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Brasil tem 5,9 milhões de doadores de medula cadastrados

Hemosul reforça importância da responsabilidade ao ingressar no Redome

Thais Constantino - Hojemais Três Lagoas 
19/06/26 às 15h52
Foto: Reprodução

A possibilidade de obter benefícios previstos em lei tem despertado o interesse de muitas pessoas em se tornarem doadores de medula óssea . No entanto, o Hemosul reforça que a decisão de entrar para o cadastro nacional deve ser baseada principalmente na solidariedade e no compromisso de ajudar pacientes que dependem de um transplante para sobreviver.

No Brasil, o cadastro é realizado por meio do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) , banco que reúne informações genéticas de milhões de brasileiros e auxilia na busca por compatibilidade para pessoas que necessitam do procedimento.

Entre os benefícios garantidos nacionalmente está a isenção da taxa de inscrição em concursos públicos federais para candidatos cadastrados como doadores de medula óssea em instituições reconhecidas pelo Ministério da Saúde, conforme estabelece a Lei Federal nº 13.656/2018.

Apesar dessa vantagem, o Hemosul destaca que o principal motivo para ingressar no Redome deve ser a disposição de ajudar quem aguarda por um transplante, assumindo um verdadeiro compromisso com a vida.

Cadastro não significa doação imediata

O cadastro no Redome não representa uma doação imediata de medula óssea. O processo começa com o preenchimento de um termo de consentimento e a coleta de uma amostra de sangue.

Esse material é utilizado para identificar características genéticas conhecidas como HLA , fundamentais para localizar compatibilidade entre doadores e pacientes.

Após essa etapa, o voluntário passa a integrar o banco nacional de doadores e pode permanecer cadastrado até completar 60 anos de idade.

Na maioria dos casos, o chamado para uma possível doação pode demorar anos ou até mesmo nunca ocorrer, já que a compatibilidade genética é considerada rara. Caso seja identificado como compatível com algum paciente, o doador poderá ser contatado mesmo muitos anos após o cadastro.

Por isso, manter telefone, endereço e demais informações atualizadas é essencial para possibilitar o contato quando necessário.

Os hemocentros e demais informações sobre o processo podem ser consultados diretamente no portal do Redome.

Quem pode se tornar doador de medula óssea

Para realizar o cadastro é necessário:

  • Ter entre 18 e 35 anos;
  • Apresentar documento oficial com foto;
  • Estar em boas condições de saúde;
  • Assinar o termo de consentimento livre e esclarecido;
  • Realizar a coleta de uma amostra de sangue.

Algumas condições de saúde podem impedir o cadastro ou exigir avaliação específica, como determinados tipos de câncer, hepatites, doenças autoimunes e outras enfermidades previstas nos protocolos do registro.

O que acontece quando surge uma compatibilidade

Quando o sistema identifica um possível doador compatível, o voluntário é contatado por telefone, WhatsApp ou e-mail para confirmar o interesse em continuar no processo.

Posteriormente, podem ser solicitados novos exames para confirmar a compatibilidade genética e avaliar as condições de saúde do doador. Somente após a conclusão dessas etapas é que a doação pode ser realizada.

O procedimento pode ocorrer por meio da coleta de células-tronco do sangue periférico, método semelhante à doação de sangue, ou pela retirada da medula óssea em ambiente hospitalar. A definição da técnica é feita pela equipe médica de acordo com as necessidades do paciente.

Todo o processo é voluntário, gratuito e sigiloso. Além disso, despesas relacionadas à doação, como transporte, alimentação e hospedagem do doador e de um acompanhante, podem ser custeadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) .

Brasil tem quase 6 milhões de doadores cadastrados

Atualmente, o Brasil conta com aproximadamente 5,9 milhões de doadores voluntários cadastrados no Redome . Todos os anos, mais de 125 mil pessoas ingressam no sistema.

Somente em 2025, quase 150 mil novos cadastros foram registrados. Em 2026, o número já ultrapassa 56 mil novos doadores.

Mesmo com esse volume, mais de 2,5 mil pacientes aguardam por um doador compatível no país, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO).

Entre pessoas sem parentesco, a chance de compatibilidade pode chegar a apenas uma em cada 100 mil indivíduos.

Benefícios para doadores em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, a legislação estadual também garante benefícios para doadores regulares de sangue e de medula óssea cadastrados nos hemocentros e bancos de sangue.

Entre eles estão a prioridade em filas bancárias e o direito à meia-entrada em eventos culturais, esportivos e de lazer.

Mais do que uma carteirinha

Embora existam benefícios legais para os cadastrados, o Hemosul ressalta que essas vantagens devem ser encaradas como consequência do ato voluntário e não como a principal razão para ingressar no registro.

Para milhares de pacientes que aguardam um transplante de medula óssea, encontrar um doador compatível pode representar a única oportunidade de tratamento e sobrevivência.

Segundo o órgão, já houve casos de pessoas que se cadastraram motivadas pelos benefícios previstos em lei, mas desistiram quando foram chamadas para continuar o processo de doação.

O Hemosul reforça que o cadastro deve ser realizado por solidariedade e pela vontade genuína de ajudar alguém que necessita do transplante.

A desistência de um doador compatível pode trazer consequências diretas para o paciente que aguarda o procedimento. Como a compatibilidade fora do círculo familiar é rara e pode levar anos para ser encontrada, a recusa pode atrasar o tratamento e reduzir as chances de sucesso do transplante.

Por isso, o compromisso assumido no momento do cadastro é considerado tão importante quanto o próprio ato de doar.

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