O HojeCast, do Grupo Agitta de Comunicações, recebeu profissionais envolvidos na criação do Verbaio, projeto que pretende aproximar tecnologia, educação e inclusão para apoiar crianças e pessoas neurodivergentes. A proposta reúne conhecimentos das áreas de psicopedagogia, educação especial e tecnologia para transformar um método de ensino revolucionário em uma ferramenta digital mais acessível.
Participaram do episódio Samira Gama, psicopedagoga, professora, mestre em Desenvolvimento Regional pela UFMS e doutoranda pela USP; Noah Chiavenato, psicopedagoga, analista do comportamento e especialista em educação especial; e Sthela Rodrigues, educadora e profissional de tecnologia, com formação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e especialização na área de educação e tecnologia.
A ideia do Verbaio surgiu a partir do contato de Samira com um método desenvolvido por Noah Chiavenato para a alfabetização de crianças autistas não verbais. Segundo Samira, depois de conhecer o trabalho e observar os resultados, surgiu a possibilidade de transformar o método em um aplicativo que pudesse chegar a mais famílias, escolas e profissionais.
“Eu vejo isso também como um aplicativo, uma forma da gente deixar isso acessível para todos, pais, famílias, clínicas, porque é algo realmente que eu estou vendo que dá resultado”, explicou Samira durante a entrevista.
A iniciativa passou, então, a contar com uma equipe multidisciplinar. Sthela assumiu o desenvolvimento tecnológico do projeto e destaca que a proposta não é criar apenas mais uma ferramenta digital, mas uma tecnologia pensada a partir das necessidades de quem efetivamente irá utilizá-la.
“A tecnologia tem que ser o que faz sentido para o outro”,
afirmou Sthela, ao explicar que as telas, cores, comandos e recursos do aplicativo estão sendo pensados para respeitar as características e sensibilidades do público neurodivergente.
Alfabetização, comportamento e comunicação
O Verbaio está estruturado sobre três pilares principais: alfabetização, comportamento e comunicação. Para a equipe, os três aspectos estão diretamente relacionados e precisam ser trabalhados de maneira integrada.
Noah explica que a comunicação é fundamental para compreender comportamentos e construir estratégias pedagógicas mais adequadas.
“A falta da comunicação adequada, faz com que a criança se comporte de forma inadequada. A comunicação, comportamento e pedagógico é um pilar”, afirmou.
A proposta inicial do método foi voltada à alfabetização de pessoas autistas não verbais, mas, segundo a equipe, a aplicação também pode alcançar outras condições e transtornos de aprendizagem, como a dislexia.
Tecnologia como ferramenta de inclusão
Durante o HojeCast, as profissionais destacaram que a tecnologia já faz parte da rotina de crianças e adolescentes e pode se tornar uma aliada quando utilizada de forma planejada e supervisionada.
A proposta, segundo elas, não é substituir outras formas de aprendizagem, mas utilizar recursos digitais com intencionalidade pedagógica. Um jogo, por exemplo, pode ser utilizado para trabalhar atenção, foco ou outras habilidades específicas.
“A tecnologia não pode ser full time, tem que ser supervisionado”, explicou Samira.
A equipe também pretende reduzir a dependência de materiais físicos utilizados na aplicação do método, transferindo parte dessas ferramentas para o ambiente digital.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE