O novo episódio do Hojecast recebeu o cirurgião-dentista
Luiz Fernandes Martins,
especialista em odontogeriatria, para uma conversa sobre os desafios do envelhecimento, a importância da saúde bucal e o crescimento do atendimento odontológico domiciliar, conhecido como home care.
Com mais de 30 anos de profissão, Luiz explicou que a odontogeriatria não trata apenas dos dentes, mas de todo o contexto de saúde do paciente idoso.
"A odontogeriatria não vai te ensinar a ser dentista. Dentista você já é. Ela ensina como tratar esse público, esse paciente que muitas vezes não fala, que está acanhado, triste e precisa de um atendimento humanizado", afirmou.
Durante a entrevista, o especialista destacou que o envelhecimento exige um olhar mais amplo por parte dos profissionais da saúde. Segundo ele, uma simples consulta domiciliar envolve uma avaliação completa das condições do paciente, desde os medicamentos utilizados até a estrutura da residência para garantir um atendimento seguro.
"O home care significa levar o tratamento onde o paciente está. Hoje existem equipamentos portáteis que permitem fazer limpeza, restaurações, próteses, radiografias e diversos outros procedimentos sem que o paciente precise sair de casa", explicou.
Luiz também desmistificou a ideia de que o atendimento domiciliar serve apenas para extrações. Segundo ele, praticamente todos os procedimentos odontológicos podem ser realizados em casa, desde que haja planejamento e indicação adequada.
Outro ponto abordado foi a relação entre a saúde bucal e outras doenças. O especialista alertou que bactérias presentes na boca podem agravar problemas cardiovasculares, diabetes, pneumonia e até contribuir para doenças neurodegenerativas.
"O mesmo sangue que corre na ponta do seu dedo e no seu coração é o mesmo que passa pelos dentes. Uma infecção bucal pode atingir todo o organismo. Por isso, a limpeza é o principal tratamento preventivo", ressaltou.
O dentista também chamou atenção para o papel dos familiares e cuidadores no processo de envelhecimento. Para ele, muitas vezes o maior desafio não é convencer o paciente, mas fazer com que a família compreenda suas limitações.
"A vontade precisa ser do paciente, e não do familiar. Temos que pensar primeiro no conforto dele. Muitas vezes a família quer colocar uma prótese nova, mas ela machuca e ele deixa até de comer. É preciso entender o tempo e as necessidades daquele idoso", comentou.
Ao longo da conversa, Luiz refletiu ainda sobre a valorização da terceira idade e a importância de preservar a autonomia e a dignidade dos idosos.
"Hoje não existe mais aquele estereótipo do velhinho de bengala. A Organização Mundial da Saúde mudou essa classificação porque as pessoas vivem mais e melhor. O idoso de hoje faz academia, dirige, viaja e quer qualidade de vida", destacou.