O Hemosul começou a aplicar em Mato Grosso do Sul parte das novas regras para doação de sangue previstas na revisão da Portaria de Consolidação. Entre as mudanças que já podem ser adotadas estão a redução do período de impedimento para pessoas que fizeram tatuagem, colocaram piercing ou realizaram maquiagem definitiva e a possibilidade de doadores frequentes continuarem doando sangue após os 70 anos, desde que sejam submetidos a avaliação médica.
Atualmente, a Rede Hemosul registra uma média de aproximadamente 90 doações de sangue por dia, número considerado baixo. O volume já chegou a 110 doações diárias e, com as novas regras, a meta é alcançar 150 doações por dia, o que representa um aumento de 36,4% em relação ao patamar anterior.
Prazo para doar após tatuagem cai para sete dias
A previsão inicial era de que todas as alterações fossem implantadas até 30 de setembro, dentro do período de 90 dias estabelecido para adequação às novas normas. No entanto, segundo a coordenadora da Rede Hemosul, Marina Sawada Torres, algumas mudanças já podem ser colocadas em prática.
A principal flexibilização envolve tatuagens, piercings e maquiagem definitiva. Antes, quem realizava esses procedimentos poderia ficar impedido de doar sangue por até um ano. Agora, o prazo pode ser reduzido para sete dias quando o doador conseguir comprovar as condições em que o procedimento foi realizado.
Quando não houver essa comprovação, o período de impedimento será de quatro meses.
“É o que mais vai beneficiar os doadores e flexibilizar, na verdade”, afirma Marina.
Também já estão valendo mudanças para pessoas que passaram por exames como endoscopia e colonoscopia. Nesses casos, o período de inaptidão, que anteriormente era de seis meses, passa para quatro meses.
Para pessoas que tiveram gripe sem febre, a redução é ainda maior. O período em que o doador ficava impedido, que chegava a 30 dias, passa para três dias, desde que não tenha ocorrido febre.
Doação de sangue após os 70 anos
Outra alteração importante envolve a idade dos doadores. Até então, 70 anos era o limite máximo para a doação de sangue. Com a revisão das regras, doadores frequentes poderão continuar contribuindo mesmo depois dessa idade, desde que passem por avaliação de um médico do serviço de hemoterapia.
A idade mínima para doar permanece em 16 anos, com acompanhamento do pai ou responsável legal. Já quem nunca realizou uma doação continua tendo como limite para a primeira doação os 60 anos.
A mudança permitirá que Domingos Paulo Sostis continue doando sangue mesmo após completar 70 anos. Ele tem 52 anos de história como doador, sendo aproximadamente três décadas dedicadas ao Hemosul.
Domingos conta que começou a doar depois que um colega precisou de sangue para uma criança recém-nascida e, desde então, não interrompeu as doações.
“É só gratidão. Fazer o bem e não olhar a quem nós devemos fazer. Graças a Deus, Ele me deu uma saúde que é difícil eu ter”, afirma.
Redução no período para comportamentos de risco
As novas regras também reduzem de um ano para quatro meses o período de impedimento relacionado a determinados comportamentos considerados de risco, como ter mais de um parceiro no período avaliado.
Outras mudanças serão implantadas até setembro
Nem todas as alterações previstas na revisão da portaria entram em vigor imediatamente. De acordo com Marina, regras relacionadas a outras situações de inaptidão temporária, como uso de medicamentos e realização de cirurgias, deverão ser implementadas em uma segunda etapa, até 30 de setembro.
A expectativa do Hemosul é que a flexibilização aumente o número de pessoas aptas a doar sangue sem comprometer a segurança transfusional.
A Rede Hemosul possui cerca de 350 mil doadores cadastrados em Mato Grosso do Sul, mas somente 45% são considerados ativos.
Atualmente, a média é de aproximadamente 90 doações por dia. O número já chegou a 110 e a expectativa é alcançar 150 doações diárias com a aplicação das novas regras.
“Nós acreditamos que, com a flexibilização, que não vai comprometer a segurança transfusional, teremos um número maior de doações aqui na Rede Hemosul”, afirma a coordenadora.
Marina destaca que os estoques de sangue precisam de reposição constante, já que o sangue não possui substituto e a demanda pelos hemocomponentes ocorre diariamente. Por isso, a intenção é informar as pessoas que antes precisavam esperar períodos maiores de que elas podem voltar a estar aptas para doar em menos tempo.
Atendimento no Hemosul
O Hemosul também informa que tem trabalhado para tornar o atendimento mais rápido e diminuir o tempo de permanência dos doadores nas etapas de cadastro, triagem, coleta e alimentação após a doação.
Em condições normais, todo o procedimento leva entre 30 e 40 minutos. Em horários de maior movimento, entretanto, o atendimento pode demorar um pouco mais.
“É importante divulgar essas novas regras para que as pessoas se solidarizem e venham fazer a sua doação”, reforça Marina.
Com informações do Campo Grande News.
