O Hojecast, podcast do Hojemais Três Lagoas, recebeu a
psicóloga Denise Ribeiro Ribas
para uma conversa sobre saúde mental, emoções, terapia, mudanças entre gerações e os desafios enfrentados pelos pacientes em diferentes contextos.
Formada em Psicologia pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Denise é corumbaense e atua há mais de 20 anos na profissão. Ao longo da carreira, especializou-se em áreas como avaliação psicológica, psicopedagogia e psicoterapia psicanalítica contemporânea. Atualmente, também trabalha no ambiente hospitalar, com atendimento a pacientes da oncologia e da hemodiálise, além de atuar na área clínica desde formada.
Durante a conversa, a psicóloga destacou como a pandemia de Covid-19 provocou mudanças significativas na saúde mental da população. Segundo Denise, o período de isolamento afetou especialmente crianças e adolescentes, que tiveram interrompidas as relações sociais, a rotina escolar e o contato presencial com outras pessoas.
Para ela, situações como a pandemia mostram a importância de compreender e acolher as emoções, principalmente diante de acontecimentos que fogem do controle individual.
“Precisamos reorganizar para uma sobrevivência. (...) Sempre respeitando a particularidade, a individualidade de cada pessoa”, explicou Denise durante o podcast.
Terapia como espaço de autoconhecimento
Outro ponto abordado no episódio foi a importância da psicoterapia como ferramenta de autoconhecimento. Denise ressaltou que o cuidado com a saúde não deve se limitar ao aspecto físico, já que emoções, medos e angústias também fazem parte da vida.
A profissional defendeu que buscar terapia não significa necessariamente estar doente ou enfrentar um transtorno. Para ela, o processo pode ajudar
qualquer pessoa a compreender melhor seus pensamentos,
comportamentos e relações.
“Se conheça, se perceba, se compreenda, se acolha”, afirmou.
Psicóloga Denise Ribeiro Ribas. (Foto: Arquivo Pessoal)
Limites e relações entre gerações
A conversa também abordou as diferenças entre gerações e a necessidade de equilíbrio nas relações familiares. Denise explicou que pais e responsáveis precisam compreender que crianças e adolescentes vivem uma realidade diferente daquela experimentada por seus próprios pais.
Nesse contexto, a psicóloga defendeu o diálogo e a escuta das crianças, sem deixar de lado a existência de regras e limites.
“Ela tem voz, tem posições, tem postura. Elas precisam ser direcionadas, precisa ser conversado, mas ela precisa ser ouvida também”, afirmou.
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Psicologia no tratamento de pacientes oncológicos e renais
Há cerca de três anos, Denise passou a atuar no ambiente hospitalar, acompanhando pacientes da oncologia e da hemodiálise. Segundo ela, a experiência exigiu novos estudos e uma aproximação ainda maior com o trabalho de equipes multiprofissionais.
A psicóloga explicou que o atendimento hospitalar envolve compreender o paciente para além de seu diagnóstico. Para ela, antes de ser um paciente oncológico ou renal, existe uma pessoa com história, relações, medos, desejos e possibilidades.
“Antes dele ser paciente, ele é humano”, destacou.
No atendimento a pacientes oncológicos, Denise também falou sobre a necessidade de combater o estigma historicamente associado à doença. Ela ressaltou que o diagnóstico não deve ser tratado como sinônimo de finitude e que é importante permitir que o paciente enxergue possibilidades para além do tratamento.
A profissional explicou que, diante de uma doença ou de uma mudança brusca na rotina, muitas vezes o paciente perde temporariamente parte de sua autonomia, trabalho ou atividades cotidianas. Nesse processo, o papel da psicologia é ajudar na reorganização emocional, respeitando o tempo e a particularidade de cada pessoa.