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Caso Halley: Filhas do casal estão com a avó e fazem acompanhamento psicológico

Psicóloga fala a respeito do tratamento das crianças que presenciaram o crime

Hojemais Três Lagoas - Bruna Taiski
18/01/18 às 13h26
(Facebook)

O caso do feminicídio de Halley Coimbra Ribeiro morta a tiros no último domingo (14) pelo ex-marido Renato Ottoni – que também tirou a própria vida – repercutiu nacionalmente, especialmente pelo fato das filhas presenciarem toda a cena de violência.

Além da enteada de Ottoni de 15 anos, o casal tinha duas filhas de três e seis anos. Segundo a Secretaria de Assistência Social em Três Lagoas, as crianças estão fazendo acompanhamento psicológico e com a guarda responsável pela avó materna, Adélia Coimbra.

A psicóloga Creuza Mantovani conta que as terapias são essenciais em eventos traumáticos como esse, afinal, as filhas também são vítimas.  “Certamente essas crianças passaram por uma situação inusitada, um trauma grave que não tinham como previsão em suas vidas e isso está causando uma série de dificuldade e de problemas emocionais sérios”, diz.

A filha adolescente de Halley passou por uma carga emocional mais intensa, a jovem ouviu a mãe pedir ‘pelo amor de Deus’ para que Ottoni não a matasse e os tiros ecoando logo em seguida. Segundo a psicóloga, a situação traumática vem alimentando um conflito que precisa ser trabalhado. Para ela, qualquer tipo de violação no desenvolvimento normal da criança e a do adolescente poderá produzir um enfraquecimento que contribui para um sujeito inseguro, cheio de carências e neuroses que limitam a sua vida.

“É um sentimento de perda extremamente importante e ela precisa entender isso, precisa ser acompanhada e tratar esses medos e dúvidas, para que ela tenha condição de conviver sem mais problemas. Cada pessoa reage diante de uma situação de bloqueio e de trauma de uma forma, essas pessoas precisam de acompanhamento psicológico para procurar resolver da melhor forma possível”, afirma.

A perda dos pais traz o risco de desencadear problemas psicológicos graves, Creuza afirma que além do tratamento existem vários fatores que também podem influenciar o fortalecimento de um ‘Eu’ mais seguro e saudável, um deles é o carinho e a atenção da família na fase posterior ao evento traumático.

“Elas perderam tudo de uma vez só. Não sei como a família está reagindo em torno delas, porque as pessoas próximas a elas também foram atingidas, precisamos saber que tipo de sentimento elas estão transmitindo para essas crianças. O contato com aqueles que guardam sentimentos de amor é fundamental para a recuperação do trauma”, diz.

No caso das meninas de três e seis anos ela ressalta que será necessário avaliar onde e como elas foram atingidas. “Emocionalmente apesar do acolhimento, da atenção, tudo está influenciando. Hoje os adultos com toda dor, com todo sofrimento tem que pensar nas crianças e ampará-las, protegê-las, porque elas passam por uma situação mais séria no ponto de vista de desenvolvimento, elas não tem personalidade ainda completada, elas estão sentindo uma falta de tudo, porque perderam o 'chão' perderam uma família completa”, diz.

Apoio profissional

Quanto mais cedo se lida com o trauma, mais próximo da capacidade de superar obstáculos, de se recuperar de uma adversidade vivida, de lidar com seus próprios problemas e encontrar soluções saudáveis para continuar. De acordo com a psicóloga as chances de um trauma grave ser superado são grandes.  “Um tratamento bem feito vai fazer com que essas crianças se tornem adultos com traumas e problemas resolvidos, sem nenhum problema no futuro no caso da convivência social e familiar”, afirma.

“A criança tem que confiar no profissional, tem que encontrar no nosso espaço um lugar que dará segurança e tranquilidade. Você não trata a criança perguntando 'Como você está? ' 'O que você está sentindo? ' ela se manifesta através dos jogos, dos brinquedos, dos desenhos e o psicólogo acompanhando vai trabalhando e fazendo as intervenções necessárias em cima dessas manifestações da criança”, finaliza.

*Colaborou Aurora Villalba. 

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