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Treinamento de brigadistas reforça combate a incêndios em Três Lagoas

Ação discutida pelo CONSEG e Defesa Civil busca preparar comunidades da Costa Leste para atuar em situações de emergência

Thais Constantino  - Hojemais Três Lagoas
05/08/26 às 14h20
Treinamento de brigadistas reforça combate a incêndios em Três Lagoas | Euridice Silveira e capitão Ladislau (Foto: Hojemais Três Lagoas)

O clima atípico registrado em 2026, marcado por períodos de chuva irregular, temperaturas diferentes do esperado e mudanças no comportamento das estações do ano, tem aumentado a preocupação com a estiagem e os incêndios florestais em Três Lagoas e na região da Costa Leste de Mato Grosso do Sul.

O assunto foi destaque na 2ª edição do programa Hojemais Notícias , que contou com a participação do capitão Ladislau, representando a Defesa Civil , e de Euridice Silveira de Freitas, presidente do Conselho Interativo de Segurança Microrregional Leste de Mato Grosso do Sul (CONSEG) .

Durante o programa, os entrevistados abordaram a criação e o treinamento de brigadas de incêndio, a preparação de moradores de assentamentos e regiões consideradas de maior risco, além da necessidade de ampliar as ações de prevenção durante o período de estiagem.

A preocupação também está relacionada ao fenômeno El Niño , que, conforme explicado durante a entrevista, pode intensificar as condições adversas ao longo do ano, trazendo períodos de seca, estiagem e aumento dos focos de incêndio.

Três Lagoas e a Costa Leste já aparecem entre as áreas de atenção no estado. Conforme relatado no programa, no ano passado, depois do Pantanal, Três Lagoas e a região foram destaque pelo número de focos de incêndio registrados em Mato Grosso do Sul.

Treinamento de brigadistas busca fortalecer resposta aos incêndios

A discussão sobre a preparação para o período de estiagem ocorreu durante uma reunião realizada na sede do Sebrae. O encontro reuniu forças de segurança de Três Lagoas e representantes da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil de Mato Grosso do Sul.

A proposta é estruturar treinamentos para a criação de brigadas de incêndio na região de Três Lagoas e na Costa Leste, principalmente nas áreas consideradas de maior perigo.

De acordo com Euridice Silveira de Freitas, presidente do CONSEG, a ideia vem sendo discutida há aproximadamente três anos e ganhou ainda mais importância diante das condições climáticas previstas.

"Essa ideia nós temos no CONSEG já faz, no conselho, aproximadamente três anos e nós vínhamos amadurecendo ela. E agora, com essa chegada do El Niño, a situação vai dar uma apertada", afirmou.

Segundo ele, a discussão levou à convocação de uma reunião com o Corpo de Bombeiros de Três Lagoas e a Defesa Civil de Campo Grande.

"E por esse motivo aí, nós convocamos uma reunião, convidamos o Corpo de Bombeiros de Três Lagoas, a Defesa Civil de Campo Grande, a coordenadoria, para estarem aqui para nós discutirmos esse assunto, que de repente a nossa especialidade é mais um pouco em segurança e não em fogo", explicou.

A intenção é envolver também as forças de segurança e empresas na preparação para possíveis ocorrências.

Capacitação pode chegar ao Cinturão Verde e assentamentos

Euridice destacou que a preparação de equipes em solo é fundamental mesmo quando empresas contam com estruturas maiores para combater incêndios.

"Se eu não me engano, foi em 2023, que pegou-se bastante fogo aqui na região. Em 2024, 2025, nós qualificamos, trouxemos alguns cursos de brigadista de incêndio, dois no aeroporto municipal, nós trouxemos um para o Exército", relatou.

A proposta, segundo ele, é levar novamente esse tipo de treinamento para diferentes pontos da região.

"É a nossa proposta novamente, levar um curso desse para o Cinturão Verde e um para o Exército, antes de iniciarmos nos assentamentos", afirmou.

A capacitação dos moradores dos assentamentos é considerada estratégica porque essas comunidades estão próximas de áreas de vegetação e florestas.

"Porque os assentamentos, eles estão entre essas florestas, na vizinhança dessas florestas, e de repente, essas pessoas que moram lá, eles tendo um equipamento e um treinamento, eles podem ajudar o bombeiro e podem ajudar as empresas a dar uma resposta mais rápida a um incêndio", explicou Euridice.

