Uma nova pesquisa indica que a análise da saliva pode contribuir para identificar o risco de câncer colorretal. Publicado nesta quinta-feira (20) na revista Cell Host & Microbe , o estudo encontrou uma relação entre o tumor e microrganismos presentes na boca, levantando a possibilidade de um método de detecção menos invasivo.
Pesquisa analisou saliva e fezes
O trabalho foi realizado por pesquisadores da Universidade Yonsei, na Coreia do Sul. Foram analisadas amostras de saliva e fezes de 507 pessoas, entre pacientes com câncer gastrointestinal, indivíduos com doenças metabólicas e voluntários saudáveis.
Os cientistas investigaram se os mesmos microrganismos encontrados na boca também estavam presentes no intestino. Para isso, desenvolveram um índice chamado “boca-fezes”, que mede a presença de bactérias semelhantes na saliva e nas fezes de cada participante.
Entre os pacientes com câncer, o índice apresentou valores mais elevados. O resultado sugere que, nesses casos, microrganismos da boca podem chegar ao intestino com maior frequência. Esse aumento não foi identificado entre as pessoas com doenças metabólicas.
Saliva apresentou potencial para detectar câncer
Segundo os pesquisadores, modelos desenvolvidos a partir da análise da saliva conseguiram diferenciar pacientes com câncer colorretal de pessoas saudáveis nos diferentes grupos avaliados.
De acordo com o estudo, o desempenho foi superior ao de alguns métodos utilizados atualmente como triagem inicial, como o exame de sangue oculto nas fezes. Esse teste pode apresentar limitações porque nem todos os tumores provocam sangramento e também pode apontar alterações que não estão relacionadas ao câncer.
A coleta de saliva, por sua vez, tende a ser mais simples e confortável para o paciente.
Teste ainda não pode ser usado na prática
Apesar dos resultados, a análise da saliva ainda não está disponível para uso clínico. Os pesquisadores afirmam que é necessário compreender melhor a relação entre os microrganismos e o câncer colorretal.
Ainda não se sabe se essas bactérias participam do desenvolvimento do tumor ou se o próprio câncer favorece a chegada e permanência dos microrganismos no intestino.
Novas pesquisas deverão avaliar a precisão do método em pessoas sem diagnóstico e buscar versões mais sensíveis do teste. Somente após essas etapas será possível avaliar uma eventual aplicação na prática médica.
