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Câmara realiza Audiência Pública sobre Bullying e Automutilação nas escolas de Três Lagoas

Na noite desta quarta-feira, 18, ocorreu audiência pública na Câmara Municipal, sendo discutida questão do Bullying e automutilação em Três Lagoas.

com colaboração de Aurora Vilalba - Iolanda Carvalheiro
19/04/18 às 13h27

Na noite desta quarta-feira, 18, ocorreu audiência pública na Câmara Municipal, sendo discutida questão do Bullying e automutilação em Três Lagoas.

A audiência, que foi uma propositura dos vereadores André Bittencourt e Marcus Bazé, atraiu muitos estudantes e profissionais da área da educação, e também, da saúde. O Plenário ficou com a lotação máxima, assim como o Salão de Eventos. E, o grande público permaneceu até mesmo após as palestras, para poder fazer perguntas e tirar dúvidas com as palestrantes.

Na audiência Lurdes, conhecida como “Lurdinha”, professora da escola Jomap, esteve presente, representando seu grupo de prevenção a automutilação, formado por psicólogas, farmacêutico, pais de alunos e alunos.

“Nós estamos aqui hoje participando dessa audiência pública, e lembrando, puxando lá atrás que no final de novembro de 2017, nós demos um alerta, existem casos de automutilação na cidade. Fizemos um levantamento, não profundo, e descobrimos ano passado 120 casos. E talvez isso fez com que as autoridades se incomodassem com a situação e começassem a promover ações”, disse Lurdes.

A professora afirma que estão esperando que saiam os balanços gerais, com os números de casos em Três Lagoas e região. Ela e sua equipe produziram pesquisa, mas de forma rápida e rasa, com números da rede municipal e estadual.

“Quem sabe hoje nós teremos assim aquela pesquisa mesmo, quantos casos tem, e o que está sendo feito”, comentou.

No grupo participam dois alunos da Rede Municipal e as mães, quatro psicólogas voluntárias, um professor de violão que está nesta situação e um farmacêutico voluntário, além de alunos da rede estadual.

“Nós procuramos ajudar os alunos e suas famílias de forma imediata”, disse.

Sobre a audiência, Lurdes mostra total admiração pela iniciativa por parte dos vereadores.

“A iniciativa deles é muito louvável. Só estou sentindo falta aqui do vereador Flodoaldo, que eu lembro que foi ele que trouxe o assunto para a Câmara, da automutilação, ele trabalha com a gente, mas assim, eu acho totalmente louvável, muito importante esse momento que está 

acontecendo hoje na Câmara, porque daqui vão sair ações. O próprio vice-prefeito disse que vai ter políticas públicas para trabalhar a questão do Bullying e da automutilação na rede pública”, conclui.

Audiência

Os temas em destaque mereceram atenção da Câmara, devido a quantidade de jovens que vem sofrendo com o Bullying, no ambiente escolar, que em muitos casos tem resultado na automutilação.

“Para muitos estudantes tem sido preferível lidar com a dor física do que suportar a dor emocional”, com esta fala a psicóloga Thalyta Cristina Camargo, uma das palestrantes, fez questão de exemplificar a situação que preocupa muito os profissionais da educação, desta forma. Ela fez uma apresentação, citando desde o histórico de registro do Bullying até as ações da Semec (Secretaria Municipal de Educação e Cultura), no combate e prevenção a prática, na rede municipal de ensino.

Foi justamente com o apoio da Semec que os vereadores se propuseram a discutir as duas questões. Além da psicóloga, a Secretaria também foi parceira do Legislativo Municipal, disponibilizando a assistente social Elizethe Aparecida da Silva para falar sobre a questão social, que envolve o Bullying e a automutilação.

Palestras

O principal foco nas palestras e o objetivo proposto pelos vereadores foi fazer um alerta. Thalyta frisou que mesmo que seja para chamar a atenção - na visão de muitas pessoas, até mesmo familiares - é preciso intervir, estar atento, que Bullying é um problema de todos.

Entre os pontos que ela fez questão de destacar, durante a palestra, está o fato da vítima vir a ser um possível agressor (maior preocupação dos estudiosos do assunto) e o Bullying virar uma epidemia.

“Nós estamos aqui, para tomarmos consciência disso, para nos sensibilizarmos e não deixarmos que cada vez isso se torne maior”, ressaltou a psicóloga.

A definição, tipos, personagens, possíveis causas e até mesmo o suicídio foram abordados pela profissional.

A Assistente Social Elizethe chamou atenção para o cuidado em acolher estes estudantes que estão sofrendo com toda esta violência dentro da escola, ela ainda ponderou sobre o papel das famílias, pois é um problema de todos.

“Olhem para esses jovens amparem, abraçem e permitam que eles falem de toda a situação, do que eles estão sentido. É preciso que não se acredite no empobrecimento das relações”, destacou Elizethe.

A assistente social ainda aproveitou para pedir aos vereadores respaldo, a partir de Políticas Públicas, para que a Semec consiga mais apoio para encaminhamentos.

Neste sentido, os vereadores se comprometeram a formalizar proposituras, falaram em união de forças e até mesmo criação de um grupo gestor. “Vamos propor, por meio de indicação e requerimento, que a Semec faça parceria com a Secretaria Estadual de Educação, buscando experiência e mais conhecimento”, informou Marcus Bazé.

O vereador ainda pediu as técnicas da Educação Municipal que pensem em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, para que medidas prioritárias, de atendimento as vítimas, sejam viabilizadas.

“As informações nos dão um Norte. Bom saber que há pessoas que já atuam nisso. Vamos adequar à situação. Houve intenção muito grande, para caminhar e permitir Políticas Públicas, no que se refere ao Bullying. Já temos um parâmetro. O mais importante é todos num caminho só”, frisou o presidente da Câmara, André Bittencourt.

Com a participação do público, a audiência ainda resultou em propostas como: protocolo de registro de casos; mais supervisores nas escolas; e, principalmente, mais profissionais da saúde para atendimento e apoio psicológico dos estudantes e seus familiares.

Atualmente, a rede estadual, faz um atendimento na parte clínica (saúde) para 25 famílias, na escola Jomap, com a ajuda de quatro psicólogos voluntários.

O mesmo ocorre na rede municipal de ensino, que conta apenas com uma psicóloga e uma assistente social, dentro de uma demanda de 15 mil alunos matriculados.

“A Audiência atingiu seu objetivo, quem sabe teremos outras e quem sabe um Fórum permanente”, finalizou Bittencourt.

*Com informações da Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal de Três Lagoas

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