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Calçada Gourmet

 Não é de hoje que tenho fascínio pelas guloseimas vendidas informalmente em ruas e praças.

REVISTA FALA! - Toni Fonzar
29/12/17 às 10h20
(Flávia Staut)

 Não é de hoje que tenho fascínio pelas guloseimas vendidas informalmente em ruas e praças. Acredito que devo a esse amor correspondido, entre outras coisas, os meus muitos quilos fora do padrão fitness.

 Já na infância, tinha amizade com todos os vendedores dessas maravilhas, algumas que nem mais são encontradas. Lembro com uma saudade gigante do barulho que fazia a matraca do homem que vendia beiju. Um pedaço de tábua com um ferro adaptado, que quando chacoalhado fazia um barulhão. 

 Essa engenhoca era usada na revolução de 32, pelos paulistas para enganar o inimigo quando faltava munição, mas isso é outra história. Seu João usava mesmo era para atrair a molecada. 

 Andava com um recipiente bem grande, que parecia um atabaque e em cima tinha uma torneira  adaptada para ser uma roleta, então você pagava por um, mas girava aquela torneira e no número onde o ponteiro parasse seria a quantidade de beijus que levaria. De um a três, e tirar o três era sempre uma festa e um imã para atrair os pidões: “me dá um, me dá um!”. “Não, vou levar pra minha mãe”. Nem preciso dizer que a coitada da mãe não via nem as migalhas.

 Tinha também a raspadinha que, quando hoje, penso na higiene que era feita, me dá certo arrepio, mas era boa com força, sempre de groselha ou groselha com côco. Eram as campeãs de audiência, havia uns líquidos de umas cores suspeitas que eu nunca nem soube que sabores eram e nem tenho curiosidade. 

 Tenho tanta saudade da raspadinha que consegui comprar um raspador de gelo idêntico ao que era usado pelo tiozinho, mas depois de inúmeras tentativas frustradas de imitar aquela da infância, desisti. As que fiz não chegam nem perto, talvez falte o gosto do papel de que era feito o copinho, ou as bactérias do pano de prato puído que cobria o gelo.

 Nunca pensei que toda aquela rangueira que transitava pelas nossas praças e calçadas pudessem virar moda, ganhar rodas e adotar um nome gringo. Se estivesse na ativa, a guerreira e honrada Dona Maria Pipoqueira hoje teria um “Food Popcorn Truck” estacionado na praça.

 Acho maravilhosa toda essa movimentação em torno das comidas de rua. Acabam resgatando sabores que já andavam esquecidos, como o sanduba de pernil, a coxinha de mandioca e outras tantas bombas calóricas e necessárias para plenitude de nossa felicidade.

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(ILUSTRATIVA)
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