Defesa Civil reforça alerta para estiagem

O capitão Ladislau, da Defesa Civil, afirmou que o trabalho de prevenção já vem sendo realizado desde 2022, especialmente durante os períodos de estiagem.

"Já estamos nessa lida, né? Desde 2022, com essa prevenção, principalmente nesse período de estiagem", disse.

Ele também destacou a preocupação com a atuação do El Niño e seus efeitos sobre o comportamento climático.

"Estamos tendo esse problema agora, que nós temos as informações que o El Niño, ele vem de uma forma muito mais forte esse ano agora, totalmente atípica à nossa região", afirmou.

Segundo o capitão, o fenômeno está relacionado ao aquecimento das águas do Pacífico e pode alterar os padrões de circulação da atmosfera, influenciando o clima em diferentes regiões.

"Quando ele vem, ele vem para trazer transtornos, principalmente na região Centro-Oeste aqui, altera os padrões de circulação da atmosfera, influenciando o clima de diversas formas, não só no mundo, em todo mundo isso acontece", explicou.

Para Ladislau, a criação de brigadas nos assentamentos pode contribuir diretamente para uma resposta mais rápida em situações de princípio de incêndio.

"Essa primeira resposta capacita os moradores dos assentamentos, faz com que essa prevenção, toda essa identificação do princípio de incêndio, a conscientização de não atear fogo em vegetação, para eles é muito importante e fica muito mais importante também para os parceiros que são as empresas", destacou.

Estado prepara plano para enfrentamento da estiagem

O capitão também explicou que a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil está participando de ações em Campo Grande para estruturar um plano de enfrentamento da estiagem.

"Campo Grande, a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, nós estamos tendo um plano de trabalho para enfrentamento da estiagem", afirmou.

Desde segunda-feira, segundo ele, ocorre na Capital uma reunião em formato de workshop com a participação de diferentes entidades.

"Acontece em Campo Grande desde segunda-feira uma reunião, um workshop com várias entidades, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, IMASU, Prevfogo, o pessoal da Força Nacional também está presente lá, lá no DSEI, a Diretoria de Serviços Indígenas, e o pessoal está fazendo esse trâmite todo, essa tratativa, para poder fazer esse enfrentamento da estiagem", explicou.

Ladislau ressaltou ainda a importância da atuação conjunta entre os órgãos responsáveis pela prevenção e pelo atendimento às ocorrências.

"Então a prevenção é o mais importante de tudo. Nós sabemos que sofreu muito a região do Pantanal, sofreram outras regiões, e esse ano a gente aumentou ainda mais, o Corpo de Bombeiros aumentou mais o efetivo para essa prevenção, e a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa também está preocupada trabalhando nesse sentido", afirmou.

Pequenos focos de incêndio podem provocar grandes ocorrências

Durante a entrevista, o capitão Ladislau também reforçou que ações aparentemente pequenas podem contribuir para o início de incêndios, especialmente em períodos de estiagem.

"Além disso, atear fogo em lixo, ou até mesmo... A gente sempre falava em escolas, em palestras, não joguem lata de refrigerante quando estiver passeando em uma rodovia, porque pode ter uma ignição, pode ser uma combustão espontânea", alertou.

Ele explicou que fatores como temperatura e condições do material podem favorecer a combustão.

"Principalmente quando se alinham três coisas, temperatura, o foco, principalmente daquele ponto ali, e o ponto de fulgor, onde vem a situação que causa a inflamação do material, ou até mesmo do material vegetal", explicou.

A atenção também deve ser redobrada em áreas próximas às plantações de eucalipto, especialmente quando folhas secas se acumulam no solo.

Serrapilheira aumenta risco de incêndios

Ladislau explicou que, durante períodos de estiagem, folhas e outros materiais vegetais secos se acumulam no solo, formando a chamada serrapilheira.

"Nesse período do verão, veranico, nós temos a situação das folhas, da vegetação amadurecer a folha, que a gente fala, cai, forma a serrapilheira, nós chamamos de serrapilheira", explicou.

Segundo ele, a massa vegetal pode aumentar ao longo dos anos e contribuir para incêndios de maiores proporções.

