A crise provocada por bebidas contaminadas com metanol completa um mês com 58 casos confirmados de intoxicação e 15 mortes, segundo o último boletim divulgado pelo governo federal. A contaminação foi associada à falsificação de bebidas alcoólicas, que utilizaram álcool combustível adulterado com metanol em sua composição.
Desde o primeiro alerta, em 26 de setembro, uma força-tarefa envolvendo vigilância sanitária, polícias e centros toxicológicos atua para conter novos casos e identificar a origem das bebidas adulteradas. Hospitais polo foram preparados em várias regiões do país, inclusive fora dos locais inicialmente afetados, para atendimento especializado às vítimas.
O avanço das investigações revelou que o produto adulterado teve origem em postos de combustível no ABC paulista, responsáveis por distribuir o álcool utilizado na falsificação. A operação foi deflagrada em 17 de outubro, após a prisão de suspeitos ligados à produção e comercialização das bebidas ilegais.
Laboratórios como o Ciatox de Campinas e o Latof da USP em Ribeirão Preto vêm conduzindo análises que confirmaram a presença anormal de metanol nas amostras. O governo federal também distribuiu antídotos e etanol farmacêutico aos hospitais, buscando reduzir a gravidade dos casos.
O impacto da crise foi sentido no setor de bares e restaurantes, com uma queda de cerca de 5% no consumo de bebidas alcoólicas em setembro, segundo a Abrasel.
Além das ações de repressão, universidades desenvolveram novas tecnologias de detecção. Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) criaram um “nariz eletrônico” capaz de identificar a presença de metanol em uma única gota de bebida, transformando odores em dados analisados por inteligência artificial.
Paralelamente, o tema chegou ao Legislativo. A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 2307/07, que propõe classificar a adulteração de alimentos e bebidas como crime hediondo.
Até o momento, as autoridades reforçam o alerta à população para que evite o consumo de bebidas de procedência duvidosa e denuncie suspeitas de adulteração aos órgãos de fiscalização.
Com informações de Agência Brasil.
