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Saúde

Testosterona não é para todas as mulheres

Especialistas alertam que a reposição hormonal só deve ocorrer com indicação médica

Thais Constantino - Hojemais Três Lagoas 
07/08/26 às 12h19
Testosterona não é para todas as mulheres (Foto:Reprodução)

A reposição de testosterona em mulheres tem ganhado destaque nas redes sociais, frequentemente associada a promessas de melhora da disposição, aumento da libido, ganho de massa muscular, emagrecimento e rejuvenescimento. No entanto, especialistas esclarecem que é falsa a informação de que todas as mulheres precisam repor o hormônio para manter a saúde ou reduzir os efeitos do envelhecimento.

A reposição de testosterona, assim como a de outros hormônios, não é uma necessidade para todas as mulheres. O tratamento deve ser indicado apenas quando houver necessidade clínica comprovada, após avaliação médica individualizada. A decisão considera sintomas, exames laboratoriais, histórico de saúde e evidências científicas.

Quando a testosterona é indicada para mulheres?

De acordo com sociedades médicas, a única indicação com respaldo científico para o uso terapêutico da testosterona em mulheres é o tratamento do Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH) em pacientes na pós-menopausa.

Mesmo nessa situação, o tratamento só deve ser iniciado após a tentativa de outras abordagens terapêuticas e a confirmação da persistência do quadro clínico.

Em nota conjunta publicada em maio de 2025, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e o Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) alertaram para os riscos do uso indiscriminado da testosterona.

Segundo o documento, não há comprovação científica que justifique a dosagem rotineira do hormônio ou o diagnóstico de "déficit androgênico" como argumento para prescrever testosterona em mulheres. As entidades destacam que essa prática pode levar ao uso do hormônio sem indicação adequada.

Uso sem indicação pode causar efeitos adversos

Especialistas alertam que o uso de testosterona sem necessidade comprovada, em doses superiores às recomendadas ou associado a outras substâncias pode representar riscos importantes à saúde. Por isso, promessas generalizadas de mais energia, rejuvenescimento ou benefícios estéticos devem ser analisadas com cautela.

Entre os possíveis efeitos adversos estão acne, alopecia (queda acentuada de cabelos e pelos), alterações hepáticas, dislipidemia, alteração dos níveis de gorduras no sangue que favorece a formação de placas nas artérias, dependência psíquica e problemas cardiovasculares.

Anvisa registra aumento de notificações

Dados de farmacovigilância da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram crescimento no número de notificações de eventos adversos relacionados a medicamentos classificados como anabolizantes nos últimos anos, com pico registrado em 2024.

Entre os produtos regularizados no Brasil, testosterona e somatropina concentram mais de 90% das notificações desse grupo. Ambos são medicamentos controlados e possuem indicações terapêuticas específicas aprovadas.

A Anvisa ressalta, entretanto, que esse aumento de registros não significa, necessariamente, que houve crescimento proporcional dos problemas causados por essas substâncias. O avanço das notificações pode estar relacionado ao maior conhecimento de pacientes e profissionais sobre farmacovigilância, à ampliação das plataformas eletrônicas e ao aumento da participação nos sistemas de monitoramento de eventos adversos.

 

A Agência disponibiliza um sistema para que pacientes e profissionais de saúde possam registrar ocorrências relacionadas ao uso de medicamentos, contribuindo para o monitoramento da segurança desses produtos.

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