A boca pode revelar sinais que vão além de cáries e gengivite. Durante a consulta, o dentista pode identificar alterações relacionadas a condições como diabetes, refluxo gastroesofágico, bruxismo, distúrbios do sono e câncer.
Isso não significa que todo sintoma indique uma doença sistêmica. Porém, mudanças persistentes ou sem causa aparente devem ser avaliadas por um dentista e, quando necessário, investigadas por um médico.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), doenças bucais afetaram 3,5 bilhões de pessoas no mundo em 2019, incluindo cáries, doenças da gengiva, perda dentária e câncer de boca.
"O cirurgião-dentista observa tecidos, mucosas, língua, gengiva e outras estruturas diariamente. Por isso, pode perceber alterações que precisam de avaliação por outros especialistas", afirma Alexandre Parreira, cirurgião-dentista, especialista em Periodontia, Implantodontia e Odontologia do Trabalho.
Sangramento e desgaste dos dentes
Sangramento frequente na gengiva costuma estar ligado à gengivite e à placa bacteriana. Em pessoas com diabetes, há maior risco de gengivite, periodontite, boca seca e cicatrização lenta. A periodontite também pode dificultar o controle da glicose.
Já dentes desgastados ou sensíveis podem estar relacionados ao bruxismo, hábito de ranger ou apertar os dentes, ou ao refluxo, quando o ácido do estômago provoca erosão dentária.
Boca seca e mau hálito
A boca seca pode ocorrer por desidratação, respiração pela boca, medicamentos, diabetes ou alterações nas glândulas salivares. A redução da saliva aumenta o risco de cáries, irritações e mau hálito.
O mau hálito persistente também precisa ser investigado, pois pode ter origem na boca, nariz, garganta ou sistema digestivo.
Feridas persistentes exigem atenção
Feridas que não cicatrizam em até 15 dias, manchas brancas ou vermelhas, caroços, sangramentos sem motivo, dificuldade para engolir ou rouquidão persistente devem ser avaliados.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), lesões persistentes precisam de investigação rápida. A confirmação, quando necessária, é feita por avaliação especializada e biópsia.
Ronco intenso, pausas na respiração e sonolência durante o dia também merecem atenção, pois podem indicar apneia do sono.
A avaliação odontológica não substitui o acompanhamento médico. Consultas preventivas e atenção às mudanças persistentes ajudam a identificar problemas e iniciar o tratamento adequado mais cedo.
