientação dos especialistas é manter os exames de colesterol em dia , adotar alimentação equilibrada, praticar exercícios regularmente, cuidar da qualidade do sono e procurar acompanhamento médico sempre que forem identificadas alterações. Nos casos em que houver indicação de medicamentos, o tratamento não deve ser interrompido sem orientação profissional.

Com informações de Agência Brasil 

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