"Toda essa massa vegetal vai se acumulando perante anos. Então nós temos períodos em que, um exemplo do Pantanal, que eu cito mais uma vez aqui, é que no Pantanal, há alguns anos, não aconteceu incêndio, só que durante esse período de veranico, de verão, de outono, do inverno, secou essa vegetação, aumentou a massa de vegetação, e aí a proporção do incêndio é muito maior", afirmou.

O capitão relatou que já presenciou situações em que as chamas alcançaram grandes proporções.

"Nós temos colunas de fogo em certas regiões que chegam a 6, 7 metros de altura. Eu já vivenciei isso na prática", contou.

Para ele, o trabalho preventivo junto aos moradores é essencial.

"Essa prevenção que é importante, a prevenção de levar aos moradores, aos assentados, a prevenção de aceiros, prevenção de formar aquela comunidade, levar a instrução para aquela comunidade, deixando o mínimo de material para que eles possam fazer o combate inicial, é de extrema importância", destacou.

A iniciativa também atende aos interesses das empresas instaladas na região, segundo o capitão.

"E de interesse das empresas também. Nós conversamos, eu e o senhor Ides conversamos bastante a respeito disso, e estamos assim, empenhados em fazer isso, estamos à disposição, empenhados em fazer isso pelas empresas, pela parceria com o CONSEG", afirmou.

Mudanças no clima preocupam Defesa Civil

Durante a conversa, o capitão Ladislau também comentou as mudanças observadas no comportamento climático, com períodos de chuva intensa em algumas regiões e ausência de precipitações em outras.

Segundo ele, o El Niño influencia Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal, provocando alterações no comportamento do clima.

"Essa situação do El Niño, que atinge aqui Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, causa essa mudança drástica dentro do comportamento do clima dentro da nossa região", afirmou.

Como exemplo da variação de temperaturas, o capitão relatou uma situação vivenciada durante um deslocamento pelo estado.

"Campo Grande, por exemplo, nós tivemos recentemente lá dez graus de frio. Eu saí de Campo Grande, fui a Sete Quedas, conversar com o coordenador municipal da Defesa Civil, saí de Campo Grande e estava 29 graus. Eu cheguei em Sete Quedas e estava 10 graus de frio", contou.

Para Ladislau, essas alterações podem incluir temperaturas acima da média em determinadas áreas e chuvas irregulares em outras.

"Então o que acontece? Essa redução, a temperatura acima da média, às vezes torna-se, parte do Estado vai ficar com temperatura acima da média, parte do Estado terá chuvas irregulares, e aí a gente vai sofrendo essas consequências", explicou.

Umidade do ar também exige cuidados

Outro ponto destacado durante a entrevista foi a redução da umidade relativa do ar, que pode ocorrer durante os períodos de estiagem.

O capitão orientou que a população adote medidas para aumentar a umidade dos ambientes, principalmente quando não houver condições de adquirir um umidificador.

"Se você não consegue, não tem condição de comprar um umidificador. Vamos para o plano B, a saída", afirmou.

Entre as alternativas mencionadas está colocar uma bacia com água no quarto ou uma toalha molhada para ajudar na umidificação do ambiente.

"Não é brincadeira. Um mito dos antigos. Não, de forma alguma, não é de forma alguma", reforçou.

Incêndios em plantações de eucalipto exigem atenção

A redução da umidade relativa do ar também aumenta a preocupação com os incêndios florestais na região.

"Vem o problema maior, os riscos de incêndios florestais. É onde o nosso tendão de Aquiles, nós falamos", afirmou Ladislau.

Segundo ele, a combinação de chuvas irregulares e vegetação mais densa contribui para o aumento do material combustível.

"Quanto mais chuvas irregulares nas regiões, aquilo que eu acabei de falar para você, mais serrapilheira nós temos, mais vegetação densa", explicou.

As plantações de eucalipto apresentam uma dificuldade adicional no combate, conforme o capitão.

"E o incêndio em plantação de eucalipto, ela é complicada, porque nós chamamos de fogo de copa, ou fogo aéreo. E aí só aeronave mesmo para combater", afirmou.

Além dos incêndios, a estiagem também pode provocar impactos sobre os recursos hídricos. "E nós podemos ter também um período de seca nos rios", alertou.

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